segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SOBRE DESTEMPEROS E CHILIQUES TUCANOS


O caso Uniban
Semana passada um incidente tomou a cobertura dos meios de comunicação. O caso da menina agredida na UNIBAN (faculdade localizada no ABC), simplesmente por estar vestida com uma roupa de festa. A cobertura do Fantástico acerca deste fato, desesperado pelos baixos índices que tem obtido nas últimas semanas, acabou incluindo uma enquete acerca do tema, perguntando ao telespectador: se a menina agiu corretamente ou não ao ir até a faculdade vestida a “provocar” a selvageria dos agressores! Machismo e inversão dos papéis provocado pela Globo dando enfoque moralista para uma questão que deveria ser vista sob o olhar da proteção da integridade de uma pessoa. Chiliques de quem faz da notícia jornalística um produto a venda.
Esse tipo de cobertura com tons moralistas e radicais tem sido o tônica de meios de comunicação como a Veja, e de jornais como a Folha e o Estado de São Paulo.


Naturalização da violência contra a mulher
Aliás, este tipo de comportamento é o mesmo que levou o Brasil durante anos a fio a permitir o mal tratamento da mulher vítima de violência doméstica, mesmo sendo de fácil percepção que isso se tratava de um crime, vez que o homem se dirigia a mulher e contra sua integridade física, moral e vida. A polícia, e os mecanismos judiciais tinham dúvidas, pasmen, acerca da criminalização do ato de violência contra a mulher no lar!
Pois bem, foi preciso que o Brasil passasse por processo internacional em fases preliminares da Corte Interamericana de Justiça para que a Lei Maria da Penha declarasse o que já deveria ser o óbvio na percepção dos indivíduos, que temos de respeitar a integridade de qualquer ser humano, não interessa se está sob os véus de um relacionamento a dois ou de um casamento. A forma adequada de desconstituição deste é a separação judicial, e sempre foi, muito antes da Lei Maria da Penha.

Pois bem, agora vem a Globo, em razão de rompantes chiliquentos midiáticos, agindo com um moralismo irresponsável. A Record, mais uma vez, fez a cobertura do fato com tons jornalísticos.

Aécio suspeito de crime contra a integridade física
Mas para agravar o quadro de naturalização da violência contra a mulher, o jornalista Juca Kfouri informou em seu Blog, no domingo agora, dia 01 de novembro que Aécio Neves - aquele que utiliza-se de sua imagem de galã e de bom moço, eterno e bom neto de Tancredo Neves - acabou agredindo sua companheira em local público. Segundo Juca, Aécio teria empurrado e dado um tapa em sua acompanhante no domingo passado, em uma festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio.
O constrangimento tomou as diversas testemunhas do ato criminoso.
Juca alerta que é necessário que a imprensa faça a cobertura do fato: “A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos”.
O site Glamurama soltou nota sem citar nomes: http://glamurama.uol.com.br/Materia_nelson-rodrigues-34269.aspx
A assessoria de imprensa de Aécio encaminhou uma nota a imprensa desmentido a informação e considerando caluniosa (o blog do Juca teria recebido tal nota às 15h 18 minutos). Decerto, vai entrar com processo contra Juca (por que só lhe resta este subsídio para esconder este fato). Mas Juca, que é um jornalista de opiniões fortes e muito responsável em sua cobertura, mesmo depois disso não alterou a informação em seu blog.
Da imprensa que Paulo Henrique Amorim tem denominado PIG não devemos esperar boa cobertura desse fato.

Mas apesar disso, apelo: vamos tratar corretamente fatos criminosos como este!

Recomendo como leitura complementar quanto a questão da lógica dos chiliques, pulsão permantente que acomete o comportamento de Serra frente aos movimentos sociais organizados e agora como vemos também de Aécio: http://lcacoman.blogspot.com/2009/06/logica-do-ressentimento-e-do-chilique.html