quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vazio político e o cansaço


Um dos termos muito utilizados na internet, é o de PIG - Partido da imprensa golpista. No presente artigo, tratei do movimento cancei de 2007, o que para muitos tratou-se de um movimento composto de pessoas desse núcleo de expressão

RESUMO
Deflagrado no final do mês de julho de 2007, o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, denominado Cansei, liderado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo e com a participação de diversas entidades e personalidades da sociedade civil.
O movimento surge num momento de crise em que política goza de desprestígio e desinteresse popular. Apresenta-se como um movimento de estimulação da cidadania, paradoxalmente, sem demonstrar esforço em esclarecer e debater idéias.
Sendo, contudo, um movimento compilado por meio e a moda dos mídias, o movimento Cansei, mostrou-se até então um fenômeno midiático que não conquistou êxito e popularidade. Analisar o contexto de sua sedimentação, elementos imbricados da política contemporânea e a sua não popularidade e o comportamento de nossas elites é propósito deste trabalho.

Palavras-chave: Mídia, cultura política, marketing político, elites, movimento Cancei.

INTRODUÇÃO
Qual é a razão para que um movimento estruturado numa plataforma estratégica de marketing com ampla extensão no território nacional e com difusão em instrumentos midiáticos de amplo alcance de público, contando com apoio de diversas personalidades midiáticas ou de campos institucionais e da produção publicitária, tenha sido derrotado pelas “circunstâncias” de uma recusa ou mesmo por um certo desdém da sociedade brasileira em relação a suas intenções?
Deflagrado no final do mês de julho de 2007, o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, denominado Cansei, liderado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo e com a participação de diversas entidades e personalidades da sociedade civil, foi criado aproveitando-se de incidente amplamente divulgado pelos mídias, o acidente aéreo ocorrido em 17 de julho de 2007, no qual faleceram mais de cem pessoas.
O movimento surge num momento de crise em que o “espaço da política” goza de desprestígio e desinteresse popular. Apresenta-se como um movimento de estimulação da cidadania, paradoxalmente, sem demonstrar esforço em esclarecer e debater idéias estruturais.
Contudo, parece importante investigar um “desinteressante” movimento organizado como esse, justamente, em virtude de seu caráter “desinteressante”, ou melhor explicando, buscar o entendimento das causas de sua derrocada, dada sua pouca aceitação pela população brasileira, que mais que esboçar uma negação aos estímulos de “sensibilização” da campanha, o que ainda assim teria sido um tipo de reação, acabaram por apresentar, de forma geral, um comportamento de não reação em absoluto, de irrelevância frente aos estímulos do movimento Cancei.
E por que seria importante investigar? A razão justificadora consiste em buscar nesse objeto de análise marcas de comportamento de elites nacionais. Tanto quanto, identificar algumas matrizes limitadoras de produção de sentido de um produto publicitário, que estão vinculadas a formação da identidade do povo brasileiro.

