segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A VITÓRIA DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO GOVERNO LULA – RIO 2016


Este é um texto direcionado para todo o tipo de leitor, desde o ativista político pró-Lula, até ao empresário e investidor.


Discursos olímpicos
Após a declaração da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, a cobertura jornalística nacional mostrou suas intencionalidades e sua visão de mundo. Em geral a cobertura focou em figuras, sobretudo na de Lula, como não poderia deixar de ser, já que o Presidente da República pode ser tomado pela instância do simbólico, e em âmbito internacional. Mas um ponto deve ser salientado, a Rede Globo de televisão, visando suavisar a vitória de governo alcançada por Lula, trouxe outras figuras em sua narrativa e a própria cidade do Rio de Janeiro como personagem.
Buscou, também, ao tratar de Lula, no contexto da escolha, em colocá-lo em situação de confronto com a imagem de Obama, para que no cenário de embate de duas figuras bem quistas, ficasse para o espectador uma dimensão negativa de ambos, ou de cada um deles separadamente.
A Rede Record, diferentemente da Globo, acompanhou a espera de Dilma, junto a amigos, no Brasil, e cobriu o exato momento em que ela a frente do aparelho de televisão viu o anúncio oficial do COI e não estabeleceu conflitos simbólicos entre Obama e Lula. Também, deu destaque aos bastidores do encontro.
É verdade que a fala de Lula e dos outros defensores da candidatura do Rio no momento preliminar da decisão, tanto quanto o vídeo apresentado pelo Comitê Olímpico Brasileiro teve por marca um tom emocional para mobilizar os votantes. Mas é certo que não foi esse o fator único e decisivo da escolha favorável ao Rio.
A própria forma de apresentação pelos defensores na tribuna, fez parte de um projeto de gestão comunicacional que foi além da abordagem publicitária. Este fato é importante para entendermos o contexto político e a maturidade da gestão pública nacional, em tempos de Lula. Momento que vai além do poder simbólico e comovente da figura de nosso presidente. Mas que traduz a sofisticação da maquina pública, e o planejamento e execução integrado de setores pelos quais tem passado o governo brasileiro. Essa postura de planejamento foi o fator primordial da vitória do Rio, além do novo papel que o país começa a desempenhar no cenário internacional.
Para o entendimento disso, vejamos o que Rodrigo Baena disse, no dia 25 de setembro, no XIV Seminário de Comunicação Banco do Brasil (Seminário cujo tema foi "Os novos desafios da comunicação corporativa") que ocorreu no Caesar Business Paulista – São Paulo.

A fala de Baena


Rodrigo Baena é Diretor da Área Internacional da Secretaria de Comunicação da Presidência da República e é o membro da diplomacia nacional que foi nomeado para chefiar este setor da SECOM.
Para Baena, o Brasil passa por um momento diferente da sua história econômica. As empresas nacionais começam pela primeira vez a se internacionalizar, e para além da exportação de produtos primários, sem valor agregado.
Mas essa conjuntura favorável às empresas nacionais se estabelece com base no seguinte quadro:
1.O Brasil tem um mercado interno muito forte;
2.Contudo, tem um baixo índice de exportação;
3.Há no país uma baixa relação entre o PIB e os níveis de exportação, diferentemente, do quadro que se verifica por exemplo na China ou na Alemanha em que esta relação é da ordem de 40%.
Apesar disso há um quadro crescente de investimentos das empresas nacionais no mercado internacional. A política externa com a América do Sul, iniciada no governo de FHC, tomou proporções consistentes com Lula. Se no geral, o Brasil é grande exportador de comodites, na Argentina, por exemplo, a exportação é de bens com valor agregado.
Mas, ainda assim, a exportação no Brasil é irrisória comparado ao montante total do PIB nacional.
Nesse contexto de expansão econômica internacional, os principais parceiros do Brasil, são os seguintes: em primeiro lugar a China, seguida dos Estados Unidos e da Argentina.
Contudo, tal expansão internacional depende de uma intervenção estratégica do Brasil no cenário internacional. Esse ponto é o que diferencia a inteligência governamental em tempos de Lula dos governos anteriores.


Gestão comunicacional em tempos de Lula
O que muitos setores empresariais ainda não perceberam como recurso estratégico de intervenção num cenário competitivo, o governo Lula já implementou dentro da administração pública federal.
Observar os múltipos cenários de relação e interesses internacionais é fundamental. Além disso, há diversos desafios para o sucesso de um projeto no âmbito internacional (e a disputa pela sede das Olimpíadas deve ser vista dentro deste contexto de planejamento e adversidades) que devem ser destacados:
1.estabelecer identificação entre bens e serviços com os países de investimento, para evitar confrontos culturais e legais;
2.deve-se ter sensibilidade para entender as diferenças entre os diversos mercados ou agentes internacionais como no caso específico dos diferentes Comitês Olímpicos espalhados pelo mundo;
3.deve-se identificar os valores entre as empresas ou dos agentes em concorrência (no caso do COB) e a cultura local do país em que se pretente estabelecer vínculos internacionais de cormécio e de cooperação.
Até tempos atrás, o Itamarati era o único braço das relações e ações internacionais. Em tempos de Lula a visão é outra, percebe-se a necessidade de se criar setores especializados em secretarias específicas para o aprimoramento da inteligência de negócios e de relacões internacionais do Estado brasileiro.
Baena explica que a área internacional da SECOM foi criada em janeiro deste ano. Mas já era uma das ações da mesma agir no exterior. Ademais, destaca que no cenário internacional o Brasil encontra-se, como tem noticiado os telejornais, em crescente afirmação e prestígio. Mas isso não é um resultado de uma trabalho meramente publicitário e também não é somente um resultado das condições econômicas pelas quais o país passa. O Brasil, no cenário internacional tem concorrentes, daí que não basta ter o peixe, tem que saber vendê-lo e é isso que o governo Lula tem feito de diferente em relação aos governos anteriores, e é por isso, também, que o Brasil tem alcançado (na visão dos estrangeiros) patamares diferenciados.
O trabalho que tem sido desenvolvido e pode ser ampliado, segundo a visão do governo de Lula, é o de disputar a agenda internacional.


