sexta-feira, 10 de julho de 2009

QUEM NÃO A CONHECE... VAI SE SURPREENDER!



Na noite de 09 de julho assisti uma entrevista com a jornalista Cristina Lemos, no programa Brasília Ao Vivo, da Record News com a atual ministra da casa civil Dilma Roussef. Mais uma vez fiquei convencido de que quando esta mulher for mais conhecida e que muitos tiverem a possibilidade de escutá-la pessoalmente ou por mediação midiática, acabarão definitivamente apostando nela como sucessora de Lula.


Discurso tucano
Os tucanos que tiverem consciência da mecânica do comportamento eleitoral, já devem estar ressabiados.
Tenho visto uma estratégia de marketing político por parte do PSDB à partir dos seguintes pontos importantes na construção da preferência eleitoral:
a) o PSDB tem buscado pautar o Real como realização de seu partido, para poder afirmar que foi ele quem trouxe estabilidade para o país e tem maior capacidade técnica para suceder Lula. Vários nomes do partido tem afirmado que não se pode deixar de afirmar os bons feitos de Lula em seu governo (seria bobagem ir contra um percentual superior a 80% de aprovação), mas que seria claro que o PSDB contaria com melhores nomes para a sucessão (leia-se: Serra e Aécio);
b) o PSDB em São Paulo tem feito ampla campanha publicitária em tv e em outdoors em que tem apontado o governo Serra como realizador de políticas públicas (em regra viárias, como o Rodoanel) e como viabilizador de oportunidades de emprego (e novamente apontam o Rodoanel, ou a publicidade de suas contratações);
c) vê-se portanto que por um lado, os tucanos dimensionam o partido ao falar do Real, evitando por vezes a centralização da figura de FHC, o que em verdade fica difícil e por outro lado, quando busca evidenciar políticas públicas ou modelos de gestão alternativo, relacionam a Serra e Aécio (respectivamente) a proeza de tais feitos.

Limites do discurso
Tal estratégia não é ruim, demonstra leitura adequada de estratégia por parte dos tucanos, mas alguns entraves devem ser observados:
a) a aproximação de Ciro, com a proposta de sua candidatura em São Paulo vem junto da filiação de Itamar Franco ao PSB, com o discurso já afiado de que não foi FHC quem fez o Real, mas um grupo de pessoas, o próprio Ciro estaria entre elas, já que teria sido ministro antes de Fernando Henrique, mas sob a coordenação de Itamar (não é por acaso que as meninas do Jô, de quarta passada já apontavam o Real como uma realização sistêmica de Itamar, FHC e Lula!) Isso, certamente diluiria um dos cartuchos dos tucanos (ainda que tal cartucho por ser de natureza econômica, tal qual o ganho percebido pelas camadas populares e classe média baixa no Brasil pelo governo Lula, perderia de um liame mais recente e mais diretamente percebido como benefício);
b) Além da briga pela paternidade do Real, o fator de maior contribuição para a boa avaliação de Lula não é uma boa composição de marketing calcada em sua imagem pessoal, mas a evidência de políticas públicas por mediação de ganhos indiretos e diretos, mensuráveis pela dimensão de uso, ou de troca – equivalente – econômico. Isso não é pouco, corresponde ao estímulo basilar que teóricos da Corrente Econômico-racional do voto, como Antony Dows denominam pocket vote, comportamento nada alienado segundo tal autor. Aliás, desde 2006, segundo analistas políticos como Yan Carreirão, a maior parte do eleitorado tem se posicionado de forma pragmática, o que evidencia tal comportamento a longo prazo;
c) a crítica constante dos tucanos que Dilma não é um bom quadro, já que nunca foi candidata e também por que seria uma pessoa autoritária, pareceu-me na entrevista que vi, diluída pelo discurso, comportamento e expressividade da ministra. Então, ainda que seja verdade, no contato com a mesma, é notória uma capacidade de articulação de idéias com facilidade de incorporar reflexões pessoais, uma linguagem popular e exemplificativa, que farão dela, quando mais difundida nos meios de comunicação, além do liame com o governo Lula e o PAC uma candidata em que tal crítica poderá não alcançar grande êxito;
d) na fala de Dilma algumas coisa ficaram claras que não vão ficar baratas se os oposicionistas atacarem pesadamente. Ao falar de sua opção pela plástica, assumiu a mesma como desejo pessoal e acrescentou que o discurso que apontava esse comportamento como inadequado, ou como artificial era um pouco machista – mas lembrou que muitos dos homens políticos que conhece já passaram por cirurgias plásticas (ops! não vamos esquecer que Serra já fez a sua a muitos anos atrás);
e) termino esse texto recordando elemento presente em minha análise sobre os dados da pesquisa eleitoral recente, que aponta Serra em primeiro lugar entre as indicações estimuladas de voto (aquela em que o entrevistador dá opções ao entrevistado), mas que nas indicações espontâneas Dilma já empata com Serra. E recordo a todos que Gabeira, neste ano, começou com reles 3% de indicações do eleitorado no começo do ano, e ficou muito próximo de vencer no Rio, mas mesmo sua passagem para o segundo turno, quando venceu Crivella, só era percebida como tendência e possibilidade efetiva de concretização nos questionários espontâneos. Dilma cresce, é tendência, e ainda não foi – ao contrário do que se possa imaginar – explorada midiaticamente em seu mais alto potencial. Ela ainda vai aparecer mais. Talvez não tanto na Rede Globo, mas o grupo Record deverá viabilizar tais oportunidades, além da campanha de propaganda partidária e política.

LEIA ESTE ARTIGO TAMBÉM NO BLOG DA DILMA, postado dia 12/07/2009 - http://dilma13.blogspot.com/

2 comentários:

  1. Mas há de se lembrar que o Gabeira no Rio de Janeiro foi o candidato das elites.
    Como ele mesmo demonstrou ao ir ao Clube Militar do Rio de Janeiro e conversar com militares.

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  2. Caro Fávio, esta não é a única evidência de que Gabeira se elitizou. Zé Serra e uma turminha do FHC fizeram campanha para ele no Rio. Ademais, em todas as zonas eleitorais da zona sul carioca, Gabeira tem uma votação exorbitante em relação a Eduardo Paes. A única questão acerca de Gabeira que indiquei diz respeito ao comportamento do eleitorado e indicativos estatístico de crescimento e clima de campanha em favor de um candidato. O mesmo fenômeno está acontecendo com Dilma, antes mesmo do período eleitoral, pq o eleitorado já está sendo ativado, e pode vir a escolher Dilma, antes mesmo de começar o certame em 2010. Os índices que elegem Lula em 2006 são percebidos já em dezembro de 2005 e janeiro de 2006. A tendência se mantém, só há uma pequena redução após o escândalo midiático da mala, mas no segundo turno os números se confirmam novamente. Gabeira neste caso se presta como um exemplo apenas de como se dá tendências do comportamento eleitoral. Fiz um extenso trabalho acadêmico acerca da campanha de Gabeira e Eduardo Paes, eque confirma sua observação, obrigado.

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