terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O ESTADÃO BLEFA – SERRA NÃO É O FAVORITO. ENTENDA AS RAZÕES

Ao PIG restará dizer: Foi sem querer querendo!


Entramos em mais um período de publicações de pesquisas eleitorais. Mais uma vez, os fatores de realidade mediadoras da avaliação política confirmaram o prognóstico que o Adicional Contradicción tem apontado desde o ano passado: Serra estagnado, Dilma subindo, tanto nas indicações de voto estimulado (supostamente consolidados) e espontâneo (que indicam a tendência pela qual o eleitorado tende a fixar-se).

Acerca desses dias de pesquisa alguns elementos devem ser considerados. O Estadão falou e disse, agora é minha vez:


A mídia esconde o jogo

Nos últimos dias duas pesquisas foram realizadas e publicadas, A pesquisa Sensus/Confederação Nacional dos Transportes e a Vox Populi de janeiro de 2010. Esta última encomendada pela Rede Bandeirantes de Televisão era por todos aguardada, mas a rede de televisão demorou dias, mesmo sendo de conhecimento pela internet que a mesma já tinha sido encerrada. Mas então, por que tanta reserva? A resposta estava nos números: a pesquisa revelava que Dilma Roussef (PT) teria avançado 9 pontos percentuais em relação a última pesquisa realizada pela Vox Populi, no mês de dezembro.

A candidata do PT apareceria com 27% das intenções de voto, e José Serra com 34% .

Na pesquisa anterior da Vox Populi, publicada em dezembro, apontava um cenário no qual Serra obteria 39% dos votos contra 18% de Dilma.

Apesar disso a mídia-PIG, pró-Serra tem abusado dos recursos retóricos, tais como os estampados pelo Estadão, quando publicou o resultado desta pesquisa: “Serra é o favorito na corrida presidencial”.



A mídia não convence

Um fator que deve ser observado é que mesmo a mídia dando excessiva prioridade a Serra em suas veiculações e escondendo seus pontos fracos, em franca marcha publicitária, campanha antecipada em uma lógica hipócrita de imparcialidade midiática, o fato é que Serra diminuiu seu percentual de preferência eleitoral nos indicativos de pesquisa.

Se o alto investimento em campanha publicitária via Sabesp e publicidade do Metrô não tem dado resultado, a radicalização da mídia vai repetir o efeito de 2006 de repúdio do eleitorado em relação ao estímulo midiático.

A questão que está por trás disso não é o quanto o sujeito que assiste televisão pode ser “convencido” por ela, mas que em relação às questões eleitorais, muitas vezes, fatores de realidade extra-midiáticas pesam mais que os midiáticos, sobretudo quando estes não confirmam a realidade percebida “fora da tela”.

Esse foi o cenário experimentado pelo Brasil em 2005 e 2006; imagine agora que Lula consolidou sua administração e estão em alta fatores de ordem externa, como políticas públicas e melhoria do quadro de empregabilidade, estabilidade econômica e poder de compra salarial. E mais, que a classe média também passa a usufruir desses diferenciais.

Não adianta ser dono da bola se há mais de uma bola à disposição!

Esse fator por vezes é desconsiderado pelo profissional de marketing e mídia, que inundado em seus afazeres percebe que a população recebe suas informações e por vezes faz dela ponto de discussão de temas. Mas o que não percebem, por vezes é que a mídia concorre com o convencimento do mundo (e isso não vale somente para o ambiente de publicidade política). O convencimento político vai além do sintoma de marca muito trabalhado pelo sensacionalismo midiático, que toma como base estruturante do seu discurso privilegiar fatores positivos do objeto a ser vendido.


César Bolaño, importante estudioso de Economia Política da Comunicação, explica tal questão ao tratar do conceito habermasiano de Lebenswelt (reprodução simbólica no espaço da vida). Ele aponta que a Indústria cultural só é capaz de “colonizar” o mundo da vida para o capital e para o Estado quando consegue substituir os mecanismos internos de reprodução simbólica do mundo da vida.

A pesquisa Sensus confirma isso. Acerca dos meios que o eleitor indica como influenciador de sua escolha: opinião própria 55,5%; amigos e familiares 14,2%; propaganda eleitoral 6,3%; os meios de comunicação: televisão 13,8% (já foi maior o seu poder de influência: 24% em jul. 98); jornais 3,9% (outrora 10% em jul. de 1998).