ESFERA PÚBLICA E SUA TRANSFORMAÇÃO
Habermas (1984) fala da configuração em nossas sociedades contemporâneas de uma esfera Pública, isso é a composição de um campo público, formado por elementos privados, que no estabelecimento de relações discursivas racionais compõem um núcleo de referência e influência (ou seja, a opinião pública) social e política frente ao Estado.
Esse conceito: esfera pública tem a pretensão de ser o resultado inferido da observação de diferentes ambientes nacionais, portanto universalista.
É certo que no caso brasileiro, dada a ausência de uma revolução burguesa, e da presença em realidade de adaptações das elites nacionais a mecanismos de adequação às mudanças estruturais que se impunham (no plano internacional, ou das contingências que poderiam levar a perda de influência e poder), tanto no plano político quanto no campo econômico-social, a constituição de uma esfera pública se fez a apartar grande parte de sua população face ao gritante desequilíbrio na distribuição econômica e educacional, bem como as arraigadas relações de exploração próprias da constituição do estado brasileiro.
Em verdade, tal autor acerta ao perceber que a transposição do poder burguês só foi possível pela constituição de um, então, novo fator de pressão, que viesse a possibilitar o apoio das camadas médias e baixas desses países, tanto quanto seu engajamento frente uma nova organização sócio-econômica que implicaria numa “natural” remodelação do poder político.
É evidente que fora da aparência discursivo-ideológica, tal espaço público de opiniões, acabou que subordinado a referências e a um modelo discursivo (forjada pela mecânica industrial da notícia jornalística e pela formalidade institucional estatal) que maquiava formas de dominação e de processos de esvaziamento de conteúdos e de ações, que visavam evitar a dissonância comportamental de grupos.
Habermas (1984) aponta como elemento crucial da constituição de tal esfera pública, o apogeu de uma sociedade burguesa européia. Para tanto inicialmente afirma que no período feudal não havia uma esfera política comunicacional pública, mas sim se fazia necessária a sustentação do poder, mediante a representação simbólica do mesmo, baseado no conceito e na presença ostentatória de superioridade que se atribuía a nobreza.
Tal ocorrência se identifica com o que Pross (1974) denominou como processo de totemização dos signos, isto é o desprendimento dos signos de peculiaridade subjetiva para constituir-se em um referencial de caráter coletivo, o que exigia um ato de desprendimento ou aceitação dos indivíduos, tendo por benefício a garantia da presença de algo (signo e texto cultural) que afrontaria a falta de referencialidade, a evitar o caos na compreensão, a morte na determinação e o medo do vazio.
Habermas (1984) nos recorda do movimento de realidade histórica, no qual assistiu-se o desenvolvimento do mercantilismo europeu, junto a sofisticação dos modos produtivos e a conseqüente disputa por poder político antes ocupado exclusivamente pela nobreza medieval, que passou a exigir proteção “institucional”. Nesse contexto, a idéia de Estado nacional passa a ser defendida e difundida, o que implica, por conseguinte no fortalecimento do mesmo tendo por escopo atribuições de “ordem pública” (ou seja, de um campo de ações mais largo do que o da atuação estamental da nobreza), emerge a idéia de poder público, que começa a se afastar da noção privada de poder dos nobres.
Nesse intercâmbio entre mercantilismo e poder público nacional, o Estado vinculado a nobreza e o modelo econômico forjado pela burguesia se fortalecem.
Um embate de interesses se impõem. Percebendo-se do poder da nobreza, como entrave, e buscando evitá-lo, a burguesia acaba por patrocinar a difusão do ideário do liberalismo econômico e também de um poder político baseado num princípio racional e não dogmático, que ora permitia arranjos com a “tradição” que preservava parte dos interesses da nobreza (como no caso inglês), outrora, rompiam bruscamente com estes últimos, passando então a atacar a ideologia do poder justificado pela superioridade sanguínea da nobreza. Por isso, então, surge o que Habermas define como esfera pública.
Tal espaço de forja de opiniões, em razão das condições do período e visando transformar as linhas de força sociais tinha por características básicas, além da independência face ao poder do Estado, a reunião de elementos privados num ambiente ou espaço público que racionalmente produziriam uma opinião pública, por meio do debate, deflagrando assim o surgimento de uma sociedade onde o argumento se sobrepõe a idéia de hierarquia ordenadora da sociedade (claro que restrito a um seleto grupo de classes médias), fortalecendo conceitos como de cidadão, ou de direitos individuais com status de importância superior a idéia de aristocracia ou nobreza. Forjava-se assim uma instância coletiva da concepção de textos culturais de caráter público, e que punha o Estado a mercê dessa influência.
Não obstante essa nova configuração de valores, a sociedade burguesa detinha já como organismos basilares de sua ação de poder a propriedade e o Estado que fundado num contrato social, acabaria tendo por papel defendê-la. Esse ideário foi amplamente difundido e agregado à concepção de função do Estado, ideário liberal.
Disso como sabemos, desenvolver-se-á uma nova ordem organizadora do trabalho, em que a relação de emprego combinado a uma ação abusiva de exploração das vidas humanas submetidas a tal império, assistem a eclosão posterior de movimentos sociais que viriam a lutar pela garantia de direitos aos trabalhadores.
Nesse contexto, o Estado passa a ser instrumento de uma nova elite, e a defender e estimular seus liames de controle para com a sociedade.
É então, após a fixação de tais direitos sociais, que se cria, também, um discurso que defende a idéia do trabalho como valor positivo e que o homem teria dignidade por ser trabalhador, qualificando positivamente sua subordinação.
Tal ideário, fortalecido como texto cultural, alimenta psiquicamente o trabalhador (relação de totemização), suavizando, ou justificando sua condição de submissão a uma ordem social em que não mais o ócio do nobre representa superioridade, mas a possibilidade de obter produtos pelo trabalho conferirá um maior ou menor status social ao homem.
Para tanto surge a necessidade de não se permitir que a publicização de idéias fomentadas pelo embate racional, revelasse a idéia de submissão, o que poderia traduzir-se em revolta social, ou mudança da ordem instituída. Mas de alguma maneira, buscar fortalecer um novo mecanismo de troca simbólica que sustentasse então esse novo domínio do detentor dos meios de produção de bens.
É por isso que aos poucos, inicia-se o desenvolvimento de entidades privadas, estimuladoras de idéias para a formação controlada de uma esfera pública, por meio da imprensa.
Desenvolve-se desde então técnicas que visam tanto persuadir por meio de um discurso racional de que a ordem social, mesmo baseada em diferenças sociais se justifica, quanto suprimir do espaço de discussão pública qualquer informação que possa vir a produzir intentos revolucionários, ou prejuízo nas relações de domínio, a partir da constituição de narrativas da vida social que naturalizassem as condições de vida da maioria subordinada.
Por isso alguns teóricos dirão que a publicidade deixa de se consubstanciar em elemento de controle do poder público e passa a referendar tal poder que defende interesses da elite econômica e política através da manipulação de uma opinião “pública”.
Desde então a elite passa a fomentar os grandes conglomerados capitalistas a investir em mecanismos de difusão informativa, visando sempre criar uma idéia de consenso social e encenar uma opinião pública.
A crítica preponderantemente é maquiada. Sintomas de consenso e idéia de Estado Social são difundidos, o que não quer dizer que correspondam a realidade experimentada pela maioria, mas que mina a ação reivindicatória desses últimos, permitindo a naturalização do status quo, e ocasionalmente barganhas com focos mais organizados da população subordinados ao poderio econômico, visando equilibrar, o regime dominante.
Assim, busca-se disseminar idéias a serem integradas as práticas culturais, impregnadas da idéia de autonomia: por meio da valorização da idéia de indivíduo, mas estimulando a todo o momento a noção de valor cultural aos objetos de industria e comércio difundidos, transforma-se o público no individual compartilhado que por sua vez é fomentado pela produção em série, aproximando a idéia de cidadania a de direito de consumo.
Tal fenômeno é tão bem sucedido, que a imprensa também se tornará em uma indústria de produtos informacionais. Estabelecendo-se, também nesse caso a concepção de um modelo de produto cultural subordinado a noção de hierarquia social, sustentado por uma mecânica de aquisição de bens.
Essa mecânica envolve os produtos e mensagens por um invólucro que busca encobrir e esconder sua deteriorização e falhas.
A monetarização da sociedade e seu vínculo a produção em série convertem o valor de uso dos bens e das informações em algo atraente, aprazível. O valor de troca dos bens e informações são estabelecidos pela produção em série. Não há vínculo, isso é, valor de uso que não esteja calcado na aquisição comercial. O cidadão se converte em consumidor, e seu maior valor se dá, no quanto seu trabalho possa comprar, bem como quais bens possa possuir, portanto se garante ao cidadão-consumidor o direito de trabalhar o tanto mais para obter renda e então exercer seu direito de comprar o melhor dos bens e assim, por meio deles, obter maior ou menor apreço. Eis que na mecânica da atribuição axiológica dos objetos, passa-se a considerar fortemente o valor econômico do mesmo e a transferência desse atributo positivo ao seu possuidor. O individualismo passa a compor as bases de um coletivo composto de indivíduos individualistas e competitivos que sem perceber aceitam liames de subordinação e hierarquização, e captam a noção de público daqueles que fomentam informativamente os produtos de consumo (mídias), encaminhando o embate não para construção racional de uma opinião pública, mas para suplantar o outro, ou melhor, comprar o bem mais venerado.

