segunda-feira, 30 de agosto de 2010

DIREITOS CIVIS LGBT - ANÁLISE HISTÓRICA E DE CONJUNTURA NO BRASIL


José Genoino é um deputado comprometido com as causas que exigem coragem e forte posição política. Causas polêmicas ou de grande complexidade técnica.
Defensor primeiro da questão do aborto, desde a Constituinte de 1988. Também, um dos principais pensadores e atores políticos nas questões da segurança nacional, direitos humanos, das questões do Estado e constitucionais, tais como a Reforma Política, além de outras tantas.
Seu perfil e sua atuação remontam aos militantes de esquerda extremamente disciplinados e prontos para o enfrentamento de questões que não geram unanimidades imediatas, mas exigem o esforço e combate político contínuo e firme.
Assim é José Genoino.

Acerca do papel do parlamentar em sua concepção, José Genoino aponta:

"Como eu havia dito, nunca fui um deputado só de projetos, nem só de apresentar leis. Fui sempre um deputado de idéias. Aprovei pouquíssimos projetos na Câmara. Mas eu interferia, negociava, participava, dava idéias, emendava, esse tipo de coisa. Um bom parlamentar não precisa der um mecânico de Leis, nem o Congresso uma oficina de leis. O que é necessário é exatamente o oposto, que se diminua o grau de regulamentação da sociedade. A sociedade precisa ser mais autônoma, madura, livre para estabelecer a autoregulamentação de seus valores.
O bom parlamentar deve ter sempre uma posição de vanguarda, e não apenas se referenciar pela opinião pública, porque esta é muitas vezes reacionária. Muitas das coisas que eu defendi geraram conflitos com a opinião pública, como a legalização do aborto, as questões religiosas, união civil entre homossexuais, os temas de segurança pública, forças armadas, etc" (PARANÁ, Denise. Entre o sonho e o Poder, p. 151).

Não é por acaso que ele é o principal político brasileiro empenhado, entre tantas causas com a questão dos direitos civis LGBTs. No endereço abaixo Genoino explica toda a trajetória dos dos projetos e lei LGBT e o avanço da militância, numa análise de conjuntura que é imperdível para quem se interessa pelo tema. Vejam o vídeo a seguir:



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A DEFESA DA INTERNET COMO TERRITÓRIO LIVRE


No dia 21 de agosto de 2010, no I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, Sérgio Amadeu, importante militante da causa do Software Livre, explica de forma clara o cenário de disputa pelo controle da internet, seja no âmbito do acesso livre e sem autorização. Os pacotes de informação, até então, na internet são tratados igualmente, mas os controladores da infraestrutura de rede querem tornar o espaço meramente comercial.
Veja o vídeo e entenda melhor o tema:







O blog do Sérgio Amadeu pode ser acessado no seguinte endereço: http://bit.ly/2BeKx4

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

CARTA AOS PETISTAS

Charge do cartunista Paulo Caruso produzida no programa Roda Viva da TV Cultura no dia 4 de julho de 2005,
José Genoino está encaminhando a carta abaixo para a militância petista. Para o deputado a campanha eleitoral permite a discussão de temas de relevãncia partidária e do projeto político a ser implementado pelo futuro governo. É por isso que com franqueza absurda Genoino se dirige aos petistas e trata de todos os temas pelos quais ele e o PT acabam sendo alvo seja da mídia, seja do discurso conservador. Sem pactuar com estas forças políticas a carta a seguir serve como instrumento para entendimento do processo atual que o Brasil tem passado. Boa leitura:


Companheiras e companheiros

Como vocês já devem estar sabendo, nestas eleições volto a disputar uma vaga na Câmara de Deputados. E gostaria de, mais uma vez, estabelecer um diálogo especial com todos os filiados do PT. Já disse, na carta que escrevi a vocês em 2006, que, para mim, a militância política só se justifica se for “em razão de um projeto coletivo, de uma missão, de um sonho, de uma causa”. E é dessa forma que quero começar esta conversa, quatro anos depois – período no qual exerci meu sexto mandato de deputado federal, e o Brasil se transformou, sob o comando de Lula.

Nesses últimos quatro anos exerci pela primeira vez um mandato como deputado da base de sustentação do governo. Nessa nova fase, pude resgatar a minha pauta política, interrompida em 2002 quando fui candidato ao Governo de São Paulo e requalificar minha militância com o aprendizado destas novas tarefas e com a defesa das conquistas do nosso governo.

Na campanha para governador percorri o estado todo e conheci profundamente as riquezas e as mazelas de São Paulo. A presidência nacional do PT propiciou meu contato com as diversas forças do partido, com a grandeza e com os problemas da sua militância. E, acima de tudo, o fato de conduzir o PT nos primeiros anos de governo me colocou no centro da construção do nosso projeto político. A crise de 2005 revelou o quanto subestimamos a radicalidade da disputa política e me impôs uma reflexão sobre os nossos erros e limitações.

