terça-feira, 17 de agosto de 2010

A RETÓRICA DA IMAGEM NO PRIMEIRO PROGRAMA ELEITORAL DE 2010


Para não ficar falando o mais do mesmo, quanto a retórica das imagens apresentadas no horário eleitoral, podemos comparar os programas dos presidenciáveis e apontar as seguintes distinções:

O primeiro programa de Serra
Serra, apesar do que apontou a Folhaonline tratou de sua biografia juntamente com referências esparsas de atuação como ministro da saúde, prefeito e governador.
A construção da narrativa no programa de Serra buscou evidenciar um tom (inconsciente) de homem simples do povo. Por isso o texto e as imagens foram extremamente mescladas, e então, um problema de linguagem e recepção ficou: que mais uma vez Serra não transpareceu simpatia, por que buscou referenciar esta característica num discurso difuso que tentou imitar a característica (desestruturada e mesclada em referências) da oralidade popular.

No seu programa, reitera-se no discurso a sua condição de suposto homem simples ou de origem simples, tanto que isto transparece de uma forma constrangedora em seu jingle, que diz "quando o Lula da Silva sair é o Zé que eu quero lá”. No desenrolar do seu primeiro vídeo, já se tinha a impressão de que o programa queria falar muitas coisas em pouco tempo e em razão deste “ruído”, acabava contribuindo com a desatenção do telespectador.

A tentativa de humanização ficou patente, sobretudo naquilo que a reportagem "oficial" da folhaonline buscou evidenciar, a apresentação de grande número de pessoas conversando com Serra. Contundo este recurso retórico da imagem não afastou a defeituosa continuidade e uniformidade do texto audiovisual de Serra.

Serra apostou na sua imagem, na crença do emocionalismo difuso do eleitorado e em realizações própria ligadas a sua imagem de candidato.

O primeiro programa de Dilma
O vídeo de Dilma foi um banho de produção. A linguagem tinha um compasso e combinações que não deixam dúvidas da superioridade de seu programa. De início foi apresentada uma estrada observada pelo olhar em movimento do observador em um veículo (de Dilma), o texto e imagens que se seguiram tiveram como fio condutor a trajetória de Dilma. As primeiras cenas, do carro caminhando em uma ponte (creio que seja a JK de Brasília) e o final demarcam a idéia de continuidade enquanto processo e experiência. Não é só, a música no fundo contribuía para um tom emocional reflexivo.
Após, ainda conservando a emocionalidade, Dilma se apresentou de imediato como a mulher que foi presa na ditadura, que ama a política, que é mãe e que tem além de competência administrativa muita paixão por “mudar” o país. O clima prospectivo percebido nas pesquisas de opinião se fizeram presentes em todo momento referenciados no vídeo da candidata.

A narrativa inicia-se com a estrada e sua origem (pessoal), passa para a questão de seu envolvimento com a luta estudantil (política) e sua prisão (política e pessoal), apresenta em seguida sua saída da prisão e a formação de sua família - a Dilma mãe (pessoal), depois fala de seu empenho em se formar como economista e de seu desempenho nas ações de redemocratização e atuação governamental (pessoal e técnico). Depois disso, finalmente aparece Lula em uma fala que apresentou como equivalentes o sucesso do governo (realidade objetiva <=> políticas públicas) e a capacidade (pessoal) de coordenação (técnicó-política) de Dilma no governo.

Dilma é apresentada numa mescla de referências pessoais, de trajetória militante e como administradora técnica em uma encadeamento que sempre apresenta um desses fatores como equivalente do outro.
A continuidade do vídeo é garantida pela referência de movimento na estrada, o conceito de mudança do país (a todo momento apontada no vídeo) e a relação emocional e técnica da mesma na condução deste processo junto com Lula (referendada pelo discurso).

Se a mídia hegemônica e o PSDB esperavam pela televisão para virar o jogo, até no tratamento do discurso audiovisual começou perdendo.

Veja o primeiro programa de Dilma:




Obs. Marina não tira voto de ninguém com propaganda que mais parece Globo Reporter. Plínio foi monotemático e sua falta de tempo de televisão, talvez, prejudique. Percebe-se um melhor tratamento de vídeo pelo PSTU. Etc...

Obs2. O vídeo do Serra não foi postado por que não se encontra disponibilizado.

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