quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA - A BRUTAL DIFERENÇA ENTRE A POLÍTICA ECONÔMICA DE LULA E DE FHC





Um dos processos que é ponto central de crítica e afirmação de uma injusta diferenciação entre o governo Lula e o governo FHC diz respeito a sua política econômica e fiscal.

Esse ponto é um dos considerados com maior peso pelos críticos mais bem preparados do conservadorismo, em especial pelo tucanato.

O Modelo Econômico de FHC

O Plano Real, nesse contexto, torna-se personagem. Mas não significa que a política econômica efetivada por FHC de “remonetização” que sedimentou um caminho de construção de uma nova moeda seja a mesma que a de Lula. A política do Real tucana cujo lastro e resistência foi encontrado em:

a) fontes de recurso financeiro materializados por processos de privatização da máquina pública (mas o dinheiro não durou muito tempo, por que o sistema econômico de FHC não era sustentável, ao contrário da condução ofertada por Lula);

b) abertura de mecanismos de atração do capital estrangeiro especulativo através: do aumento descontrolado dos juros no país (o que agora, de forma gradativa tem sido reduzido através da política econômica do governo Lula – mas que não pode ser revertido de uma única vez, segundo o entendimento do governo, senão permite-se uma fuga de capital consolidado em vários negócios nacionais, o que levaria a uma quebra de credibilidade e do montante de investimento externo alojado o país);

Por conseqüência disso, o modelo econômico de FHC ficava sempre refém das mudanças do mercado internacional, que ora deixava de investir em um dado setor e país e passava a locar seus recursos em outro local. O reflexo disso era que qualquer crise do investimento internacional em outros países provocava crises na economia nacional: México, Ásia, Rússia, o que levou ao fracasso do modelo cambial em 1999, e os fins das viagens ao exterior da classe média, confortada com luxos momentâneos (devemos buscar um conforto de longo prazo, este requer mais trabalho e diálogo como outros interessados – diálogo com diferentes classes sociais).

Fatores internos e externos

No período de FHC e um pouquinho antes, o capital internacional estava de olho no Brasil, denominado já naquele período como a bola da vez. Não era só o Brasil, mas também, China, Rússia e a Índia (hoje o conceito de BRICs veio a se consolidar). O plano Real apresentou uma explosão de consumo em seus meses iniciais, o que levou a projeções muito otimistas do crescimento da produção, naquela época.

O capital internacional buscava consolidar sua expansão com a virada tecnológica protagonizada pelas novas tecnologias de comunicação em convergência. A aposta na criação de novos setores de produção e nova demanda estimulou a tendência de expansão de investimentos que nos países do primeiro mundo já haviam se sedimentado.

Essa combinação de fatores favoráveis do ambiente externo (interesse do capital externo) e de fatores internos (estimulação do consumo interno) fez do projeto dos tucanos, de início um indiciário de crescimento econômico sustentável para o país. Mas ai pesou a visão de classe do tucanato.

Diferentemente do Brasil de FHC, a China aproveitou-se, também, do momento com uma visão diferente do grupo elitista que ingressou no Planalto com uma postura de aproveitamento de ganho particular, associada a um conservadorismo do sistema de domínio de elites, por meio da conservação de formas sociais.

Ou seja, a China preocupou-se em criar um mercado de consumo de demandas a partir de uma produção interna e atraente para o investimento externo (no caso Chinês, não só de investimento de capital, mas de maquinaria e de produção – sob a supervisão e controle do Estado, tanto na produção quanto na distribuição de recursos para a população). Resultado, o crescimento incomparável do país, durante mais de uma década.

O modelo econômico de Lula

Os tucanos não fizeram a mesma escolha, se submeteram ao flerte dos grandes capitalistas internacionais e focaram em desenvolver condições para atrair recursos internacionais, sobretudo de investimento financeiro, mas, não procuram dar bases sociais de apoio a população brasileira, sobretudo os mais carentes, nem sedimentar formas de produção próprias, dentro do território nacional para criar produção com capital agregado, e sim, se importaram somente em exportar produtos montados (sob um padrão industrial de empresas internacionais) ou commodities.

Essa é a diferença entre o modelo econômico de Lula e FHC. A política econômica do governo petista não se focou em reproduzir a velha máxima liberal de que a história teria acabado e que o crescimento dos países de primeiro mundo, em uma sociedade de capital em fluxo acelerado, garantiria naturalmente o crescimento dos países em desenvolvimento. Isso se provou uma grande falácia, sobretudo, quando verificamos o contexto da atual crise econômica internacional e notamos que os países que se preocuparam em criar condições de circulação econômica de recursos e produção interna (como a China e em menor escala – por que começou com Lula – o Brasil) apesar de terem sofrido prejuízos com o decréscimo do investimento do capital externo que circulava e estimulava diferentes países (sobretudo, o capital de alto risco ou eminentemente financista ou especulativo) conseguiram manter em pé, sua economia interna (comércio, manufatura, agricultura e indústria para o mercado interno) e também mantiveram parte do recurso de investimento internacional já que sua economia tinha como foco o mercado interno. Foi assim que mesmo as montadoras de automóveis e o mercado imobiliário (que no âmbito internacional quebraram) no caso brasileiro se manteve (por que o efeito especulativo não era mais a base de financiamento do setor no caso do Brasil).

O governo Lula não prostituiu o Brasil, não submeteu suas reservas de recursos e o destino da economia interna, pelo flerte dos países do norte que batiam palmas para discursos de FHC em grandes cortes e espaços fechados de auditório, mas que nunca garantiriam a ele o papel de interventor efetivo do cenário político-econômico internacional.

Lula consegue hoje se afirmar como personagem global por que apresenta um país em condições para tanto, que não se curva às forças de pressão políticas e econômicas internacionais que sempre submeteram os países de terceiro mundo. Agora é bajulado, mas por sua performance enquanto gestor e ator político internacional, e não por atributos próprios dentro de uma lógica puxa-saquista de bajulação a um presidente e a um grupo político que, na primeira hora, submetia o país às normatividades do interesse exclusivo do investidor internacional.

Hoje, os tucanos não têm discurso. Os resultados que antes eram primários e denominados de política assistencialista está permitindo a transposição de pobres para a classe média e reforço das condições econômicas da classe média. Ainda falta muito a melhorar no âmbito da infra-estrutura de atendimento público, sobretudo, no caso da educação e saúde, mas isso porque nesse âmbito, não é só o governo federal que atua, mas os governos estaduais e municipais. E ai, vê-se situações como a de São Paulo em que o modelo econômico não permite expansão na forma da criação de novos negócios, da expansão das condições econômicas e educacionais dos mais pobres (a escola pública paulista é uma catástrofe e os seus resultados efetivos são de não aprendizado, maquiado por números que não representam ganho de autonomia para sua população). Acorda São Paulo! Não perca o bonde da história.

Os tucanos sempre insistem na velha idéia de que tudo o que foi feito por Lula já existia em seu governo. Balela! Não é por que se come carne em uma casa e em outra também, que o consumo e o aproveitamento deste recurso se dá da mesma maneira. Uma pode comprar o bem uma vez ao mês, de baixa qualidade, outra o contrário. Ademais, o enfrentamento das crises econômicas internacionais indica que agora, quem manda politicamente e economicamente no Brasil é o interesse nacional.


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