DEMOCRACIA DE PÚBLICO E O SIGNIFICADO DA POLÍTICA
Em razão do que já se apontou, não é estranho notar, que mesmo nas democracias representativas, os detentores do poder político também correspondem às castas de maior poderio econômico ou de bens culturais valorizados, de maior prestígio, portanto.
Nesse contexto é bom sublinhar a força que obtém as pesquisas de opinião e o marketing político como instrumento para vender a política apoliticamente.
Surge daí o conceito de Bernard Manin (1995) de democracia de público. Segundo ele, esse é o modelo que vigora nas sociedades ocidentais, em que o eleitorado se resume a um público que reage aos termos propostos no palco da política. O eleitorado, o cidadão é público. Os mídias são transmissores de propaganda.
Não há mais opinião pública, mas uma impressão, um clima de opinião.
Assim, tem-se um espaço em que não prepondera nem autonomia, nem racionalidade, mas sim um ambiente em que o cidadão, tal como consumidor tem necessidades previamente levantadas e introduzidas no discurso político. Ademais, as soluções se estabelecem fora do eixo da racionalidade, sem qualquer liame causal satisfatório, mas prometidas e vinculadas a idéia de resolução vinculada a figura de um indivíduo que goza de marcas de prestígio, e os projetos quando expostos são perfunctórios.
Este discurso se sustenta, posto que uma das bases fundantes da cultura, é a idéia de totemização que o homem estabelece para com os objetos ou valores que tem distante de si, ou de sua realidade empírica, mas de que se utiliza para fazer frente ao temor de ter consigo um problema que não se possa superar gerando um conflito psíquico vinculado a noção de morte, conforme já se apontou.
O marketing eleitoral ou político (não necessariamente vinculado ao período eleitoral e muito menos as instâncias partidárias) passa a representar quase sempre a um risco de despolitização da política e da democracia, dado que o cidadão acaba sendo substituído pela figura do consumidor/eleitor. Veja que nesse contexto o marketing político da campanha eleitoral só se torna mais evidente dada a presença do certame político, contudo, em todos os momentos ele se faz presente, na medida em que responde a interesses da manutenção da ordem política, melhor dizendo, do mercado da política.
Baudrillard refere-se a esse momento:
“ Por uma torção inesperada e uma ironia que já não é a da história, é da morte do social que surgirá o socialismo, como é da morte de Deus que surgem as religiões. Chegada astuciosa, acontecimento perverso, reversão ininteligível à lógica da razão. Como o é o facto de o poder já não existir, em suma, senão para esconder que não existe. Simulação que pode durar indefinidamente pois, contrariamente ao “verdadeiro” poder que é, ou foi, uma estrutura, uma estratégia, uma correlação de força, um problema, este, não sendo mais que o objecto de uma procura social, e portanto objecto da lei da oferta e da procura, já não está sujeito nem à violência nem à morte. Completamente expurgado da dimensão política, o poder depende, como qualquer outra mercadoria, da produção e do consumo de massas. Todo o brilho desapareceu, só se salvou a ficção de um universo político” (p. 38, 1991).
O mesmo autor em outra obra (1972) desenvolve a idéia de que, em nosso momento atual, o que é a pedra fundadora das relações de consumo não é a necessidade propriamente dita, mas antes de tudo relações de valores hierarquizados vinculados a uma significação do social, que fazem da própria vontade um mecanismo para se estabelecer dominação ao sujeito. Por isso fomentar valores importa em poder. O que não foi recusado pelos articuladores do movimento Cancei.
Baudrillard afirma que por detrás de todas as superestruturas da compra, do mercado e da propriedade privada, é sempre o mecanismo da prestação social que se deve ler na escolha, ou seja, acumulação, manipulação e consumo de objetos que se sustentam por uma mecânica de discriminação e prestígio que compõe por sua vez os sistemas de valores de uma sociedade integrada hierarquicamente.
Acrescenta também que os objetos, num “excesso de presença”, ou seja, ligados a sua capacidade mobilizadora do desejo de ser possuído, não se limitam a sua função, mas constituem o seu significado na capacidade que tem de determinar em que categoria social o seu possuidor passa a ser prestigiado.
Essa lógica de fomento de significado está na base de toda a publicidade midiatizada, inclusive política. Por isso superlativizar valores, recolher do campo do discurso os liames causais e supervalorizar figuras individuais desprezando a idéia de coletividade, se faz presente na abordagem da temática política.
Nisso se experimenta o olor de democratização pelo álibi democrático do universal do consumo. E em nossos dias as necessidades humanas e os bens materiais e culturais tomam conta do espaço que outrora fora preenchido pela religião e a posteriori pelos ideais humanistas de liberdade e de igualdade.
Tal apreensão do universal do consumo leva a condução das campanhas eleitorais ou políticas, mesmo institucionais, ligadas a estratégias da publicidade de mercado, o denominado marketing eleitoral, que segundo Kerbauy (2007) representa um risco de despolitização da política e da democracia, o cidadão é um consumidor/eleitor, que adquire produtos embrulhados sem conhecer o conteúdo e os processos de produção e maquiagem, eis o fenômeno do esvaziamento da política.
O movimento Cancei se fez constituído por diversas instituições, todas as quais ligadas a alguma classe profissional de prestígio econômico ou social, ou ainda por setores vinculados a produção ou comércio, bem como instituições detentora de caráter eminentemente elitista, como é o caso da maçonaria.

