quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ESPECULAÇÕES DE QUEM (IMPRENSA) NÃO SABE PERDER


Tem pena de mim, ouve só meus ais,
que eu não posso mais, tem pena de mim!
Chora coração - Vinícius de Moraes


Na calada da noite preta, mais um debate sobre eleições
Assisti na madrugadinha o Band Eleições, da Rede Bandeirantes de Televisão. Se a solidão contagia na noite paulistana, o que resta é dar uma olhada nos comentários eleitorais! Brincadeiras a parte, o que se pode afirmar sem sombra de dúvidas é que a tendência do processo eleitoral se confirma, enquanto fenômeno social de estabilização da opinião do eleitorado. Esta opinião, para o desespero dos meios de comunicação, que estão claramente contra a candidatura de Dilma, não está submetida ao efeito que se desejava com a composição de escândalos midiáticos.
No programa esteve presente João Francisco Meira, do instituto VOX POPULI que reafirmou um processo de grande estabilidade (com variações mínimas de variação estatística) nos números de pesquisa eleitoral relativa a disputa à Presidência da República.

Dilma caiu? Existe risco de segundo turno?
Fernando Mitre, apresentador da mesa de discussões, não resistiu e apontou a “tese” de que Dilma teria caído um pouco na preferência eleitoral dos brasileiros, defendendo que este processo teria relação de coerência com os últimos escândalos noticiados pelos meios de comunicação dominantes. Não conseguiu sustentar seu rompante especulativo, o fenômeno Elenice não ofereceu nenhum risco, e isto restou como conclusão única possível, entre os debatedores.
O que foi dito pelos mesmos é que faltariam 8 pontos percentuais para viabilizar um segundo turno, uma vez que Dilma, segundo o Data Folha atingiria hoje 49% dos votos, sendo que o total dos demais concorrente não ultrapassaria a margem de 41% dos votantes.
Francisco Meira acertou no argumento que o eleitor não estaria votando ou deixando de votar pelas razões que Mitre tentava a todo custo defender como basilares de uma possível mudança do comportamento eleitoral. Na verdade, Mitre mais torcia do que defendia argumentos. Nesse ponto Meira foi enfático, escândalo que muda o processo eleitoral, muda para além da margem de erro, caso contrário não tem relevância estatística.

No entanto, os indecisos estariam no limite da alienação eleitoral. Marina, segundo apontou-se teria atraído um pouco do eleitorado neste momento de aperto obrigatório de decisão.
Outra perspectiva, no entanto, para o fenômeno de variação mínima percentual dos números favoráveis a candidatura governista que foi apontado é o de que Dilma, ao chegar a 60% dos votos válidos - como se percebeu como teto até o presente momento do acompanhamento do processo eleitoral - teria efetivado um fenômeno sem precedentes históricos, vez que Lula só atingira coisa parecida no segundo turno eleitoral, e não no confronto direto com todos os candidatos. Por isso que variações para baixo deveriam ser esperadas como natural diante de um fenômeno eleitoral tão robusto.

Sobre os conteúdos de campanha
No início do outro bloco, Fernando Mitre tentou iniciar a discussão de que não estava diante de uma campanha que discutia propostas. Francisco Meira, logo em seguida, tentou refutá-lo identificando que os canditatos teriam tratado de temas programáticos e pontuou que Serra teria combinado críticas com conteúdos: ampliação de bolsa família, dentre outros. Mitre, não permitiu que Meira concluisse sua fala e interrompeu o pesquisador com as velhas generalizações do tipo “trata-se da pior campanha que já vi”. Os argumentos jornalísticos parecem pontuar o mais do mesmo, como se já não tivéssemos ouvido isto em campanhas anteriores; o que, portanto, não indica necessariamente alguma evidência ou reflexão explicativa relevante.
O que restou no fim das contas como consenso foi mais uma obviedade. A de que o momento de uma campanha eleitoral não permite a abordagem direta de temas que possam prejudicar a condição eleitoral da viabilidade das candidaturas (nada de polemizar). Mas não seria assim em todos os momentos da vida, não avaliamos bem o que vamos abordar em função de cada momento social?
Eduardo Oinegue, jornalista do portal IG, um dos outros debatedores apontou como provável explicação, para os reclames de Mitre, que os candidatos ficaram um bom tempo tentando se conceituar, o que levou ao prejuízo da abordagem de temas fora da referência direta da imagem do candidato.
O que, no entanto, ou não percebeu, ou não quis declarar, é que um fenômeno de candidatura como Dilma teve sua imagem fincada na explicação específica dos programas de Lula e na forma com que estes poderiam ser continuados e ampliados, dentro de uma lógica sistêmica. O que foi acertado pela campanha de Dilma foi a percepção que explicar Dilma, conceituá-la, pasaria por associar a explicação do que afinal se tratou o governo Lula. E a forma de se fazer isso é através da abordagem de conteúdos de programa de governo, o que se tem visto no programa de Dilma.

OBSERVAÇÕES FORA DO EIXO:
(1) Parece que Marina dentro da limitação de agenda, espaço e tempo está colhendo alguns frutos. Na verdade bem pouco. Marina fica na rabeira da rejeição de Lula e Serra.
(2) João Francisco Meira refutou a idéia (advinhem, defendida por Mitre) que Plínio brigou, nos debates, para discutir propostas. É verdade, que ele (Plinio) bradou isto a quatro ventos, mas a única coisa que ele disse de concreto é que era contra tudo.

