sexta-feira, 17 de setembro de 2010

QUANDO TUCANOS DEIXAM DE VOAR – A MORTE DO PSDB


Fico observando os apoiadores tucanos na internet e percebo, antes de mais nada, que estes podem ser divididos entre a grande imprensa e trolls (encrenqueiros da internet) pagos pelo PSDB e cia. Ambos, no entanto tem como intenção habitual de discurso, a propagação de maus dizeres, falas sem substância factual (de realidade) e com baixo poder analítico.

Esta minha fala não tem a pecha de desqualificar o PSDB, que nascido da dissidência do Quercismo, de um PMDB que nos anos oitenta já falira (inflado com velhos apoiadores e comportamentos da ditadura) agora retorna, naturalmente, ao seu antigo celeiro, tendo como única forma de expressão política, a de outrora, sem discurso, sem projeto, a velha visão de política baseada em caciques e na figura de nomes políticos consagrados, e nada mais!

A recente fúria PSDBista, tenho afirmado se tratar de uma consequência da lógica do ressentimento e do chilique, que se caracteriza em suma, pela expressão de uma força desproporcional que tem como pano de fundo a derrota iminente de seu agente.

Este comportamento, no entanto, tem bases estruturais. O projeto PSDBista de uma social democracia européia que tanto lá, como aqui, se tornou neoliberal, fracassou com a crise econômica mundial. Ao mesmo tempo, um projeto em andamento que tem bases políticas em grupos de forte representação política (sindicalistas, movimentos sociais, intelectuais, marxistas) tornou-se A opção eleitoral no Brasil.

Essa opção tem como bases o resultado econômico e social que o governo de Lula foi capaz de traduzir em políticas públicas. É por tal razão que o discurso de marketing do PSDB (à moda de Lavareda: do subjetivismo), que toma os supostos eleitores como “irracionais” não consegue persuadir, posto que o eleitorado está, como diriam os americanos, "votando com o bolso" (à moda de Downs).

O racionalismo impera quando as bases econômicas são percebidas pelos cidadãos em geral. E isto ocorre, não somente, em função de um repertório político sofisticado, mas pela natural capacidade dos indivíduos de constituir opção diante de realidades concretas. Estas realidades se firmam à medida que deixam de ser mera referência simbólica e passam a ser percebidas na esfera do valor de uso, antes que a do valor agregado de bens (coisa que o marketing busca afirmar).

O programa de televisão de Serra é ruim não por incompetência, mas por uma visão desqualificadora do eleitorado, da recepção de suas mensagens. O programa de Dilma, ao contrário do que possa parecer, procura, em linguagem publicitária explicar (especificar, detalhar) o que teria sido o governo Lula.

Não é por acaso que se constata no Brasil, uma forte tendência de aproximação do eleitorado por uma opção de esquerda. Nesse contexto, o PSDB deixou de existir, enquanto mediador de visão política e de um projeto político nacional.

Conseqüências disso? Aécio tem apontado desde o início do ano que pretende deixar o partido (hoje deve sair uma Carta Capital apresentado esse prognóstico). Segundo aponta a revista, Aécio deseja formar um novo partido que iria apresentar uma proposta de oposição moderada ao governo de esquerda que deve ganhar as eleições no Brasil.

Mas mesmo isso, não é tão automático assim! Depende da vitória de Anastasia em Minas, e de seus prováveis apoiadores, caso contrário Aécio, também, naufraga junto ao PSDB.

Prováveis acompanhantes desta nova senda partidária seriam Geraldo Alckmin e Kassab em São Paulo.

O que está sendo abandonado com isso é a pessoalidade desequilibrada e desagregadora de Serra associada ao racionalismo autobajulador de FHC que não permitiu ao PSDB parar para se reajustar no cenário nacional. Resultando, degringolou. E este comportamento do PSDB leva consigo, parte de nossas elites econômicas que ainda não se permitiram buscar pactuar com a nova ordem política estabelecida no Brasil. Não se permitiram por dois motivos:
1. Por que estão quebrados e Serra representaria o pagamento das contas via Presidência da República;
2. Por que subsiste em sua leitura de manutenção do poder, a esfera política como garantidora de um mercado capitalista com sofisticação média para pequena e com o eterno temor de ter de se fazer gente grande. Nunca tivemos no Brasil liberais de fato, mas uma aristocracia que fundava seus lucros nas estruturas mescladas da política e do mercado.

Eis o fim do PSDB, uma relação social superada historicamente.

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