O problema é que os meios de comunicação no Brasil torcem para um time e a maior parte da população brasileira torce para outro.

Não adianta a mídia tentar esconder os alagões por todo o estado e o caos do transporte suburbano na capital paulista (ônibus e trens). As pessoas nas ruas têm comentado o que tem sentido na pele.

E também não adianta tentar explicar que não tem responsabilidade. Aliás, ontem, o Canal Livre, claramente direcionado a livrar a barra do Serra acerca dos alagões, não deu conta disso.

Quem não desiste também é o governador Serra, segundo informou o blog do Zé: José Serra quer passar a imagem de tocador de obras. Já inaugurou obra inexistente (linha de metrô que não foi sequer licitada); obra que só fica pronta daqui a um ano (piscinão entre Osasco e SP); e agora quer inaugurar obra inacabada - entregar o rodoanel antes de abril, mesmo que não esteja pronto. Já o prefeito Gilberto Kassab (DEM-PSDB) telefonou ao presidente Lula pedindo que o PT não explore enchentes esse ano.

Essa conduta é indicativo forte de que o fator políticas públicas está pesando para a decisão eleitoral.



E a pesquisa Sensus?

Essa vem confirmar elementos que também o Adicional Contradición tem apontado em análises do comportamento eleitoral e que destoam do que tem dito os meios de comunicação em geral: Estado, Folha e analistas “oficiais” de institutos como Montenegro em relação ao IBOPE:

1. De imediato a pesquisa claramente indica um cenário prospectivo otimista, ou seja, as pessoas tem a percepção de continuidade e que é possível esperar melhoras na sua condição de vida em virtude de um processo contínuo de políticas públicas. No pano de fundo, mesmo que no inconsciente da maioria, está a percepção de que as coisas demoram para se sedimentar, mas que o governo Lula permite esperar melhoras.



O governo Lula pode ser o governo do PT?

1.1. Os estudos tem demonstrado um aumento substancial da preferência partidária em relação ao PT e a estagnação dos demais partidos.

1.2. Outro fator que confirma este prognóstico é que, ao contrário dos analistas da imprensa oficial, Lula e seu governo tem demonstrado clara capacidade de transferência de voto. É importante salientar que especialistas como Lavareda, mesmo tendo trabalhado tradicionalmente com o PSDB e DEM, indica em seu último livro “Emoções Ocultas e estratégias eleitorais”, que o convencimento eleitoral nem sempre pode ser modulado por uma estratégia midiática e deve considerar fatores subjetivos e da realidade social.

Portanto, parece claro que o cenário é amplamente favorável a uma percepção positiva do candidato de Lula e sua aceitação pela maioria. Observa-se, na pesquisa Sensus, a confirmação deste indicativo no denominado índice de avaliação (54,86) e índice de expectativa (74,10). Ambos, altamente positivos, indicam que os fatores: emprego, renda mensal, saúde, educação e segurança pública gozam de uma avaliação positiva segundo a percepção do brasileiro. Os fatores saúde e segurança pública são os de menor avaliação positiva, no entanto mesmo eles gozam de alto índice de expectativa positiva. O que confirma um cenário prospectivo positivo em virtude da condução de Lula e do governo petista (a aprovação de Lula supera o índice de 80% do eleitorado).



Mas se é assim por que Dilma ainda não virou?

2. Por que Dilma não conta com a mídia para fazê-la conhecida; e tampouco para passar uma imagem positiva dela. Mas ainda assim, não tendo sido ativado o fator de sua imagem, conseguiu empatar tecnicamente com Serra logo no início do ano.

Parece certo que quando as pessoas conhecerem a história de vida de Dilma e seu papel no governo Lula, sendo alguns desses elementos contados pela pessoa de Lula, então o fator de sedimentação da candidata do PT fará com que ela consolide sua virada; embora não seja ainda possível apresentá-la como candidata, posto que isto caracterizaria campanha antecipada.



