sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MARINA NA TV - UM PROGRAMA PARA SONHAR

Kurozawa e o seu sonhos.


Ontem, Marina Silva foi ao ar, apresentada pelo PV como sua provável aposta presidencial.
Fernando Rodrigues disse, hoje, em pequena nota acerca do programa, que ainda falta achar o tom.

Respeito a fala do jornalista da UOL, mas vejo nela pouca especificidade, parecendo mais confundir do que explicar. Aliás, tão sugestiva quanto o que o PV apresentou na televisão.

O programa de Marina foi uma carta de apresentação à população. Em suma, mostrou sua história e sua vinculação recente ao PV.

Ao falar de sua tragetória, o programa construiu uma narrativa em que Marina foi apresentada como alguém de origem simples (tal com Lula) mas que teria se escolarizado e portanto, vencido! Alcançando ao fim, prestígio e reconhecimento internacional. Seria portanto, uma pessoa tal como Lula, mas com algum ingrediente a mais.

Mas em seu programa não confrontou Lula. Enviesou para o tema da educação, afirmando que faltava ao Brasil desenvolver qualitativamente este setor, para dar um salto de desenvolvimento. Sua figura, da forma como foi apresentada, ajudou a afirmar isso como meta.


Marcas do discurso

Abaixo, destaca-se o que parece mais importante como marca do discurso e suas intenções:
a) Marina foi apresentada, por que o público em geral não conhece sua vida, sendo que esta possui traços que talvez possam chamar atenção do eleitorado, e fazê-la subir nas intensões de voto em pesquisas futuras (desde que este eleitorado seja estimulado pelo fator imagem do candidato e não por outros como políticas públicas). Dilma deveria fazer o mesmo e apresentar sua tragetória de vida, para humanizar sua figura e para fazer liame com a gestão do governo Lula e sobretudo, para explicar, a confiança preferencial de Lula a sua pessoa;

b) Marina foi apresentada como uma figura que defende algo que é inerente a sua plataforma. Parece ser também esta a aposta de Serra ao explorar a temática da saúde. Mas quando Serra se posiciona como bom gestor, então estará em campo minado, e as críticas eclodirão;

c) A candidata verde aposta neste momento da campanha na subida de seus indicativos eleitorais. Tem que ultrapassar Ciro, que estagnou. Isso implicará em apoio político e financeiro, necessários para a decolagem de sua campanha.

d) Essa aposta de Marina foca, agora, o tema da educação para que ela seja percebida como a candidata com sensibilidade social (tal como Lula), mas que foi além no plano da educação formal. No entanto, não explica como faria isso. Ao contrário, apenas apela para um tom de esperança, e afirma ter um novo modelo (coisas do discurso do PV, já presentes na última campanha de Gabeira).

O fato é que o programa de Marina apostou, num tom simbólico: da sua pessoa, dos seus temas (não deu especificidade, não explicou o faria), do futuro (por que as pesquisas indicam um cenário prospectivo otimista), e da idéia de um modelo de gestão (que deve ser apresentado futuramente). Mas uma coisa é certa, e os verdes já provaram isso em outras campanhas, quando eles apresentam seu plano de governo, são exageradamente generalistas, com uma fala que pauta mais, os esquemas sistêmicos e menos, as ações específicas. Isso faz do seu discurso mais uma plataforma simbólica de idéias do que um projeto de governo efetivo e imediato.
Eduardo Paes apostou detectou isso na campanha de Gabeira e virou no segundo turno carioca.

A consequência dessa postura é que somente a parte da população menos interessada em alguma política pública efetiva (o contrário disso são os mais pobres, ou os submetidos a um estado de crise - cidade violenta, por exemplo), ou ainda, aquela que ainda sofre com a questão da generalização negativa dos partidos politicos (que declara as falas: são todos corruptos, ou são sempre os mesmos!) pode embarcar numa onda de Marina, estimulados por uma fala como esta.

Como o programa dela mesmo disse, para entender o Brasil que ela propõe, mais do que o concreto, é preciso imaginar. Marina termina seu programa com a palavra de ordem: Imagine!


A política como um sopro palatável. Símbolo abstrato, do onírico, do profundo, do agradável. Soft.
O programa de Marina.



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