De certa forma, esses acontecimentos todos remetem à minha experiência e fazem parte da história da minha militância. A radicalidade da disputa política e ideológica no Brasil eu já tinha presenciado na guerrilha, como preso político e na construção do PT. Ver o enfrentamento e a negociação como necessidade para a construção de saídas políticas e entendê-los não como imposição, mas como condição para a realização da democracia, eu já havia aprendido no convívio com Ulysses Guimarães, Lula, Plínio de Arruda Sampaio, Mario Covas e outros, durante a Constituinte de 1988.

Entretanto, assim como a ação impiedosa da mídia na crise de 2005 me remeteu às lembranças tenebrosas da tortura sofrida nos porões da ditadura militar, não tenho dúvida da semelhança entre a solidariedade recebida de diversos companheiros e companheiras e aquela que havia entre os que lutavam contra a ditadura e entre os presos políticos.

As visitas à minha casa, o carinho explícito de companheiros do governo, o convite do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para ministrar um curso de formação política, a ajuda inestimável de dirigentes petistas na campanha de 2006 – alguns deles inclusive candidatos iguais a mim – e a forma destemida como a militância defendeu o PT foram atitudes que tiveram o mesmo valor da do soldado que, mesmo me vigiando na prisão, secretamente me deu água após uma sessão de pau-de-arara. Ou da dos estudantes em 1968, delegados como eu, do Congresso da UNE de Ibiúna recém derrubado, que cantavam “A UNE somos nós, nossa força e nossa voz” diante do ônibus que levaria nossos dirigentes para a cadeia. Não tenho dúvidas de que sem essas manifestações eu não teria tido como superar aquelas dificuldades e voltar a enfrentar o desafio de ser, novamente, deputado federal.

Na Carta aos Petistas que escrevi quatro anos atrás esclareci a minha participação e a minha visão sobre a crise que vivemos em 2005 e a qual a mídia, na tentativa de amedrontar o PT, apelidou de “mensalão”.

Na ocasião, apontei que nos descuidamos da defesa de algumas bandeiras históricas do PT e da disputa política autônoma em relação à esfera institucional. Isso nos levou, por exemplo, a não ter assumido a defesa da Reforma Política já no início do governo.

Embora tivéssemos a compreensão de que para reformar o País era necessário, também, reformar a política, não resistimos à pressão institucional. E, ao menosprezar esta tarefa, contribuimos, também, para o fracasso da tentativa de mudar as regras do financiamento da política, o que abriu caminho para o PT cometer o mesmo erro dos outros partidos: não registrar parte dos recursos destinados à campanha de 2004.

Além disso, em 2006, afirmei que os dois empréstimos que assinei foram rigorosamente legais. Fizeram parte da prestação de contas do PT dos anos de 2004, 2005 e 2006, e foram renegociados judicialmente.

Em relação ao episódio do “dólar na cueca” não há nada que me ligue a ele. Nem sou citado no processo. O fato de o envolvido ser, na época, assessor de um irmão meu (que, inclusive, já foi inocentado pela justiça) foi explorado de forma maldosa e oportunista para aumentar o cerco contra o PT.

Pois, tudo era usado para atingir o Governo Lula. E, para isso, valia tudo, até criminalizar as tarefas da presidência nacional do partido para, num passo seguinte, acusar o próprio PT de agir fora da lei e transformar todo petista num criminoso.

Em 2006 fui para as ruas pedir voto munido das mesmas convicções que me levaram a ser candidato ao governo e, depois, a assumir a presidência do PT: a certeza de que o PT é a melhor possibilidade para a construção de um projeto político transformador; a crença de que o governo Lula é o resultado vitorioso das lutas da minha geração e dos 30 anos de construção do PT e a convicção de que os ideais e valores da esquerda e do socialismo sobreviveram ao desastre ideológico neoliberal.

E foi esse tripé a base sobre a qual construí e sustentei o cotidiano do meu sexto mandato como deputado federal. Não há uma ação, um discurso, um debate, uma entrevista, um texto sequer que não tenha tido como ponto central a defesa incondicional do governo Lula, do PT e dos valores da esquerda.

A defesa irrestrita dos programas e das políticas públicas do governo Lula sempre esteve – e está – vinculada à intenção de afirmar o conteúdo democrático e de conquistas de direitos do nosso projeto estratégico de transformação social e política do Brasil. Os índices recordes de aprovação e todos os demais números que indicam o avanço conquistado nas mais diversas áreas apenas ilustram o caráter dessa revolução silenciosa pela cidadania empreendida pelo nosso governo.

Para além de cifras e taxas, o governo do PT ficará na história como aquele que inseriu o Brasil no mundo, abrindo o caminho para o País encontrar a justiça social e o desenvolvimento econômico para todos. A veemência e determinação com que defendi as medidas para enfrentar a crise internacional 2008/2009, os projetos que envolvem a exploração no pré-sal e a política externa do governo Lula têm a ver com a convicção de que o Brasil é um diferencial e uma alternativa para um mundo que busca a paz, a pluralidade e a democracia.

Portanto, em minha opinião, o que está em jogo nas eleições de 2010 não é apenas a continuidade de um governo cujos resultados são positivos e que detém índices recordes de aprovação. É muito mais que isso! É a chance de continuar viabilizando um País justo, desenvolvido, democrático e soberano. A vitória do PT e de seus aliados consolidará o projeto nacional, democrático e popular alicerçado pelo governo Lula, e colocará o Brasil numa perspectiva real de conquista de amplos direitos para seu povo, da consolidação de um novo modelo de gestão do crescimento econômico voltada para a inclusão social e de um protagonismo inédito nas disputas internacionais, que impõe uma nova ordem mundial multilateral.

