domingo, 27 de dezembro de 2009

MACHISMO QUE NINGUÉM VÊ, MAS QUE ESTÁ NA CARA – O CASO UNIBAN.


Este artigo encaminhei para publicação ao ABC Mulher, nº 2.





O que leva um ser humano a ser condenado por ter sido violentado?
Certamente, uma condenação antecipada e por motivos ocultos. Essa pergunta cabe ao caso da aluna Geise que no dia 22 de outubro, em São Bernardo, foi hostilizada e ameaçada por usar roupas consideradas curtas dentro da universidade Uniban.
No entanto, o estranho, foi observar que dias depois, a direção da Uniban determinou a expulsão da jovem, buscando “cumprir as regras” e não ser responsabilizada pelos crimes que ocorreram em seu prédio.

Esse caso revela que a violência contra a mulher não acontece somente quando esta é agredida fisicamente. A mulher é socialmente desprivilegiada por sua condição. Geise foi agredida, mas muitas pessoas acabaram considerando que ela foi a culpada por isso. Mas, se é comum o uso de roupas sensuais por outras mulheres, por que neste caso ela foi condenada pela faculdade e por parte de sociedade brasileira?
A resposta a esta questão revela que para homens e mulheres pode ser positivo ver uma mulher vestida de forma provocante, mas que a vontade de uma mulher em se aparentar mais bonita pode ser tomada como algo condenável. A razão disso é de que, no fundo, as formas de afirmação da mulher são vistas com valor inferior comparada às dos homens.
No passado isso já foi mais grave. Ao trabalhar fora ou estudar, a mulher era tratada como ser de segunda classe. Hoje, mesmo concorrendo no mercado de trabalho, em regra ela ganha menos e tem dificuldades em obter promoção. No entanto, o homem que trabalha, ou que tem uma vida sexual desregrada e trai no relacionamento é valorizado. Se Geise fosse homem, não passaria por isso.
Daí que independente de se tomar como correta ou não a exposição que Geise tem se submetido aproveitando-se da “fama”, o seu caso revela que tanto as decisões jurídicas, as ações simbólicas (ser tomada como mulher provocante), ou a violação de direitos, tudo isso é visto, não só no caso dela, com o peso do julgamento social em que a mulher, em geral e na prática, é observada como um ser mais condenável que o homem e que o machismo está escondido nas entrelinhas.

Leia como leitura complementar: http://lcacoman.blogspot.com/2009/11/sobre-destemperos-e-chiliques-tucanos.html
E também:
http://lcacoman.blogspot.com/2009/06/logica-do-ressentimento-e-do-chilique.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário