sábado, 16 de janeiro de 2010

MILICOS NA SURDINA - PMS INVESTIGANDO MOVIMENTOS SOCIAIS



Militares, sejam de forças policiais ou das armadas agem, também, por meio de uma concepção de inteligência. Mas não é só este grupo que assim age, grupos como o da Federação das Indústrias, ou a própria imprensa dos grandes oligopólios tem práticas internalizadas de manipulação estratégica de cenários e dos envolvidos em uma dada ação coletiva.
Recentemente, colegas ativistas dos direitos humanos fizeram uma reunião no Sindicato dos Jornalistas buscando articular apoio à iniciativa da Secretaria do Plano Nacional de Direitos Humanos, que tem sido em diversos tópicos atacados pelos meios de comunicação de massa. A última foi a iniciativa da Rede Globo em apresentar em intervalos comerciais o combate a um suposto levante a favor da censura (que segundo deixa transparecer seria uma ação protagonizada do Governo Federal, e provavelmente, pasme, pelos movimentos de direitos humanos!); mas os rompantes chiliquentos de Nêumanne Pinto, Boris, dos âncoras do Jornal Nacional (com um pouco mais de etiqueta) e mais explícitos os âncoras do Jornal da Globo.
A seguir exponho o relato de dois incidentes, o do caso da reunião dos amigos de São Paulo e de um incidente ocorrido no Rio.
O caso de São Paulo parece transparecer uma iniciativa de inteligência militar que tem possíveis dois objetos:
1. intimidação das ações organizativas;
2. mapeamento dos envolvidos, dos temas discutidos (se há algum tema que diretamente toque os interesses da PM ou forças armadas).
É natural ver uma reação protagonizada por Nelson Jobim como Ministro da Defesa, em verdade ela demonstra que o suposto jurista, está nas mãos de pressões dos militares e não tem mão forte na coordenação da pasta. Ademais, que não ingressou no espaço ministerial com alguma proposta definida de política, sobretudo, que tivesse como base a transparência das ações de abuso ocorridas no regime militar.
Daí, que é salutar observar certa fragilidade em Jobim, tanto quanto dos militares, que desde Collor foram sucateados orçamentariamente. As polícias militares não.
Observar também, que a noção organizacional e de ação estratégica dos militares está mais vívida do que nunca. Nas últimas conferências regionais e nacionais, sobretudo, na Conferência de Segurança Pública, os milicos orquestraram uma tomada geral de espaço, seja por meio de figuras fiéis ou de aposentados (no espaço de representação civil) seja na tomada dos espaços de representação militar (pelos mais conservadores) e também, pelo número exacerbado de vagas a eles destinadas.
Ademais, os milicos fizeram bem a articulação de muitos temas, e obtiveram o apoio de representantes da sociedade civil para seus intentos. Ok, melhor isso na Democracia, mas concordo com o relato de Lúcia de que tais fatos devem ser investigados, mas não somente pela luz do fato em si, mas das posturas desses setores. E então, observá-los como atores que desde longa data, agem de forma organizada e estratégica.


Dia 14 de janeiro, no Sindicato dos Jornalistas (relato publicado na lista de discussão do grupo Pró Conferência de Comunicação de São Paulo).

A direita está alvoroçada e vai continuar tentando nos intimidar. O recuo do Lula favorece esses sujeitos. Precisamos nos manter coesos na luta pela punição dos torturadores. Todo mundo sabe que tortura é crime de lesa humanidade, é imprescritível. Portanto, os torturadores precisam pagar pelo que fizeram. Os recentes episódios nos dão ideia de que eles realmente estão temerosos e por isso promovem intimidações. Como a Rose já disse, quando os milicos entraram no auditório Vladimir Herzog eu fui pra cima. Na quinta eu não tava cobrindo para a Caros (acabara de chegar de viagem), fui ao ato como militante, mas fiquei indignada de ver os milicos dentro do nosso sindicato. Fui pra cima para querer saber o que faziam ali. Entraram dois soldados bem jovens. Com a insistência minha para saber o que faziam ali, o soldado Ricardo Lima disse que haviam recebido um e-mail solicitando a presença da PM no local. Perguntei quem havia passado esse e-mail. Ele respondeu que o sindicato havia solicitado. "O sindicato solicitou, mandou que ficassemos na portaria. Estamos aqui desde às cinco da tarde, estamos aqui cumprindo ordens para patrulhar o local. Viemos para render os outros colegas, para o jantar. Não estamos aqui de graça, não estamos à toa."
Como eu não acreditei na história contada sobre a presença da força policial e insisti para que ele entrasse em contato com o batalhão para saber quem de fato havia mandado a polícia para ali, ele começou a tentar contato pelo rádio. Como lá em cima não tinha sinal, ele disse se poderiamos descer e eu desci com eles. No saguão, mais dois soldados. O soldado J. Ferreira que comandava os outros militares ficou puto porque o Ricardo Lima tava tentando ligar para o batalhão a pedido meu.
"Até que horas vai isso aqui?, questionou J. Ferreira ao outro militar que havia subido com o soldado Lima.
Como J. Ferrreira se identificou como o superior dos demais soldados passei a questioná-lo pela presença no local. Ele repetiu o que o outro soldado já havia dito. "Mandaram um e-mail solicitando a nossa presença.". Mais uma vez eu disse que essa informação era no mínimo estranha e questionei mais uma vez quem havia solicitado a presença deles. Questionei de quem partira a ordem para que eles viessem. "Mandaram a gente vir aqui dar apoio para vcs. A gente não tem acesso, cumpre ordens." Questionei o fato de eles estarem dentro de um prédio particular e terem entrado no sindicato sem serem convidados. Ele reconheceu que realmente era estranho e que essa era a primeira vez que isso estava acontecendo. Solicitei então que ele entrasse em contato com seu superior para saber quem havia solicitado a presença deles ali e quem havia dado a ordem para que eles estivessem ali. Ele ligou, falou com o tenente, mas a mesma história foi repetida. Solicitei então que o tenente viesse até a rua Rego Freitas para que me dissesse pessoalmente quem havia solicitado a presença da PM. Veio o tenente Aurimar e o aspirante of.PM Flávio.
"É uma determinação para o patrulhamento da área. Eu não questionei a ordem", afirmou Aurimar. Eu solicitei então que ele entrasse em contato com o seu superior para saber quem solicitou a presença deles ali. Ele disse que era impossível saber porque quem poderia responder o meu questionamento havia saído às 19h. Respondi que assim como nos plantões médicos os policiais que assumem o turno recebem as informações do turno anterior para saber o que está rolando. Solicitei portanto, que ele entrasse em contato com o superior de seu turno, porque obviamente essa informação existia. Ele começou a se irritar e disse que não ia gastar os seus créditos (celular). "Não vou gastar meus créditos. Eu como militar não vou falar", respondeu rispidamente. Eu disse que não estava falando para ele ligar do seu celular, mas do seu rádio. Disse que essas informações deveriam estar no computador da PM e que se a corporação não estivesse informatizada, que em algum papel a informação deveria constar. Ele ficou mais bravo ainda. Disse que não ia mais conversar comigo e se dirigiu para o soldado afirmando: "Encerra o talão, vamos recolher". Disse que se eu quisesse mais informações que entrasse em contato com a PM (surreal, para dizer o mínimo).
Pelo que os soldados haviam dito, anteriormente, eles pertencem ao 7º batalhão da PM, localizado na avenida Angélica, na zona oeste.
Como eles haviam ido à tarde no sindicato e foram recebidos pelo diretor André, eles consideraram o André como o responsável pelo evento. Depois conversei com o André que me contou que os recebeu em sua sala no Sindicato e que inclusive deu o seu cartão para o PM que foi até o local. O André negou que o sindicato tenha solicitado a presença da PM. "O sargento veio perguntar se precisava de apoio. Foi na minha sala, dei meu cartão. Não tem e-mail nenhum", afirmou.
O soldado Ricardo Lima tinha ordem para pegar a assinatura. "Para constar no nosso relatório que estivemos aqui." Segundo J. Ferreira as informações que constam nesse relatório, que eles chamam de talão, são: o nome do responsável pelo evento, o número do RG e o horário de início e término. Se tudo transcorrer normalmente colocam no relatório a sigla S/NOV (sem novidade).
Os quatro soldados que estiveram no prédio do Sindicato são: J. Ferreira, Ricardo Lima, Murilo e Vilares. Lima chegou a comentar que alguém no ato havia dito que a PM hoje tinha outra cabeça. Questionei então se eles estavam no corredor ouvindo. Ele negou que estivessem ali ouvindo o que estava sendo dito. "Nós subimos, mas não foi para atrapalhar.'
Bom, acho que basicamente foi isso que rolou
saudações de luta

Lúcia Rodrigues



Mas no Rio também ocorreu ação milica

Estava ocorrendo a exibiçao do documentario de Silvio Tendler sobre CARLOS MARINGHELA e um debate relativo a COMISSAO DA VERDADE (PNDH 3), quando a policia pediu para que o local fosse evacuado sob a ameaça de que havia uma bomba no local. O prédio que tal fato ocorreu foi o teatro ou auditorio da CAIXA ECONOMICA do Rio de Janeiro, à Av Almirante Barroso , NR 25 A direita terrorista continua atuante, sempre que tal noticia circula lembro de Dona LYDIA MONTEIRO, que tive a oportunidade de conhece-la nos anos 70 na OAB, a qual foi assassinada' por uma açao terrorista e até hoje permanece m impunes os autores desse hediondo crime

MARCELO SANTA CRUZ

3 comentários:

  1. não esqueça de falar que quem NOMEOU o Jobim foi o LULLA
    e que ele foi também ministro de FFHH

    petista pelegão e lacaio capitalista!

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  2. Caro Luiz,
    impossível discordar do "Anônimo" acima(ele não tem nome): não há mais dúvidas de que você definitivamente é um petista pelegão e um mero lacaio do capitalismo!! ; - )

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  3. 'Anônimo, você quis dizer autônomo, não é seu burro?'

    Por Silvio Santos, do Hermes & Renato.

    'Não confio na polícia, raça do c******'

    Racionais MC's

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