E, no meu entender, nossa vitória é a conjunção de três fatores: vitória da Dilma, a eleição de uma forte bancada federal no Congresso Nacional e a conquista de governos estaduais.

Porque, assim como tentaram interditar o governo Lula, uma terceira derrota na certa colocará a direita brasileira numa situação ainda mais crítica, o que radicalizará mais a disputa política e poderá levar setores da oposição ao vale-tudo. Ganhando, Dilma precisará de uma força política que sustente seu programa de continuidade com avanços. E essa força será fornecida por um grupo coeso de governadores do PT e dos partidos aliados e por uma bancada forte e unida em torno desse projeto.

É por tudo isso, que me coloco novamente a disposição do PT como militante e quero fazer da minha candidatura a deputado federal o meio de selar meu compromisso com o futuro do Brasil e com a consolidação do nosso projeto. Concluí a “Carta aos Petistas” afirmando que acreditava estar mais calejado e experiente. Hoje posso dizer que, também, estou mais afiado! Vamos à batalha!

Abraços,

José Genoino




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

JORNALISMO "VERDADE" - FOLHA DETURPA NOVAMENTE

Só pode ser isso! A folha ouviu outro discurso do Ministro Franklin Martins





A reportagem “Ao lado do presidente, Franklin critica a mídia”, publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, deformou o que o ministro-chefe da Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, disse ontem na cerimônia de estréia do canal TVT, a TV dos Trabalhadores.

Segundo o jornal, “Franklin disse que o canal [TVT] ajudará a internet a quebrar o poder dos ‘aquários’, jargão que identifica a chefia dos grandes veículos nacionais”. O ministro disse algo bem diferente.

[Na Era do Aquário] Você tem um núcleo ativo de produção de informação e uma massa passiva de consumidores de informação: o Olimpo e, lá embaixo, o resto. Essa Era do Aquário está acabando, felizmente. E nós estamos entrando no jornalismo da Era da Rede, onde, graças à internet, graças à digitalização, o aquário não fica mais tão isolado. Sai uma notícia e essa notícia pode ser discutida, debatida, verificada, consolidada. Pode também ser negada. Ou seja, não temos mais um centro ativo produtor de informações e uma massa passiva de consumidores de informação. Nós temos hoje em dia os consumidores de informação também sendo ativos, também sendo produtores de informação. Isso eu chamo uma revolução, nós estamos só começando, incomoda muito, incomoda muita gente que estava acostumada a ficar no Olimpo, mas isso é inevitável, está acontecendo no mundo todo, está acontecendo no Brasil e isso é muito bom. É muito bom para nós jornalistas que podemos fazer um jornalismo melhor. Mas é muito bom para a população que pode ter acesso a um jornalismo melhor e pode contribuir com um jornalismo melhor.

O ministro foi além. Disse que o desafio de se inventar e achar seu espaço nessa nova era da comunicação vale inclusive para a TVT:

Eu acho que a TVT tem o desafio de estar nascendo nesse momento de transformação e de transição. Isso quer dizer que ela tem que olhar para a frente. Não achar também que são os dirigentes sindicais, os dirigentes que sabem tudo. Também não. É se abrir para a rede, se abrir para o que vem de fora, se abrir para o novo, porque é possível fazer melhor do que se faz. Eu acho que esse é o grande desafio de vocês.

Mas a Folha preferiu inventar o que o ministro não disse a noticiar o que ele disse. Na nova era do jornalismo, em que a informação incorreta se desnuda quase instantaneamente, espera-se que os veículos admitam seus erros e retifiquem-se, para não ver sua credibilidade afetada.


Fonte:

http://blog.planalto.gov.br/a-folha-ouviu-outro-discurso-do-ministro-franklin-martins/


Abaixo veja o discurso do Ministro Franklin Martins:

MARCOS COIMBRA COLOCA EM XEQUE O DATAFOLHA


Pesquisas polêmicas
Marcos Coimbra - Marcos Coimbra
Correio Braziliense - 25/08/2010

Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.

Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum. Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”? Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse nove pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses nove pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira. Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.

Fonte: https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/8/25/pesquisas-polemicas

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

COMO DESENVOLVER MAIS E MELHOR - O DESAFIO DO PRÓXIMO GOVERNO


Uma das palavras mais repetidas no contexto eleitoral é a “desenvolvimento”. Isto por que o Brasil observou uma melhora inegável nas suas condições de produção interna industrial, comercial e na vida do brasileiro em geral.
Tanto, a classe média, quanto os mais pobres obtiveram ganhos da ordem econômica com sustentabilidade econômica refletidos na maior capacidade de compra e na continuidade de ganho, já que o espaço de trabalho no Brasil se tornou mais estável para o trabalhador, posto que se encontra em expansão e não em situação de crise estrutural e de dispensas.

