quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O PRIMEIRO PROGRAMA ELEITORAL DE SERRA - A ENTREVISTA DE JÔ SOARES NA MADRUGADA



“Tem que ir até o final. Se quiser vencer!”
Paulo Ricardo



José Serra, provavelmente, não terá chances de vencer Dilma. E o cenário de ataques ao governo federal deve piorar.
Alguma coisa está acontecendo nos bastidores tucanos. Por vezes quando o sujeito está em situação de risco, de extrema fragilidade é que demonstra maior força e reação, esta aliás é a lógica do chilique.
A evidência de que José Serra, provavelmente, não terá chances de vencer Dilma está tomando forma concreta de aparência. E o cenário de ataques ao governo federal deve piorar.



Amigos são para estas coisas, mesmo...
Na noite do dia 04 de agosto, José Serra foi entrevistado por Jô Soares. Normalmente, para grandes figuras, que tem muito a dizer, o programa resguarda dois de três blocos para o entrevistado, no caso de Serra foram três. Um programa para Serra, em verdade.
O teor da mesma, contudo, surpreende pelo tom de propaganda eleitoral disfarçada.
O programa buscou suavizar a figura e os feitos negativos de Serra, tanto quanto valorizar aspectos positivos de seu governo.
O tema mais reportado foi o da lei anti-fumo implementada pelo tucano. Para a defesa da lei, Serra contou com o depoimento gravado do Dráuzio Varella, que falou dos males do cigarro e mostrou-se favorável a medida. Jô Soares deixou escapar, que a gravação do depoimento foi feita às pressas, sinal de que a entrevista não estava agendada e que os motivos para que a mesma se desse tivesse sido a necessidade de defender um candidato que não decola e que começa a ser criticado e desacreditado dentro de seu próprio grupo de apoiadores.
O interessante é que esse tema foi utilizado para que Serra se mostrasse um homem suave, não agressivo e flexível. O ponto alto da estimulação desse fator, foi quando ao ser criticada a lei, por um entrevistado filmado sentado na mesa no lado de fora de um bar na calçada, ter José Serra apontado que naquela condição não seria proibida, ao contrário do que tem sido apontado na interpretação da lei pelos juristas que já fizeram leitura da mesma.
Serra tem de parecer mais leve. As elites, mesmo paulistanas estão temendo seu comportamento agressivo. A forma marketinizada com que foi implementada a lei (pesquisa de opinião preliminar, implantação da lei e posterior propaganda favorável ao governo) em verdade revelam um chefe de executivo incapaz de dialogar com a esfera pública formada pelos movimentos sociais e pela própria população politicamente não-orgânica, por meio do debate, antes da implementação de uma lei que poderia ser concebida como fruto de uma discussão aberta.
O uso dos spots de Dráuzio Varella, mediando a conversa de Jô Soares com José Serra, em diferentes momentos, também, a abertura de comentários anti-tabagismo e de perguntas estritamente vinculadas ao tema pela platéia deram ares de sustentação a “boa ação” do eterno ministro da saúde Serra.
Os temas de segurança e de educação, pedra no sapato dos governos tucanos paulistas, foram reduzidamente tratados no final do programa. A abordagem foi direcionada. Em um único caso Jô Soares insistiu naquilo que poderia ser vislumbrado como uma crítica ao governo. O apresentador teria dito que os dados de investimento e redução de crimes apontados pelo governador não eram perceptíveis na prática pelo cidadão comum.

Nordestinos
Em um momento da extensa entrevista fora apresentada uma imagem de Dominguinhos dividindo o palco com o tucano e cantando a canção de Luiz Gonzaga: Baião.
Nesse ponto, o tucano disse que era conhecedor dos nordestinos por que viveu junto a muitos deles na sua vida de jovem na Mooca. Aliás, a Mooca é o eterno paraíso simbólico de Serra, mas ele mora no Alto de Pinheiros. Disse também que o rei do baião teria forjado sua carreira de início na paulicéia. Até ai, nada de novo.
De qualquer forma, Jô no afã de elogiar Serra, suavizando sua imagem ao ligar o mesmo à figura de Gonzaga, exagerou ao dizer que o governador sabia a música integralmente; no vídeo vê-se claramente que Serra só canta o primeiro estribilho mais conhecido de todos.
Serra não tem efetiva intimidade com a cultura nordestina. Mas o programa do Jô insistiu na pauta, por que o mesmo está em franca derrocada no nordeste e entre os nordestinos do sudeste em geral muito identificados simbolicamente com Lula e beneficiados diretamente e materialmente por suas políticas públicas. Os ganhos das políticas públicas de Lula, diferentemente das tucanas são percebidas pelo cidadão.