A RELAÇÃO DOS SUJEITOS E O PODER
Pross (1974) salienta que o significado que o homem retira dos objetos e das informações a que tem contato, se estabelecem como algo assimilado em razão de uma relação, que tem como elementos integrados: (1) o objeto observado, (2) o meio que lhe permite ser convertido no terceiro elemento, (3) a interpretação ou consciência interpretante.
Falar de política nos evoca de imediato a percepção que se está diante de um particular universo de significados, portanto de relações submetidas ao império de interpretações, sugeridas ou não, que acabam por compor um referencial social fundamental.
Quanto a referenciais, Pross (1974) salienta alcances, ou efeitos, fundamentais de um objeto ou mensagem: um deles é a possibilidade de evocar certa realidade particular aferível na imanência do próprio objeto ou nos referenciais e narrativas que o objeto evoca.
O caso particular da política guarda algumas particularidades. Sendo a política um modo de organizar, trazer regras ao plexo das relações de convivência humana, é destarte, um espaço submetido à mecânica da persuasão de outrem. Seja, aliás, por meios de robusteza física, violenta ou pelo manuseio das falas e mensagens, dependendo do momento e ambiente social.
Desde a revolução burguesa, como já se apontou, passou a esfera política a gozar do instrumento do discurso como mecanismo justificador daquilo que se experimentava como possibilidade de enfrentamento de um modus operandi da política, baseada num instrumental dogmático dos reis, ou na teatralização da superioridade dos nobres.
Contudo, em sua dinâmica revolucionária, a nova elite, acabou por promover um discurso de uma nova realidade política baseada, na idéia de confiança no Estado, o que Pross (1974) assevera estar baseada em grande parte no reconhecimento que é resultado da satisfação da confiança originária de que algo se dá mediante aquele instrumental, ou seja, aquilo que lhe fazem compreender como Estado. Nesse contexto, percebe-se que a aceitação de um modelo político não se dá necessariamente pela compreensão ou participação profunda do sujeito, mas por meio de um vínculo de natureza afetiva do mesmo, que se consubstancia tanto no apreço, mas, sobretudo na idéia de realidade e inevitabilidade que o sujeito emprega ao Estado ou ao modelo político vigente.
O elemento fulcral de estabilização de um modelo vigente é a sua naturalização, ou seja, sua inevitabilidade. Pross (1974) aponta que no caso da compreensão da realidade política, a base de numerosas e contraditórias relações que são inerentes às ações humanas se vão acumulando uma provisão de signos que se poderia denominar muito bem por material familiar, pelo que se prova e é repetidamente conhecido. Sua não problemática repetibilidade, ou seja, que parece não submeter ao golpe de alguma mudança repentina sua confiança originária, é algo que estabiliza o sujeito.
Por isso, tão logo concebida a idéia de Estado moderno, pelos burgueses, estabeleceu-se a iniciativa da propagação de notícias vinculadas a um universo narrativo que propunha a estabilidade inevitável do progresso e bem da humanidade, evitando-se evidenciar os reais propósitos para a consecução desse suposto projeto.
Não é por acaso que autores como Mezzarós (2004) e Chauí (2000) defendem a idéia de nação como uma construção bem articulada com o propósito de estabelecer unidade afetiva entre os homens entorno a um projeto político emergente.
Por isso Pross (1974) aponta que com a ausência de questionamentos, a consciência interpretante do sujeito se estreita numa continuidade relacional, vez que tal consciência só se poderá ver dilatada com a convivência de uma crise que abra porta para relações de significado diferentes.