Sobre as taxas de crescimento no Brasil

No entanto, o simples fato de ocorrer crescimento econômico em um país, não leva a um necessário ganho social. A maior crítica da imprensa hegemônica e dos adversários de Lula e Dilma (neste caso: Serra, Marina e Plínio) é a de que o crescimento econômico no Brasil poderia ter sido maior e que este teria ocorrido determinado, quase que completamente, pelo crescimento econômico mundial, e não em razão da condução racional de uma política econômica em curso. Mesmo com a grave crise econômica global, o discurso permaneceu, ainda que se tenha percebido a continuidade do padrão de desenvolvimento no Brasil.

Na verdade as taxas de crescimento econômico no Brasil não são tão altas quanto às de alguns outros países, por que o Brasil tem um processo diferente em curso, em que fatores sociais devem ser incorporados ao projeto econômico. Esta dialética deverá ser mais dinâmica nos próximos anos, em um eventual governo Dilma e, certamente, não é decorrente de uma simples e natural condição da economia mundial, mas um projeto em curso.

Muitos países crescem economicamente, mas com isso agravam a questão da divisão de renda, uma vez que o acréscimo de capital que o desenvolvimento econômico traduz leva a um desenvolvimento tecnológico e de maquinário dos capitalistas, tanto quanto uma maior oferta de produtos que pode gerar aumento de desemprego e redução da capacidade de compra dos salários.


Os olhares do mundo
O tema do desenvolvimento está sendo desafiado por diversas nações, no presente momento histórico, inclusive pelos EUA. Também, não é gratuita a atenção que tem sido levantada no cenário internacional quanto ao certame eleitoral brasileiro. Isto por que, o Brasil, além da China, podem apontar modelos de desenvolvimento nacional, baseado na especificidade de suas condições internas (sociais e econômicas), norteadores para muitos outros países.
No vídeo a seguir Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de economia da Unicamp e atual presidente do Clube Sociedade Esportiva Palmeiras, trata a questão, com rigor marxista, de forma clara e objetiva, traçando um norte de desafios para o avanço da questão do desenvolvimento.
















Esta fala foi proferida na Sede Nacional do PC do B, na última sexta feira, dia 20 de agosto de 2010, em razão do lançamento do livro Desenvolvimento: Idéias para um projeto nacional, organizado por Aloísio Sérgio Barroso e Renildo Souza.

A matéria sobre o evento pode ser encontrada no seguinte endereço: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=135516

JOSÉ DE ABREU CRITICA SERRA E DEFENDE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO


José de Abreu, ator global consagrada, ao contrário do que a juventude imagina, sempre este envolvido com grupos de esquerda no Brasil.
Começou na dramaturgia no Teatro da Universidade Católica (Tuca), em São Paulo, com a peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto e Chico Buarque, em 1967. Ao mesmo tempo cursava Direito na PUC paulista.
Depois de um tempo, no período do Regime Militar, Abreu foi preso em um Congresso da UNE. Ademais, tal como outros personagens, com a própria candidata petista Dilma Roussef, apoio os processos de luta direta contra o regime militar, posto que pertenceu à Ação Popular e deu "apoio logístico" à VAR-Palmares, Vanguarda Armada Revolucionária, um grupo de esquerda que combatia com ações armadas o regime militar.
No último sábado, 21 de agosto de 2010, no I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, fez uma declaração contundente contra o candidato do PSDB, José Serra (que recentemente, afirmou (blefou, melhor dizendo) que a militância de blogueiros pro-Dilma, seria caracterizada por blogueiros "sujos" , supostos blogs não identificados por ele, que seriam pagos pelo governo federal para "patrulhar" jornalistas - na verdade Serra não gosta de crítica a imprensa hegemônica) e em apoio a candidata petista.

Veja o vídeo a seguir:

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

TRÊS PONTOS PARA ENTENDER A EDUCAÇÃO PÚBLICA

Muito se critica sobre o aproveitamento do ensino nas escolas públicas de São Paulo, dois eixos podem ser observados, (1) no campo da didática e (2) no campo da política educacional e pedagógica. Este segundo eixo é detalhado de forma técnica e clara por Mario Sérgio Cortella.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A RETÓRICA DA IMAGEM NO PRIMEIRO PROGRAMA ELEITORAL DE 2010


Para não ficar falando o mais do mesmo, quanto a retórica das imagens apresentadas no horário eleitoral, podemos comparar os programas dos presidenciáveis e apontar as seguintes distinções:

O primeiro programa de Serra
Serra, apesar do que apontou a Folhaonline tratou de sua biografia juntamente com referências esparsas de atuação como ministro da saúde, prefeito e governador.
A construção da narrativa no programa de Serra buscou evidenciar um tom (inconsciente) de homem simples do povo. Por isso o texto e as imagens foram extremamente mescladas, e então, um problema de linguagem e recepção ficou: que mais uma vez Serra não transpareceu simpatia, por que buscou referenciar esta característica num discurso difuso que tentou imitar a característica (desestruturada e mesclada em referências) da oralidade popular.