Ações específicas de gestão comunicacional em tempos de Lula
Um interessante trabalho tem sido desenvolvido pela SECOM e nos dá idéia de algumas ferramentas de planejamento estratégico que tem sido incorporadas à administração pública. Vejamos algumas formas de atuação:
1.Atuação 1 – análise editorial: a SECOM em sete meses de análise de diversos meios de cobertura jornalística e especializada no âmbito internacional, acerca do Brasil, percebeu o seguinte: 1.1. que no plano econômico o Brasil tem sido observado como lugar em que os fundamentos econômicos estão em mudança; 1.2. a questão social já não transmite preocupação maior no público externo; 1.3. a grande mensagem negativa estaria associada ainda a questão ambiental. Daí que se entende os esforços do governo e do próprio presidente Lula em apresentar-se de forma transparente e apontar ações políticas efetivas no que diz respeito a uma política ambiental.
2.Atuação 2 – Fund trips: o governo do Brasil, em coordenação com empresas privadas e outros órgãos (dependendo da ação que se planeja) leva formadores de opinião para o exterior para estabelecer vínculos e visitas em que o cenário nacional é apresentado de forma diferenciada e consistente (Essa ação ocorreu no caso da candidatura olímpica do Rio). Também ocorrem convites aos jornalistas que cobrem o Brasil a serviço das diferentes empresas jornalísticas e agências de notícias internacionais para conhecer melhor diferentes regiões e projetos no território nacional, retirando estes do núcleo duro: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília.
3.Atuação 3 – Realização de seminários internacionais: O governo brasileiro tem programado diferentes seminários nos países em que pretende estabelecer abertura e aprofundamento de vínculos comerciais e de cooperção internacional. O Seminário do Wall Street Journal, que ocorreu no começo deste ano nos EUA, foi um exemplo disso. Nele aliás, Lula afirmou a necessidade dos americanos estabelecerem um modelo de investimentos nos países mais pobres para que se crie condições de relacionamento sustentável e transparente no âmbito internacional e não se insista no velho modelo de submissão política. Baena destaca que outros seminários serão desenvolvidos, no final do ano, com o Valor Econômico e com o Financial Times.

O governo Lula – visão e ação. O governo Dilma - continuidade e avanço.
Um dos trunfos do governo Lula foi o da constituição de uma política sólida de estabilização econômica associada a um equilíbrio entre capital e trabalho que os outros governos não conseguiram firmar. Assim, fica claro que Lula representa um governo de políticas consistentes e sólidas que só obtém resultados em razão de um planejamento e ações articuladas e executadas em coordenção com diferentes órgãos e agentes internos (de governo ou nacionais) e externos e com inteligência sofisticada. O símbolo, e mais do que isto, a chefia desta concepção e atividades de governo são respondidas por uma pessoa: Dilma Roussef. É por isso que Lula a indicou como sucessora de seu mandato. O Brasil passa por um momento de superação de sua condição de país subalterno. Lula percebendo isso, deixou de lado figuras com maior apelo político e lançou Dilma.
Portanto, deve-se considerar que o Brasil está diante de uma profunda escolha acerca de seu futuro. De um lado encontra-se um tipo de visão elitista e por vezes preconceituosa, em que não se concebe o avanço de políticas públicas sociais com o desenvolvimento econômico (leia-se Serra). Não é por acaso que agentes aliados do tucano (como Paulo Skaf e Gabriel Chalita) estão deixando o PSDB diante da postura dura e personalista do governador de São Paulo.
Do outro lado, a possibilidade de continuar uma visão - inteligência – e ação de governo que os investidores e governos em todo o mundo tem percebido como novo padrão comportamental do Brasil: o governo Dilma. A fase agora é da implementação coordenada da iniciativa privada nacional e internacional, da valorização da mão de obra brasileira, do estabelecimento de vínculos de parceria com agentes internacionais e também entre os setores públicos e o privados. Fase do aprimoramento dos bens e serviços nacionais para neles agregar valor e aprofundar o crescimento econômico nacional. Fase de implementação de um processo econômico e ecológico sustentável para o Brasil.

Um comentário:

  1. Bela análise, Luiz. O teu texto desvenda as estratégias inteligentes e competentes do Governo Lula no âmbito internacional, coisa que não vemos na grande mídia.

    O governo está em boas mãos, ainda bem..

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