Dando uma de Eliane

Imitando um pouquinho o Fernando Rodrigues, o Josias de Souza e a Eliane Cantanhede, que estão sempre a aconselhar o candidato tucano, seja para escolher melhor as palavras, seja no nó de sua gravata, aí vai uma pequenina dica para aqueles que querem contribuir positivamente com a campanha de Dilma: é interessante que nos meses de janeiro, fevereiro e março a internet seja inundada com o histórico da candidata petista. Contar sobre sua estória política e sua vida particular, família, local de nascimento, onde fez sua vida, como passou a ter a confiança de Lula.

Porém é importante pensar que a maior parte do eleitorado não é leitora de blogs e sítios políticos na internet e por isso o boca a boca deve começar. Começar entre os seus simpatizantes e não entre aqueles que indicam alguma indisposição psicológica, ainda que não entendam bem a causa. Começar contando entre os simpatizantes que não a conhecem, pois estes farão o embate com os resistentes de forma mais natural que militantes e eleitores orgânicos.

A virada, em verdade, está ocorrendo processualmente. A demorada pesquisa Vox Populi indica a mesma diferença de 5% percentuais que a pesquisa Sensus, mas com um detalhe: na pesquisa do mês anterior, a diferença entre Serra era de 21%!



E o que podemos esperar nas próximas pesquisas?

Uma maior definição do eleitorado. Tanto mais baterem em Dilma e em Lula (mais ativarão o eleitorado favorável a votar no candidato do PT), por isso a mídia está tentando atacar pelas beiradas. E deixam o discurso violento para a imprensa escrita que é lida por uma parte pequena do eleitorado.

A pesquisa Sensus indica que 53,1% do eleitorado ainda não decidiu. E indica também que:

1. Dilma é a primeira colocada no voto espontâneo – 9,5% (que indica a tendência da decisão do eleitorado) – ou melhor: é a segunda, pois perde para Lula (18,7%) que não é candidato. Marina, Ciro e Aécio não indicam tendência de crescimento;

2. O cenário como vimos é prospectivo e otimista em relação à condução do governo petista; para a maior parte do eleitorado, as coisas vão melhorar;

3. A diferença entre Serra e Dilma é de menos de 5%, na pesquisa anterior substancialmente maior;

4. Os índices de rejeição de Dilma já são menores do que os de Serra e os demais candidatos. Significa que quanto mais ela está sendo conhecida, melhor tem sido sua aceitação;

5. Dilma é a mais desconhecida entre os candidatos, só perde para Marina (ainda tem muito para crescer, ops, estou falando da Dilma). Serra já é conhecido e corre mais riscos com desgastes sedimentados em longo e médio prazo;

6. Por falar em desgastes de longo prazo, lembremos do fator FHC (Serra, afoga logo o FHC!), agregado à figura do candidato tucano, de seu partido (PSDB), do presidente a quem serviu e da polarização temática do desempenho entre FHC e Lula, que será inevitável. Como conseqüência drástica Serra tende a ser mais rejeitado. Isso aconteceu com Alckmin, no segundo turno de 2006, quando este fator foi trabalhado na campanha eleitoral.

A tendência robusta é do crescimento de Dilma. Isto por que conta com fatores constituídos a longo e médio prazo que ainda não foram expostos para a maior parte do eleitorado. Serra já está trabalhando diretamente com tais fatores, midiática e extra-midiaticamente, tentando fazer transparecer realizações de governo – os quais podem mui bem ser ofuscados por deslizes de gestão que tem, literalmente, emergido das águas da administração tucana em São Paulo.

Um comentário:

  1. Pois é, Luiz.

    As minhas previsões mais pessimistas já foram pro espaço. O crescimento da candidatura Dilma se dá numa velocidade muito maior do que eu esperava. Isso porque eu tenho grande dificuldade para imaginar a campanha petista concretizando seu potencial, antes do horário eleitoral. Agora, creio que a Dilma se mantém com um pouco menos de 30% nos próximos meses (acho até possível que a próxima pesquisa Ibope dê 1 ou 2 pontos a menos que a Vox Populi e a Sensus). Acredito que a Dilma só alcança e supera o Serra quando a campanha começar. De qualquer forma, sempre acreditei na vitória da Dilma, até mesmo no primeiro turno (especialmente se o Ciro não disputar). Mas, de que valem as previsões? O importante é que, mais cedo ou mais tarde, a maioria dos brasileiros vai entender a necessidade da continuidade deste Governo.

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