No seu programa, reitera-se no discurso a sua condição de suposto homem simples ou de origem simples, tanto que isto transparece de uma forma constrangedora em seu jingle, que diz "quando o Lula da Silva sair é o Zé que eu quero lá”. No desenrolar do seu primeiro vídeo, já se tinha a impressão de que o programa queria falar muitas coisas em pouco tempo e em razão deste “ruído”, acabava contribuindo com a desatenção do telespectador.

A tentativa de humanização ficou patente, sobretudo naquilo que a reportagem "oficial" da folhaonline buscou evidenciar, a apresentação de grande número de pessoas conversando com Serra. Contundo este recurso retórico da imagem não afastou a defeituosa continuidade e uniformidade do texto audiovisual de Serra.

Serra apostou na sua imagem, na crença do emocionalismo difuso do eleitorado e em realizações própria ligadas a sua imagem de candidato.

O primeiro programa de Dilma
O vídeo de Dilma foi um banho de produção. A linguagem tinha um compasso e combinações que não deixam dúvidas da superioridade de seu programa. De início foi apresentada uma estrada observada pelo olhar em movimento do observador em um veículo (de Dilma), o texto e imagens que se seguiram tiveram como fio condutor a trajetória de Dilma. As primeiras cenas, do carro caminhando em uma ponte (creio que seja a JK de Brasília) e o final demarcam a idéia de continuidade enquanto processo e experiência. Não é só, a música no fundo contribuía para um tom emocional reflexivo.
Após, ainda conservando a emocionalidade, Dilma se apresentou de imediato como a mulher que foi presa na ditadura, que ama a política, que é mãe e que tem além de competência administrativa muita paixão por “mudar” o país. O clima prospectivo percebido nas pesquisas de opinião se fizeram presentes em todo momento referenciados no vídeo da candidata.

A narrativa inicia-se com a estrada e sua origem (pessoal), passa para a questão de seu envolvimento com a luta estudantil (política) e sua prisão (política e pessoal), apresenta em seguida sua saída da prisão e a formação de sua família - a Dilma mãe (pessoal), depois fala de seu empenho em se formar como economista e de seu desempenho nas ações de redemocratização e atuação governamental (pessoal e técnico). Depois disso, finalmente aparece Lula em uma fala que apresentou como equivalentes o sucesso do governo (realidade objetiva <=> políticas públicas) e a capacidade (pessoal) de coordenação (técnicó-política) de Dilma no governo.

Dilma é apresentada numa mescla de referências pessoais, de trajetória militante e como administradora técnica em uma encadeamento que sempre apresenta um desses fatores como equivalente do outro.
A continuidade do vídeo é garantida pela referência de movimento na estrada, o conceito de mudança do país (a todo momento apontada no vídeo) e a relação emocional e técnica da mesma na condução deste processo junto com Lula (referendada pelo discurso).

Se a mídia hegemônica e o PSDB esperavam pela televisão para virar o jogo, até no tratamento do discurso audiovisual começou perdendo.

Veja o primeiro programa de Dilma:




Obs. Marina não tira voto de ninguém com propaganda que mais parece Globo Reporter. Plínio foi monotemático e sua falta de tempo de televisão, talvez, prejudique. Percebe-se um melhor tratamento de vídeo pelo PSTU. Etc...

Obs2. O vídeo do Serra não foi postado por que não se encontra disponibilizado.

FORMAÇÃO E MERCADO - PALHARES (CARTA MAIOR) E A COMUNICAÇÃO NO BRASIL

Joaquim Ernesto Palhares, diretor da Carta Maior, neste vídeo apresenta proposta do setor dos micro e médios empresários de comunicação para o Programa de Governo de Mercadante e Dilma. Numa fala calorosa aponta a ausência de referências na formação dos jovens estudantes de comunicação, a não ser a do mercado hegemonico. E trata da questão dos repasses de verbas de publicidade governamental.






Esta fala foi proferida no Diretório Estadual do PT de SP (05/08/2010).

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

PARA ENTENDER A REFORMA POLÍTICA

A Reforma Política é um tema apontado por muitos como uma necessidade para fazer frente aos diversos processos de estagnação política do país. Se isto é verdade, no entanto, poucos tem uma proposta efetiva para a questão.
Nesta postagem, em três vídeos, podemos assistir as falas do Deputado Federal José Genoino, político que há anos estuda a questão e que apresenta além de um modelo normativo para a reforma, uma forma de encaminhamento legislativo para que a matéria seja encaminhada e votada no Congresso Nacional:










Fala proferida na FUNDAP, no dia 10/08/2010.

COMPARANDO FHC E LULA - VÍDEO DA TV VERMELHO

Para aqueles que tem dúvida e pensam em votar no candidato do PSDB, peço para que se recordem dos anos do governo de FHC e os últimos anos de governo LULA. A questão que deve ser respondida é a seguinte, sua vida era melhor naquela época? E a de seus amigos? As condições de trabalho e constituição de projetos como eram e como se dão agora?
Vejam o vídeo, recordar é viver:

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

QUE PENA !!! STF CONFIRMA "ERRO HISTÓRICO" DA TV DIGITAL


STF confirma "erro histórico" da TV Digital
artigo de Venício A. de Lima, publicado no Observatório da Imprensa:


Poucos dias antes de completar três anos, quase quatorze meses após receber parecer favorável da Procuradoria Geral da República (PGR) e depois de ter entrado na pauta três vezes e não ter sido julgada, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3944 foi finalmente considerada improcedente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 5 de agosto.