AS ELITES E O DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO BRASILEIRO
VIANA e CARVALHO (2000) apontam que o desenvolvimento civilizatório nacional sempre ocorreu no confronto da mecânica patrimonialista de nossas elites e do estímulo liberal de modernização por parte do Estado.
Essa polarização sempre dominou o estado da arte no desenvolvimento produtivo nacional. O Estado novo, segundo apontam, representou um momento histórico em que o Estado, visa expandir as relações de trabalho e impulsionar o Brasil a situações de desenvolvimento industrial e urbano, tanto quanto de modernização de processos de monocultura por meio do controle estatal das normas de trabalho, incentivo controlado as a organização das corporações de trabalhadores e da garantia de melhores condições de trabalho, visando um maior desenvolvimento dos setores produtivos.
Contudo, segundo Viana e Carvalho, em todos os momentos em que o Estado impunha um processo de garantia de direitos e organização do espaço de produção, movimentos das elites, sempre reagiram num sentido patrimonialista, que explica até hoje contextos de afastamento das proposições e ações do aparelho normativo estatal, em relação às efetivações políticas e de organização efetiva da sociedade.
“No Brasil, se a via de republicanização democrática pelo mercado encontrou, em algum momento, a possibilidade da sua realização, isso se deu no Estado de São Paulo, único estado da Federação onde a dimensão do interesse se projetou em escala afirmativa. Ali, sem dúvida, estavam dadas as pré-condições para um trânsito bem-sucedido a uma ordem social competitiva, e que viesse, depois, a se difundir pelos demais estados da Federação, como, aliás, recomendava Alberto Salles. Dois movimentos, porém, originários de suas elites, obstaram essa vasta operação hegemônica: de um lado, a engenharia política que, no começo da Primeira República, as levou à solidarização com a ordem patrimonial por meio do sistema político do coronelismo; de outro, a sua concepção estreita e excludente da ordem liberal, que as manteve refratárias à incorporação das classes médias urbanas e da classe operária ao seu sistema da ordem. Assim, foi o liberalismo excludente das elites de São Paulo que o comprometeu com o patrimonialismo, tornando-o incapaz de se abrir a critérios universalistas e impedindo a matriz do mercado de cumprir um papel mais forte na construção da práxis republicana no país.
Quando, na década de 30, se intensifica o processo de modernização burguesa, aquela matriz já não é mais livre, nem vige o livre-contrato; ela se encontra regulada politicamente pelo Estado, com todos os seus principais atores no interior da estrutura corporativa” (VIANA e CARVALHO, 2000, p. 30 e 31).