A saideira
Os temas “menos importantes” como educação e segurança foram deixados para o fim. Mas o enfoque das perguntas foi cuidadosamente direcionado.
No final do programa, com o tempo reduzido, Jô Soares então falou de segurança, mas permitiu a defesa do tucano que insistiu em dizer que as medidas de implementação de gestão de inteligência e de uso de tecnologias como câmeras de vigília em locais públicos estariam sendo efetivadas aos poucos e resultariam em benefícios a serem percebidos em longo prazo.
Jô Soares, aliás, tomou às dores e explicou o tucano. Repetiu que, por vezes, o cidadão não percebe a “melhora” num cenário de grande índice de violência, mas isso não significa dizer que não está ocorrendo melhora. Problemas como o baixo salário e más condições de trabalho dos funcionários da segurança pública nem de longe foram abordados.
Quanto à educação, todos os que vivem em São Paulo sabem do baixo índice de aproveitamento escolar na educação pública de primeiro e segundo grau fornecida pelo Estado de São Paulo. Um dos temas de maior descontentamento, a aprovação automática - e que foi uma das bases da vitória de Eduardo Paes (contra o candidato tucano-verde Gabeira) ao defender sua extinção - de forma alguma foi tratada. Nem sequer a redução quase que completa do programa alckmista “Escola da família”. Serra não continua plataformas nem de seu “colega” de partido, quem irá crer que continuará os ganhos implementados pelo governo Lula?
O cenário apresentado por Serra é o de investimento de 30% do orçamento na educação. A própria pergunta do Jô foi direcionada. Já que o problema crônico da má remuneração dos professores e por vezes apontado como principal problema da educação é sentido no Brasil inteiro, o apresentador perguntou acerca dos baixos salários dos professores. O tucano em seguida respondeu que problemas como salário, merenda, prédios, material escolar estavam razoavelmente superados, mas que o problema estaria na melhoria da dinâmica da sala de aula, então, falou da implementação de programas de leitura, de recuperação e da inclusão de estagiários junto a professores nas salas de aula.
O investimento em bolsas de apoio ao pesquisador de ciência pela FAPESP foi apontado como exemplo que rendeu prêmio internacional.
O que Serra não contou é que os programas de recuperação em São Paulo, tem se prestado a atividade de alfabetização de alunos que cursam segunda, terceira séries e que continuam a escolaridade formal sem conhecimento efetivo e competente qualquer.

Lugar de vampiro é na madrugada
Para suavizar sua imagem de vampiro, ao fim, Jô Soares brincou que nem sempre quem acorda cedo é quem trabalha. Serra dorme durante o dia e trabalha na madrugada. Nada demais se não fosse o reforço irônico que esse fator dá a imagem de vampiro que sua fisiologia recorda, segundo os humoristas de plantão.
Esse fato foi gancho para outra propaganda; Serra usa o twitter para trabalhar e por isso posta na madrugada.
Ironicamente, o número musical apresentado ao fim do programa foi o de Paulo Ricardo, ex-RPM, cantando o tema de abertura do Big Brother Brasil.


PSDB: Se você pudesse escolher, até onde vai a sua fé ...
Um palpite para tal comportamento da Rede Globo, do parceiro Jô que em pouco tempo produziram o encontro repentino, decerto, muito além da implementação da lei anti-tabagismo, pode ser o de crescimento de Dilma, percebido nas sondagens internas de partido.
Dilma deve ser eleita, em razão de representar um projeto político em que ganhos com políticas públicas são percebidos diretamente pelos mais pobres e pela classe média. Os estudos do comportamento eleitoral indicam que esse tipo de ganho de dimensão econômica, utilitária e educacional, somado ao quadro (de superação-sustentação econômica) de efeito reduzido da crise econômica internacional no país, deverá fazer de Dilma próxima de Serra ou superando seus índices de intenção de voto até o final de ano.
A imprensa ao atacar a má administração da crise econômica por Lula, o que não se confirmou e acabou contribuindo para a consolidação de sua boa avaliação; depois ao agredir a ministra Dilma, quando do início ocorrência de seu tratamento médico, dando a entender que ela não detinha condições de saúde para governar o Brasil; e agora Sarney (o efeito colateral pode ser um maior afastamento do PMDB dos tucanos); corre o risco de acabar efetuando o mesmo efeito ocorrido em 2005 para 2006: o de antecipação do clima eleitoral. Com um detalhe a ser recordado, independente de uma cobertura da imprensa contra o governo, a maioria da população acabou optando por Lula em 2006, imagine agora em que goza de índices de popularidade nunca antes visto na história deste país. A tendência cada vez mais se confirma, quanto mais Dilma tornar-se conhecida, mais crescerá.
Por fim, amanhã tem meninas do Jô. A campanha pró-Serra continua.

2 comentários:

  1. Lugar do Nosferatu é na madrugada... se houver muita luz, ele pode se queimar.

    O PiG já começou a modelar seu candidato.
    Será uma peleja incrível; o Nordeste odeia o vampirão. Minas adora o Lula. A Dilma, assim, começa na frente. Porém, sabemos como as coisas são voláteis.

    Terno abraço

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  2. 1) Perdi essa entrevsita...

    2)Bela análise a sua, como sempre...

    3) Belíssima frase no início do texto...lembra-me Chico, Dorival, talvez até Caetano...hehehe

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