Ajuizada pelo PSOL em 21 de agosto de 2007, a ADI 3944 sustentava a inconstitucionalidade de quatro artigos (7º, 8º, 9º e 10º) do Decreto nº 5820, de 29 de junho de 2006. O Decreto 5820/2006 é, na verdade, uma continuação do Decreto nº 4901/2003 e, ambos, instituem e definem as regras de implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital no Brasil (SBTVD).

Basicamente o relator, ministro Ayres Brito, considerou que se trata apenas da mudança da tecnologia analógica para a digital e que não há (a) novas concessões; (b) renovação de concessões por mais 10 anos; (c) favorecimento ao controle das concessões por uns poucos concessionários e (d) ofensa ao direito à informação nem ao princípio da publicidade. Outros seis ministros acompanharam o voto do relator, com uma única discordância: a do ministro Marco Aurélio de Mello.

Liberdade de expressão

Entre as razões apresentadas pela ADI 3944 e acatadas pelo parecer da PGR existe uma que merece especial atenção. Ela se refere à possibilidade de multiprogramação oferecida pelo Decreto 5820/2006 aos atuais concessionários do serviço público de radiodifusão. A multiprogramação favorece a concentração da propriedade. Dito de outra forma, restringe a possibilidade de que mais vozes sejam ouvidas ou, ainda, a universalização da liberdade de expressão individual. Diz a ADI:

"Num canal de 6 megahertz, várias programações podem ser transmitidas simultaneamente, no que se convencionou denominar multiprogramação. Ao ‘consignar’ às emissoras um canal com tamanha capacidade, está-se, paralelamente, impedindo a entrada de outros atores na programação. Ao invés de se ampliarem as possibilidades de ingresso de outros canais, incluindo novas emissoras e permitindo acesso a programações variadas (...) tem-se uma verdadeira outorga de espaço maior às concessionárias que já atuam no mercado. O que provavelmente ocorrerá é o que a norma constitucional visa a impedir: o oligopólio, ou, melhor dizendo, um aprofundamento do oligopólio já existente."

No seu voto o relator responde afirmando:

"Se monopólio ou oligopólio estão a ocorrer nos meios de comunicação brasileiros, tal fato não é de ser debitado ao decreto ora impugnado, é algo preexistente (...) Que a imprensa e o governo se façam dignos da nossa decisão, atuando no campo da proibição da oligopolização e da monopolização. Nós atuamos no campo do ‘dever ser’, no campo do ‘ser’ não atuamos".

Não foi essa a opinião do único voto divergente. Para o ministro Marco Aurélio "toda concentração é perniciosa, daí a Carta da República prever trato de matéria mediante atos seqüenciais com a participação de instituições diversas".

A decisão do STF, todavia, implica em ignorar o "efeito silenciador" de que fala o jurista Owen Fiss e que se aplica perfeitamente à grande mídia brasileira. Conforme a decisão, não compete ao STF julgar se existe monopólio ou oligopólio na mídia brasileira. Essa seria tarefa da própria "imprensa ou do governo" (sic).

Erro histórico

Tomo a liberdade de repetir aqui trechos da conclusão de artigo publicado na edição nº 581 deste Observatório. Dizia, então, que "uma das maneiras de se identificar os interesses em jogo em determinada decisão é verificar como se manifestam sobre ela os principais atores envolvidos ou seus representantes. No caso da adoção pelo Brasil do modelo japonês para a TV digital, não poderia haver clareza maior sobre quem ganhou e quem perdeu ou sobre quais, de fato, foram os interesses atendidos".

Agora, bastaria verificar o que disseram os amicus curiae aceitos para apresentar suas razões contra a ADI 3944 no julgamento do STF.

O que sempre esteve em jogo foi a oportunidade ímpar para se democratizar o mercado brasileiro de televisão. A opção feita pelo Decreto nº 5820 – agora confirmada pela decisão do STF – favorece inquestionavelmente aos atuais concessionários deste serviço público e impede a ampliação do número de concessionários. Contraria, portanto, o princípio da "máxima dispersão da propriedade" (maximum dispersal of ownership), vale dizer, da pluralidade e da diversidade.

Mais do que isso: impede a extensão da liberdade de expressão a um maior número de brasileiros. A liberdade de expressão – pedra angular da estratégia de combate da grande mídia no Brasil – seguirá sendo exercida prioritariamente por aqueles poucos grupos empresariais que equacionam liberdade de expressão com sua liberdade de imprensa.

Às vésperas da assinatura do Decreto 5820/2006, a Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital, que reunia cerca de 40 entidades, divulgou um manifesto que terminava com a afirmação: "O governo estará cometendo um erro histórico, que não poderá ser revertido nas próximas décadas".

Com a decisão do STF o erro histórico está consumado.