Constata-se daí, um ethos conservador no espaço das elites nacionais e um despregamento dessas em relação ao arranjo da realidade social consubstanciado por práticas sociais dos grupos subalternos, pelo discurso idealizado pelos comandos normativos, mas não efetivados no espaço da realidade social, um descompasso entre o processo produtivo e o discurso de políticas que acaba fazendo desse último, mero instrumento simbólico e de barganha social.
Por isso, é que por vezes, nossas elites, acabam que sofrendo uma espécie de miopia da realidade da sociedade em geral, quando busca catapultar sentimentos alheios.
A lógica em geral, estimulada pelos reclames publicitários, gira em torno do estímulo a compra de produtos associada a um modo de diferenciação que é inerente a escolha dos bens e que é projetada em formas discursivas de diferenciação social do adquirente.
Contudo, nem sempre essa lógica é vigente. Após, 2006, com a reeleição de Luís Inácio Lula da Silva, o apoio as medidas do governo, tinham como base de sustentação políticas públicas que eram percebidas de forma direta pelas classes econômicas C, D e E. Assim o elemento simbólico de referência a ordem política do estado em vigência, se configurava em situações de proximidade da realidade social desses grupos que não poderiam ser superadas pela forma com que foi elaborada o material de campanha do movimento Cancei.
Tal material repercute os modos com que normalmente buscam as elites nacionais, produzir efeito simbólico nas classes subalternas, ou seja, a partir da introdução de um processo simbólico mediador que conta com o efeito de afastamento do sujeito em relação a realidade objetiva que se pretende estimular em realidade.

CANSEI: MOVIMENTO? SOCIAL? POLÍTICO? MIDIÁTICO.
Ironicamente, no discurso do movimento tem-se a menção indireta de que a sociedade brasileira não se manifesta ativamente contra os problemas sociais, não reivindica soluções, mas ao mesmo tempo tal discurso não faz qualquer alusão ao debate de idéias, a difusão de propostas.
Um de seus principais articuladores Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo declarou que: "O propósito dessa articulação é demonstrar a indignação diante de várias questões. É uma sinergia de esforços de profissionais das mais diferentes áreas, todos voluntários, que retratam a indignação dos brasileiros" .
Muitos analistas políticos têm considerado que tal movimento é mais uma iniciativa maquiada de ação política contra o governo federal, tal compreensão verifica-se da fala de do Professor Barros Filho:
“O movimento Cansei é o retorno do recalcado. A derrota de Geraldo Alckmin, para quem estuda os meios de comunicação como eu, é um enorme mistério. Para quem ensina que a mídia produz efeitos extraordinários de condução da opinião pública, agenda os temas políticos fundamentais etc., você imaginar que um candidato ganha com enorme facilidade uma eleição na contramão de toda a mídia de massa do país é, no mínimo, estranho. Parto da premissa de que a mídia produziu sim um grande efeito - se não tivesse produzido, a derrota teria sido ainda mais acachapante. Ora, depois desse massacre eleitoral...
Quando o candidato é o que interessa, aí a festa é cívica, a voz do povo é a voz de Deus e o resultado das eleições é soberano. Quando o resultado não interessa, aí o movimento Cansei é levantado como legítimo etc. A meu ver, esse movimento é um golpe. É uma tentativa de golpe daqueles que foram violentamente derrotados nas eleições” .
O movimento Cansei buscando visibilidade e produção de efeito político, utilizou-se da difusão de suas mensagens por meio de diversos mídias: rádio, televisão, jornais e revistas. Em todas elas o conteúdo exposto, apesar de diferentes modos de composição da imagem e edição, acabavam sendo muito parecidos se não iguais.
Por isso que a seguir encontra-se selecionados em seqüência os produtos da campanha realizada em jornais e revistas pelo movimento, que se colheu para análise de conteúdo.
A análise da composição de cada um desses produtos midiáticos permite, na identificação de elementos semióticos invariantes que se encontram na base da formação da cultura, extrair indícios de intencionalidade no ato da composição dos produtos.
Veja que para tal campanha foram produzidas oito seqüências de mensagens, sendo sete delas acompanhadas de uma figura humana e uma última contendo apenas signos verbais e cor.
Assim inicialmente pode-se verificar que em todos os quadros existe a predominância de coloração escura que junto à imagem humana é confrontada por um tom claro em degradê que por tal razão demarca a presença de uma polarização entre claro e escuro, o que para Pross constitui uma das experiências pré-predicativas fundantes das narrativas da cultura.
Nos presentes quadros a polarização de cor acaba por produzir no observador a imersão num ambiente de negrume que implica numa impressão negativa, que no caso em tela tem a intenção de demarcar a idéia de que o momento histórico retratado é negativo, carente de esperança. Contudo a incidência da luz tem acaba por chamar atenção ao observador daquilo que pode representar um confrontador de tal negatividade. E é por isso que a claridade de fundo é contígua as berrantes letras brancas que compõem o nome do movimento: CANSEI. Assim, percebe-se intenção de vincular a idéia do movimento como uma luz (aspecto positivo), para um momento escuro, eivado de negrume.
Não é por acaso que a imagem das figuras humanas encontra-se no plano de fundo da palavra cansei e que todos os personagens tem seu braço direito sobreposto ao seu peito, clamando a idéia de comprometimento emocional e patriótico de cada um deles.
A palavra cansei se encontra horizontalmente acompanhada de outras mais a compor diferentes mensagens de indignação que dão conta das principais questões pautadas pela mídia nesse momento histórico e que são apontadas como problemas de estrutura político-social do país: Cansei de pagar tantos impostos para nada. Cansei de empresários corruptores. Cansei de CPIs que não dão em nada. Cansei de presidiários falando ao celular. Cansei do caos aéreo (menção a problemas da administração aeroportuária presentes no período). Cansei de tanta corrupção. Cansei de bala perdida.
Verifica-se o apontamento de reclamos de natureza pública que os mídias haviam vinculado nas narrativas noticiosas a responsabilização, na maioria dos casos, ao governo federal, imputando em todos os casos falhas por parte do mesmo: alta taxação tributária, corrupção licitatória, ineficiência da atuação do legislativo federal, poder paralelo da criminalidade organizada, má administração aeroportuária, corrupção, e violência urbana.
Contudo não há teor explicativo, nem clareza propositiva. Portanto é possível inferir um enfrentamento frente ao governo federal.
Contudo, para mascarar a ausência de reclamo social espontâneo, ou seja o fenômeno do esvaziamento, desinteresse para com o político, utilizam-se de figuras que estereotipam tipos sociais:
Campanha veiculada em jornais e revistas
Fig. 01

