"Eu vim servir ao Exército pensando que o Exército estava servindo ao povo, mas quando o povo grita por seus direitos é reprimido. Aqui, o Exército defende os monopólios, os latifiundiários, a burguesia. O povo é sempe reprimido. Esse Exército é podre e eu não aguento mais..."Carlos Lamarca, em o Capitão da Guerrilha de Emiliano José
É natural que ao notarmos um fato histórico importante, tomemos os seus principais personagens e os fatos mais próximos do incidente como fatores explicativos do mesmo.
Em muitos casos, porém, este tipo de olhar imediato nos limita a visão das origens que geraram um determinado contexto. Isso vale, certamente, para a questão do golpe militar de 1964.
O discurso oficial, da boca dos militares, aponta que o levante bélico se deu em contra-ofensiva ao governo de Jango e a ameaça de implantação de um regime socialista no Brasil. Se isso é verdade, diz respeito a fatores mais próximos do momento do golpe militar, mas não explicam de onde surgiram seus líderes e sua concepção ideológica.
Em um relato belíssimo, Darcy Rodrigues, antigo revolucionário da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) - movimento que teve como líder Carlos Lamarca, relata a história das forças armadas brasileiras (em especial, o Exército Brasileiro) por um viés marxista, demonstrando os conflitos de classe internos e as origens históricas dos grupos golpistas e revolucionários no interior da caserna nacional:

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