AÇÃO NA INTERNET - SÃO PAULO DE VOLTA PARA O FUTURO


#voudemercadante - Quarta, 11 de agosto: SÃO PAULO DE VOLTA PARA O FUTURO com @Mercadante


São Paulo não pode parar, mas esta cada vez mais devagar. Dezesseis anos de PSDB em São Paulo fizeram do Estado mais rico do país um dos mais pobres na Educação. Pagando um dos piores salários para os professores, os tucanos desvirtuaram a avaliação continuada e a transformaram em aprovação automática. Crianças passam de ano sem aprender. São Paulo merece mais do que isso. São Paulo pode mais.


O Senador Mercadante tem dito que um governante deveria ser avaliado pelo sucesso dos alunos de suas escolas públicas. Se isto fosse efetivamente realizado, os governadores do PSDB paulista seriam todos reprovados.


Precisamos trazer São Paulo de volta para o futuro. Precisamos de um Estado que pense em desenvolvimento econômico sem esquecer da sustentabilidade ambiental. Precisamos de um governo que reconheça o talento de nossos artistas e produtores de cultura, que incentive as nossas manifestações mais autênticas e os movimentos culturais que ajudam a construir esta belíssima diversidade cultural. Precisamos de um governo que recupere a TV Cultura, desmontada e desgastada pelos gerentes do tucanato.


Precisamos de segurança com direitos civis. Queremos um governo que considere inaceitável que o crime organizado imponha o terror à nossa população. Que atue para impedir que jovens sejam recrutados pelos olheiros do tráfico. Precisamos trazer para SP a perspectiva que Lula trouxe para o Brasil. Queremos telecentros, cidades digitais e espaços para que nossos jovens ajudem a trazer SP de volta para o futuro.


Como começar esta ação? O primeiro passo é trocar o atual governo. Ele já deu o que tinha que dar. Sua continuidade é o marasmo, a mesmice e um bando de conservadores cansados. Vamos prá frente. Vamos trazer o futuro de volta.


PARTICIPE DA AÇÃO DIGITAL “São Paulo de volta para o futuro com @Mercadante Governador”


Quarta-feira, 11 de agosto: utilize a hashtag #VoudeMercadante


Primeiro horário – 12h às 14h
Segundo horário – 17h às 19h

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

UMA GUERRA SILENCIOSA - UM DEBATE DE TELEVISÃO


Três pontos no ibope, feito a internet (na cobertura política), algo que nem todo mundo vê, mas pode depois influenciar opiniões. Este foi o resultado do debate de ontem a noite, protagonizado pela Rede Bandeirantes.

Confete para si mesmo: hiper-realidade egóica
Durante duas semanas, esta e a anterior, a Rede Bandeirantes produziu encontros para comentar o que seria este debate, enquanto fator de influência do eleitorado.
Tomando como referência debates anteriores, apontavam os debates como determinante da decisão eleitoral. Ora justificavam que o que mais pesava era o momento de enfrentamento de candidatos (cara a cara), ora diziam que fatores comportamentais dos candidatos é que contavam na decisão eleitoral (se for agressivo, perde! - foi o que disse Demétrio Magnoli em uma dessas ocasiões, no programa Canal Livre).

O que os comentaristas propagandistas do evento não contavam era com uma questão básica: “quando dois não querem, não tem conversa”. O debate de ontem provou mais uma vez o poder reduzido do impacto da televisão na decisão eleitoral, neste momento. Ontem, o próprio Noblat, em seu twitter ironizava a questão, indagando minutos antes do debate, se assistiria o mesmo ou a jogo entre São Paulo e Internacional, na Libertadores.
Ninguém viu o debate, a não ser o eleitor mais envolvido com o jogo eleitoral, eleitor este que já decidiu o seu voto. E mais, cá para nós, este fator, não será decisivo para a tomada da decisão eleitoral para a Presidência da República (será um dos fatores, mas outros já pesam mais, e por serem fatores consolidados em longo e médio prazo, tem contribuido para que o eleitorado decida antecipadamente por Dilma, ou melhor, pelo projeto de governo petista).

Os personagens do Debate
Quatro figuras, além do apresentador se fizeram presentes. No plano da oralidade, todos tinham dificuldades de se fazerem entendidos, claramente:
1. O primeiro deles, Plínio de Arruda Sampaio, candidato pelo PSOL, foi irônico e engraçado nas suas colocações (e talvez com o discurso mais fácil de se entender – o que não significa que dispunha de um discurso que pudesse gerar convencimento).

Uma das características da fala de Plínio era a da generalização esquerdista de que tudo se resolve por meio de uma radicalização política (o meio ambiente, a condição agrária, o salário mínimo, a economia interna e externa), mas no debate ficou claro que sua postura era a da generalização do socialismo, que na sua fala deixava de ser postura político-científica para se fazer como um slogan retórico.
Sua postura, nesse caso, é digna de crítica, por que parece gerar um desserviço a difusão da proposta socialista. Não é verdade que o genérico socialismo gera melhoria do meio ambiente, que vai melhorar de vez a questão salarial, etc. Nenhum projeto político pode desprezar as especificidades de cada questão a ser encarada: questão salarial, economia interna, segurança, etc, podem até ter liames, mas os seus problemas devem ser enfrentados com especificidade e tomando o todo como aspecto relacionado a esta especificidade. Foi assim que Marx criticou os teóricos burgueses da economia política. O que Plínio não efetivou na sua fala.
Falando em generalizações, Plínio se colocou como representante dos movimentos sociais. Bem, quem conhece este universo, sabe bem que ele é muito eclético e difuso. E que Plínio não poderia se colocar desta forma. Na verdade Plínio se apresentou como um revolucionário de direita (ou a serviço dela).