A dona de casa de pele morena que não entende a razão de pagar tanto por nada, veja, os tributos são fomentadores da atividade do estado, a redação reducionista da compreensão profunda de questões públicas é evidente no tratamento da mensagem.
Fig. 02

Eis um homem de fenótipo a sugerir idade entre 30 e 40 anos e com camisa a recordar uniforme de um operário vinculado a insatisfação quanto a empresários corruptores, menção indireta ao caso muito explorado pelos mídias e denominado mensalão.
Fig. 03

Jovem de cabelo um pouco comprido, boné e roupa despojada que parece compor personagem de um tipo universitário ou de profissional liberal, esse está vinculado a idéia de CPIs que não dão em nada! Visão certamente reducionista do processo político.
Fig. 04

Ao tratar do crime organizado nos presídios, a figura sóbria masculina com camisa clara a conclamar paz cai como luva.
Fig. 05

A imagem seguinte é de uma jovem vestida de preto, conclamando luto ao recente desastre aéreo que teve como resultado a morte de dezenas de pessoas; tal personagem usa aliança que recorda a idéia de compromisso. Fig. 06

Figura de uma mulher magra, detentora do padrão estético de prestígio na publicidade comercial, e que conclama o mais difundido dos males que se buscou vincular ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores nesse contexto histórico: tanta corrupção (ou seja, demasiada, mais do que outrora, do que antes do governo petista).
Fig. 07

A última das figuras reclama de balas perdidas, evidentemente, é a de um senhor negro. Fig. 08

