terça-feira, 7 de setembro de 2010

A CONJUNTURA ELEITORAL PARAENSE



Quando eu digo...Te amo
Falo do sempre
Do Círio, de tudo
Falo do eterno moleque
Do quanto te amo...

Belém, Belém
Regue a saudade
Regue a saudade pra mim
Belém, Belém, Belém, Belém...

(trecho da canção Doce Veneno, Nilson Chaves)


Tive a grata felicidade de morar no estado do Pará, mais especificamente no início de minha adolescência na cidade de Belém. Conheci naquele período o início do Partido dos Trabalhadores ainda numa caminhada inicial.
O Pará é conhecido por sua maravilhosa fauna e flora amazônica, por uma cultura particular e autônoma em relação a pressão da cultura de massa norteamericana e sobretudo, por uma gente solidária e emocionante.
Abaixo reproduzo análise do contexto político eleitoral do estado. Este texto foi produzido pelo colega Ruan Crapula Mor, paraense e especialista na questão do marketing eleitoral, mestrando em Comunicação pela UFBA.

A política paraense
O estado do Pará ficou 12 anos sob o comando dos tucanos. Em 2006, os paraenses finalmente conduziram ao poder um governo popular, de esquerda, progressista, chefiado por Ana Julia Carepa, ex-senadora e ex-vice-prefeita de Belém. Como acontece em praticamente qualquer gestão petista, Ana teve de convergir ao centro, e compor seu Governo com o PMDB de Jáder, que ocupou Secretarias importantes, a exemplo da SESPA – Secretaria de Saúde. Porém, na contramão de Governos petistas como os de Jaques Wagner na Bahia, e de Marcelo Déda em Sergipe - que também romperam com longos períodos de gestões do PSDM / DEM e tornaram-se amplamente populares - Ana enfrenta grandes dificuldades, e corre sério risco de não conquistar um segundo mandato. Última pesquisa IBOPE [1] colocou o ex-governador Simão Jatene, do PSDB, 10 pontos à frente: 43 a 33% para o tucano. O PMDBista, Domingos Juvenil, vem em terceiro lugar, com 6%.
De maneira geral, e em várias regiões do estado, há sentimento de decepção com o Governo do PT. Escândalos como a morte de 300 bebês na Santa Casa do Pará, e a prisão de menina de 15 anos em cela masculina em Abaetetuba, além de um cotidiano marcado por descaso com a saúde e avanço da criminalidade, chocam e revoltam a sociedade paraense, cada vez menos paciente com políticos. Todo este cenário ainda é consideravelmente agravado pela perda da Copa que Belém sofreu para Manaus. Os paraenses tinham muita esperança de sediar o evento mundial, e acreditavam apresentar melhores condições para isto. Pode-se dizer que, se Belém tivesse sido escolhida sede da Copa, a situação da Governadora seria muito diferente. Hoje, a rejeição de Ana é muito alta, e sua imagem está bastante desgastada [2].
Tucanos paraenses x onda vermelha
Jatene, por sua vez, descansou sua imagem nos últimos quatro anos, e tem explorado com muita competência e acidez a rejeição de Ana em suas inserções e programas televisivos. O marketing do PSDB tem sido implacável nas críticas, enquanto a campanha de Ana começou contida, um tanto acuada. Num português mais claro, apanhava muito e não batia nada. A coordenação petista parece ter apostado na prestação de contas, dispensando o enfrentamento – estratégia que faria sentido se a situação de Ana fosse como a de Dilma. Nos últimos programas, a candidatura petista começou a reagir, e vem se aproximando do tom necessário em uma disputa tão dura. Se o PT efetivamente optar por desconstruir o adversário, para além de mostrar as realizações importantes da governadora, o quadro desfavorável pode se inverter.
Primeiramente, a campanha de Ana tem de ser tão ou mais firme nas críticas quanto tem sido o PSDB desde a pré-campanha. Mesmo porque os 12 anos do tucanato no Pará são recheados de pendências, falhas, omissões e pontos-fracos. Durante o mês de outubro, Ana poderá capitalizar eleitoralmente a conclusão de importantes obras de trânsito em Belém, e de hospitais no interior. Além disso, não se pode ignorar que, em eventual segundo turno, a governadora contaria com dois fortíssimos trunfos: uma presidente já eleita de seu partido; e um presidente Lula menos requisitado (dado que a maioria das disputas estaduais caminha para decisão em primeiro turno – SP, RJ, MG, PR, RS, BA, PE, CE, DF, MT, dentre outras). Com agenda eleitoral mais folgada, Lula e a nova presidente poderiam até mesmo vir a comícios no Pará. Resta saber se o favoritismo do tucano paraense Simão Jatene resistiria à onda vermelha.
[1] http://blogdareporter.blogspot.com/2010/08/enfim-os-numeros.html
[2] http://blog.doxacomunicacao.com/2010/08/por-dornelio-da-silva-especialista-em.html

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