Olhos fechados miram a escuridão
Oinegue considerou também como ponto contra o desenvolvimento de uma abordagem programática na campanha teria sido que o tom de pancadaria demarcado na campanha, tomando-se em conta a grave denúncia do caso relativo a Receita Federal e do caso da ex-Ministra da Casa Civil Erenice em seu provável envolvimento com um processo de negociação ilícita.
Mais uma vez a visão generalista de ausência de conteúdos “relevantes” revelou uma mescla de predileção eleitoral dos âncoras de televisão por um dos candidatos, associada à uma visão de que a retórica que se desenvolve entorno dos temas de interesse do eleitorado não é a dos temas “verdadeiramente” importantes (uma visão de fato elitizadora da Democracia).
Em um destaque importante, contrapondo às posições de Mitre e Oinegue, Francisco Meira disse que a campanha de Dilma optara, estrategicamente, por não explorar denúncias. O que, segundo o pesquisador do Vox Populi. Já que o grupo de Dilma também teriam condições e elementos para denunciar.
Se ficou claro que as premissas da decisão eleitoral eram outras, o engraçado é que diante deste conjunto de argumentos, de tão forte base de realidade e que calou a todos, Mitre e Oinegue não se dispuseram a indagar quais seriam os tais fatores que contrariavam suas teses, imaginando o mero continuísmo como base do raciocínio eleitoral.

Tenho visto tal análise, mesmo entre os envolvidos no processo eleitoral, infelizmente. Isto demonstra que estes analisam a decisão eleitoral a partir de premissas que tomam o eleitor como um indivíduo pouco racional. A verdade é que talvez, mesmo estes, tanto mais os jornalistas, se encontram insensíveis para perceber fenômenos novos na leitura política que a população brasileira está expressando.

A velha visão paulicêntrica
Na mesma toada, Oinegue apontou que, em 2006, o PT teria dado um presente aos adversários que viabilizara o segundo turno. No entanto, o caso de Erenice, agora, não teria sido dado de bandeja. Para o jornalista Oinegue este caso teria sido tão grave quanto o outro, mas o efeito eleitoral negativo não se repetiu desta vez. A análise de Oinegue para isto é mais uma vez limitada, vez que se sustentou em características pontuais dos fatos de 2006 comparando com o dos fatos recentes, considerando que as diferenças factuais tivessem promovido um fenômeno diferente de percepção eleitoral.
Mitre, no caótico jogo opinativo, não podendo mais fugir da argumentação de Francisco Meira, ao seu modo, tentou emplacar mais uma tese, ao dizer que o ponto fundamental da decisão eleitoral seria o consumo. João Francisco Meira, no entanto, destacou que o melhor a dizer seria que tal ponto fundamental teria sido a percepção de qualidade de vida. Mitre refutou e Oinegue foi na cola, mas a visão paulicêntrica (destacada por Francisco Meira), de um Brasil pronto, foi apontada como a base para a desconsideração de um fenômeno confirmado por pesquisas.

Elites toldadas pelo seu próprio preconceito e visão restrita da realidade.
Oinegue, no entanto, também disse que qualidade de vida não seria um conceito explicativo muito forte para o caso. No entanto não pode desconsiderar que o cálculo comparativo do antes e depois, ou seja, a percepção de melhora das condições de vida era o que sustentava a racionalidade eleitoral presente. Dá para entender tanta confusão! Uma das razões em defesa disso foi a de que, apenas, 8% dos votos da Dilma vem de beneficiados do Bolsa Família (20% do total dos beneficiados).

O que vem por ai...
(1) No final das contas deu para entender qual será uma das pautas: "Dilma estaria perdendo votos e o segundo turno se avizinharia". Mas acho que o primeiro rond foi perdido pela mídia, e mais uma vez eles não convenceram o eleitorado.
(2) Detalhe, Boris no noticiário da Band, logo em seguida, destacou em suas manchetes, a ocorrência do evento que teria reunido juristas, artistas e outros em favor da Democracia (na verdade contra ofensiva ao evento que ocorrerá logo mais contra as posturas radicais da imprensa brasileira, promovido pelo Instituto Barão de Itararé).

É esperar para ver, o que está em disputa não é só a Presidência da República, mas a visão de mundo que irá dirigir o país. A guerra está acontecendo, quem tem olhos para ver que veja!

Um comentário:

  1. Luiz:na verdade estes jornalista interpretam relamente o povo brasileiro de forma errada, e me parece que eles pensam como elite,quer dizer os entrevistadores nao conseguem pensar como a maioria do cidadao comum, simplismente porque eles vivem como elite nao viveram perto do povo, nao passaram o que o povo passou des-de o passado, alguns apenas viram o que o povo pasou mas nao o que sofreram, quer dizer os jornalistas,estes mesmos jornalista apenas repercutem a sua propria interpretaçao do que seja povo.quando na verdade eles nao sao, talvez seja por isso que quase a maioria deles nao compreendem o governo lula,digo quase todos sem generalizar.e e por isso que eles nao como seus patroes nao aceitem uma candidata como dilma.e agora ficam louquinhos querendo enteder o que esta acontecendo,que o candidato ungido por eles como o mais preparado,o mais experiente,o mais astuto, nao consegue nada em termos de voto,a verdade e uma so.nao se pode compreender aquilo que a gente passou parte da vida longe, como e o caso da maioria pobre deste pais.e e por isto que eles nao compreendem e tambem nao aceitam uma surra eleitoral.quem do povao vai querer pessoas que no passado governaram so para poucos, e abandonou uma maioria na rua da amargura e do sofrimento.penso que so a proxima geraçao de jornalistas sera povo junto com o povo, porque esta geraçao que esta ai ainda da antiga essa e cheirosa,ela so finge que gosta de pobre,como os politicos da elite que ja fingem a decadas e decada.sera dilma no primeiro turno,oposiçao,e partido midiatico,vai demorar muito ate conseguir novamente voltar ao poder.

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