Fonte: http://blog.cansei.com.br/


A busca pela impressão de processos identitários é evidente, veja que nesse último caso a população negra está vinculada às mazelas da violência urbana. Outro traço que busca estimular processos identitários é a forma com que são completadas as diversas frases, após a palavra cansei, com grafia manual. A idéia de mobilização e de incorporação e mal estar de diversos nichos sociais é
A evidência de que tal movimento não busca fortalecer uma esfera pública democrática se observa.
A idéia de proposta para resolução não se evidencia, tão somente a de indignação que pela coincidência com a pauta da imprensa se vincula a uma afronta a imagem do grupo político que detém o poder político no âmbito do executivo federal por parte dos articuladores do movimento.
Portanto, a campanha publicitária do Cancei se vincula a uma matriz de composição de discursos que se compromete com uma mensagem de rompimento psíquico, insatisfação, mas não evoca elementos outros, a permitir que o momento de desconforto psíquico se sustente em longo prazo.
O grande problema é que a única forma de promover esse efeito último é vincular tal desconforto a uma narrativa viável, verossímil, passível de ser compreendida como real. Para tanto, contudo, seria necessário motivar a discussão dos temas e elevar o nível do conteúdo exposto a tal que não se permite numa campanha dessa natureza e tendo como veiculadores uma elite que tem ao seu favor o status quo, e, portanto, não prescinde de grandes reformas.
Assim percebe-se um dilema que contamina os conteúdos e a postura do movimento que é de tentar coadunar rompimento radical com uma idéia conservadora, mudar, ou seja, optar para uma mudança que nada modifica.
Por isso fica difícil promover o efeito de uma totalidade de sentido que não se pode evitar.
Mesmo sendo os conteúdos vinculados nos materiais publicitários, frutos de sondagem preliminar, contudo, tendo sido apresentados sem um vínculo que permitisse fazer de tal conjunto difuso algo a determinar uma unidade discursiva, acabou-se decerto a transparecer algo que não detém a estatura mínima para o convencimento do padrão básico de um cidadão adulto convencional.
Morin (1975) em sua análise acerca de elementos componentes da complexidade social, apoiados em matrizes biológicas, afirma que na formação dos grupos sociais, a individualidade está fortemente vinculada a uma ação afetiva, espontânea e menos refreada pelos liames regulares e rígidos das ações socialmente determinadas e concebidas como “obrigatórias”.
É por isso que uma mensagem de cunho político que queira reverberar socialmente, há de buscar formas de ser assimilada como algo que afetivamente se vincule a individualidade, isto é, como algo que seja uma afirmação de algo existente, crível e que, portanto não evidenciará no sujeito a sua incapacidade e vínculo com a dúvida e incertezas, afirmando-se como um mecanismo de confirmação da personalidade do sujeito.
Quando, contudo a mensagem busca inflar nos receptores o intento de mudança, de confrontação, para preservar seu poder de vínculo, é de bom proveito, segundo Morin (1975), que esteja a mensagem de ruptura, de crise, vinculada, na sua própria percepção do problema, a um mapeamento que ao menos sugira alternativas, ou apresente um projeto alternativo sólido. Tais processos de ruptura, quando se evidenciam na prática espontânea do sujeito, inevitavelmente fazem-no ativar suas faculdades conscientes e inconscientes na procura de uma resposta para a incerteza ou a substituição por um fator de outra natureza que nesses casos acaba por fazer do momento de crise, algo quase que imperceptível pela consciência do indivíduo, e recusada por mecanismos do inconsciente.
O trabalho publicitário apresentado também evidencia, além da ausência de aprofundamento do discurso a difusa e desconexa relação entre os temas, a não ser quando se evoca relação com as críticas jornalísticas ao governo federal.
Tais características se evidenciam nas diferentes frases e no esforço de vínculo afetivo e identitário que se consubstancia na apresentação de figuras estereotipadas, junto a cada uma das imagens.
A idéia de crise e solução se evidencia no uso da base escura da foto transposta a um foco de luz clara, a evidenciar a luz no fim do túnel que o movimento possa apresentar.
Mas a idéia não se confirma em mais nada.
O que se evidencia na mensagem é em verdade a evocação de elementos que recordam a idéia de unidade (quer formar um grupo que apóie o movimento) e de afetividade, sobretudo quando evoca a idéia de nação (os indivíduos com as mãos no peito, ou a diversidade tipológica dos mesmos, a recordar um padrão particular da população brasileira, que é a diversidade na sua formação étnica).
Mas parece que todo esse esforço não se concretizou na mobilização de grande número de apoiadores. Passados seis meses de seu início, pôs-se fora de cena, sem dar sinais de qualquer iniciativa e deixando seu blog (principal mecanismo de divulgação) desativado.
A própria falta de objetivos transparentes atrapalhou tal investida. Ademais, uma parte substancial da mídia e de intelectuais se opuseram a iniciativa, o que acabou por arrefecer sua força e continuidade.
Contudo, além desses elementos apontados, faltou por parte dos partícipes do movimento uma ação coordenada e insistente, o que se firmaria decerto, se estivesse calcada em objetivos claros e declaráveis publicamente. Isso, tal movimento não conseguiu fazer transparecer. Talvez não houvesse dor suficiente por trás da iniciativa, ou ainda, talvez tenham alguns cidadãos, terminado vencidos pelo cansaço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BYSTRINA, Ivan (1989). Semiotik der Kultur: Zeichen – Texte – Codes. Tübingen: Stauffenburg.
BAUDRILLARD, Jean (1972). Para uma crítica da economia política do signo. Lisboa: Edições 70.
_____________ (1981). Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio d'Água.
FOLHA ON LINE. (2007). Grupo lança movimento "cansei" do caos aéreo e da corrupção. http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u315425.shtml. Acessado em 26 de 07 de 2007.
HABERMAS, Jürgen (1984). Mudança Estrutural da Esfera Pública. Rio de Janeiro: Tempo brasileiro.
MANIN, Bernard (1995). As Metamorfoses do Governo Representativo. Revista Brasileira de Ciências Sociais, n.29. São Paulo.
MATTELART, Armand (1994). Comunicação-mundo: história das idéias e das estratégias. Petrópolis: Vozes.
MESZÁROS. Istvan. O Poder da Ideologia. São Paulo: editora Boitempo, 2004.
MORIN, Edgar (1975). O Enigma do Homem. Rio de Janeiro: Zahar Editores.
PROSS, Harry (1974). Estructura simbólica del poder. São Paulo: Técnica J. Catalán.
KERBAUY, Maria Teresa (2007). Marketing Eleitoral e agenda política. In: DOS SANTOS, Célia Marcia Retz Godoy (org.). Opinião Pública e Marketing Político. Bauru: Editora Faac-Unesp.
VIANNA, L. W. & CARVALHO, M. A. R. (2000). República e civilização brasileira. In: BIGNOTTO, N. (org.). Pensar a República. Belo Horizonte : UFMG.

Nenhum comentário:

Postar um comentário