2. Por falar em generalizações, vejamos Marina. No plano do discurso, para manter a tradição do PV, apresentou falas sobre sistematizações, projetos (com cara de novo, mas que nas explicações, nada mais eram do que o denominado Sistema S: Sesi, Senai, Sesc, etc). Contradições entre posturas humanistas moralistas e um suposto arrojo que não apresentava nada diferente do que já se vê praticado pelo governo federal. Plínio mesmo, resolveu a questão acerca da candidata: “o seu problema, é que você não sabe pedir demissão”.
Marina insistiu em defender que defender o meio ambiente é também fazer políticas de expansão social, sem explicar, na prática, como se resolve o problema do desenvolvimento sem gerar desgaste ambiental. Essa questão no plano prático, não é fácil de se resolver. E Marina não se apresentou com propostas claras para fazer esta equalização.

3. Agora falemos de Serra, o candidato tarimbado por diversas campanhas eleitorais não foi mal, mas também não foi bem. A fala de Serra não foi ruim e só tem validade na comparação com a de Dilma.

A candidata petista se mostrou nervosa e gaguejou em grande parte de suas falas. O que não é surpreendente, vez que se tratava do seu primeiro debate.

Serra defendeu uma fala em que não citou o nome de Lula e buscou se apresentar como o mais preparado, e equilibrado. Quase conseguiu ... mas não deu. A razão se deve a dois detalhes: (a)Serra não tem projeto para o país; (b) e tenta sustentar em sua fala uma continuidade que não é a continuidade do projeto de governo petista, e ao mesmo tempo que seria a continuidade de processos governamentais desde Sarney, sendo que o governo Lula seria uma natural continuidade disso tudo. Ufa!!! Confuso, ademais, a maior parte do eleitorado não pensa isso.
Serra estava nervoso, pasmen! Não se espera isto de um político tão experiente. O seu olhar visivelmente cansado e avermelhado traduziam uma figura que tentava ser leve, mas que aparentava apatia e um ar de doença. Essa estranha aparência fez do seu discurso final, uma tentativa de emocionar, e de quase lacrimejar, fracassada (no plano da expressão) pela incapacidade de tirar dos olhos alguma gota.

4. Falando em lacrimejar, vamos a Dilma. Um fato que não pode ser negado é o visível nervosismo da candidata petista. Esse nervosismo estava associado a sua necessidade de aparentar leveza. A tentativa de parecer uma “boa moça” e de não ser agressiva. Por isso gaguejou muito em suas falas. O que não quer dizer que foram falas ruins no seu conteúdo, mas que tinham problemas de clareza.

Dilma por vezes falava de números, mas não explicava claramente a relação destes com o fenômeno que discutia. O eleitor mais interado entendeu, mas um eleitor fora destes padrões estranharia muito. Um ponto foi positivo, Dilma defendeu o projeto petista, o que é salutar. Foi específica na abordagem dos problemas, sem as generalizações apontadas anteriormente. Por vezes específica até demais. No entanto, apesar do seu nervosismo, um fenômeno importante deve ser notado:
A imprensa, hoje, não falou do nervosismo de Dilma! Por que?

Os defensores da candidatura de Plínio, ou o próprio Plínio não titubeariam em afirmar que estaríamos diante de uma imprensa “chapa branca”. Esta análise, aparentemente acertada, tal como o discurso de Plínio, seria superficial diante de um jogo tão sofisticado, que é travado no espaço da cobertura de imprensa.
A imprensa não se referiu ao nervosismo de Dilma, por que o seu nervosismo foi notado, ou poderia ser notado, por parte do eleitorado como um sintoma natural de uma pessoa que estava extremamente pressionada. Se a imprensa atacasse Dilma, desta forma, poderia alimentar uma situação de vitimização da candidata e reforçar o processo, que já sustenta, de claro enviesamento contrário a sua candidatura.

O leitor poderia então indagar:
4.1. O eleitorado não confundiria tanto as coisas!! A resposta para esta questão, principalmente dos analistas que defendem a candidatura de Serra, como Lavareda ou Demétrio Magnoli, é que o inconsciente opera na construção do entendimento do eleitor. E neste caso o risco era muito grande;
4.2. Não se pode afirmar que há enviesamento contra Dilma!! Para responder esta questão, um exemplo é emblemático: ontem após a publicação da entrevista Sensus, em que Dilma foi apontada com vantagem de 10% em relação a Serra, a Folhaonline, deu como chamada a seguinte notícia: Serra continua em primeiro no Sul. Sem comentários ...

Assim, no fim das contas, vamos esperar o horário eleitoral, e os próximos debates. Até lá, Dilma estará mais tarimbada, e se apresentará menos nervosa. Acredito que o debate que poderá produzir algum efeito eleitoral, mas não na maioria do eleitorado, será somente o último, a ser realizado pela Rede Globo. Aguardemos.