sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ANTIJORNALISMO DE DI FRANCO - UM ARTIGO DE PEDRO LEONARDO


Nos últimos dias, no Jornal da Cidade de Bauru, saiu um artigo de Carlos Alberto Di Franco, no estilo PIG, com arrombos moralistas conservadores. Foi então que Pedro Leonardo, o comentarista esportivo sensação do Brasil respondeu a esta investida e teve publicado seu artigo no campo do editorial como contra-ponto ao artigo anterior. Veja a seguir, um texto de cabra macho, de cabra bom:

É no mínimo patético o artigo de Carlos Alberto Di Franco (“Lula - imagem estilhaçada”), em que usa da desinformação para enganar o leitor quanto ao PNDH 3. Entre diversos argumentos mentirosos, o dito ‘jornalista’ diz que Lula e Dilma Rousseff agridem o direito de propriedade, desqualificam o Poder Judiciário e atacam a liberdade dos meios de comunicação. Ao que parece, o ‘jornalista’ não se deu ao trabalho de ler o documento do Plano Nacional de Diretos Humanos, mas deve ter preferido concordar com os editoriais do Estadão, as reportagens manipulativas do Jornal Nacional, a reportagem famosa do Jornal da Band (aquela que só utiliza uma fonte: Ives Gandra) ou aos comentários delirantes de Neumanne Pinto. Uma mistura de desinformação com discurso forjado de setores raivosos adversários do governo Lula (partidos de oposição, grande mídia, classe média).

O PNDH 3 tem caráter propositivo, é um enunciado. Foi publicado por decreto do presidente Lula, mas isso não o torna lei. As propostas precisarão tramitar no Congresso Nacional. Contudo, Di Franco prefere distorcer os fatos, dizendo que Lula impõe “um modelo autoritário”. Não foi Lula que escreveu o Plano. As propostas presentes no PNDH 3 foram discutidas com representantes do governo e sociedade civil na Conferência Nacional de Direitos Humanos, em 2008. Fora isso, este plano atual é uma continuação dos PNDH I e II, elaborados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O próprio Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e formulador do PNDH II no governo FHC, disse que a linguagem dos três programas é muito parecida. No governo FHC também houve Conferências de Direitos Humanos para se definir diretrizes dos Planos.

Di Franco também não informa o leitor que as concessões de rádios e televisões são públicas. Acompanhar a utilização das concessões de rádio e TV e conteúdos que atentam contra os direitos humanos é, por exemplo, o que faz a Campanha pela Ética na TV (“quem financia a baixaria é contra a cidadania”) e que nunca foi usada para “controle da mídia independente e formadora de opinião”. Ações como esta contribuem para criar vínculos entre espectadores e prestadores do serviço público. No entendimento de Di Franco, acompanhar o uso da concessão pública é um atentado à liberdade de imprensa, mas o concessionário público de rádio e TV pode mentir, forjar, deturpar informações sem dar satisfações à sociedade. Tudo pela liberdade de imprensa (das poucas famílias que controlam a comunicação no Brasil).

Apenas para elucidar, o ministro aposentado do STF Sepúlveda Pertence, em recente entrevista ao site Carta Maior, defendeu o PNDH 3 e criticou a ignorância de quem não leu o Plano. Uma ignorância que é fruto das manifestações legítimas contra propostas do plano até a “voz poderosa dos interesses a preservar contra qualquer ameaça de trazê-los à agenda de discussão nacional”. Diz ainda que “o Plano é fiel à Constituição” e “é um esforço admirável de sistematizar propostas no rumo da concretização do programa constitucional de uma sociedade futura - justa, livre e solidária”.

Em seu artigo, Di Franco diz que “a defesa da liberdade passa pela promoção da investigação de qualidade”. Porém, ao dizer que o governo pretende controlar a imprensa, reduzir o papel do Congresso Nacional e desqualificar o Poder Judiciário, o dito “jornalista”, no mínimo, não leu o Plano na íntegra e faltou com a verdade aos leitores do Jornal da Cidade. Não investigou e não prezou pela informação de qualidade. Publicar informação de qualidade e promover uma discussão honesta é o mínimo que a sociedade esperaria de um jornalista, atitudes estas que não encontramos em seu artigo.

Di Franco ainda diz em seu texto que a imagem de Lula estilhaçou-se no Brasil e no exterior. Com certeza, o jornalista está desinformado, pois Lula receberá nesta semana o prêmio de “Estadista Global”, criado pelo Fórum Econômico de Davos. Além disso, Lula foi escolhido como o “Homem do Ano” pelo jornal francês Le Monde e “Personagem ibero-americano de 2009”, pelo jornal espanhol El País. Qual é o arranhão sofrido por Lula? Ou Di Franco quer "arranhar" a imagem de Lula?

O texto de Di Franco nos mostra o que existe de pior no jornalismo. Tendencioso, usa de argumentos inverídicos para confundir o leitor. É o que fazem aqueles movidos pela desinformação, má fé, desonestidade e preguiça intelectual. Ou movidos politicamente. Di Franco, ao atacar Lula e Dilma, ignora todos os preceitos do bom jornalismo que diz defender. Faz parte do jogo golpista e do desprezo aos leitores. Di Franco prefere o jornalismo de ficção.


O autor, Pedro Leonardo, é jornalista formado pela Unesp

3 comentários:

  1. Grato pelos adjetivos. O sr. é bastante gentil. Foi publicado um cometário da Orlene, do CRP, sobre o artigo na edição de hoje do JC:

    http://www.jcnet.com.br/colunas/detalhe_tribuna.php?codigo=175538

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  2. Luizinho

    Saiu, finalmente, o novo Vox Populi.

    Os sacanas da Band adiaram o que puderam para soltar a pesquisa e diminuir o impacto.

    Tem que comentar aí no Blog.

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  3. A BANDalha é um fenômeno: encomendou a pesquisa e deixou de mostrar no seu jornal noturno.

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