terça-feira, 14 de julho de 2009

O AUMENTO DO PODER DE COMPRA E A CLASSE MÉDIA


Para Arthur Virgílio a classe média (incluindo ele!) estaria viajando para a Europa nos últimos tempos, com alguma facilidade.
(Essa tem sido a fala do senador do PSDB ao tentar explicar o empréstimo de Agaciel Maia)
A última pesquisa da Ipsos decerto justificaria a resposta, mas senador, não é qualquer classe média que pode, ainda não, meu caro, ainda não!!



A recente pesquisa sobre renda e poder de compra
Nesta postagem e talvez em posteriores vou tratar um pouco do tema de acréscimo do poder de compra - ou seja, do que sobra para comprar - que foi objeto de pesquisa realizada pela Cetelem em conjunto com Ipsos.
Em tal pesquisa, segundo relatou Iris Bertoncini em matéria publicada em 02/07 no Diário da Manhã de Goiania, constatou-se que “a renda da família brasileira cresceu em todas as classes sociais na comparação de 2007 com 2008, embora em proporções diferentes. Os ricos ficaram mais ricos, 16,6%. Já na classe C, a maior parcela da população, a receita subiu 13%. Entre os menos favorecidos economicamente, a camada D/E, também houve registro de alta, mas apenas de 12%. Apesar do bom desempenho salarial, o brasileiro de forma geral, não conseguiu subir de posição social”.
Outro fator apontado pela jornalista acerca da pesquisa é que "em comparação aos três anos imediatamente anteriores, apenas os consumidores do Brasil e da Polônia avaliaram que a situação econômica melhorou em 2008. Na amostra de 17 países encontram-se Inglaterra, Espanha, França, Rússia, Itália, Coreia do Sul, Portugal e Alemanha, entre outros. “Este é um dado que pode confirmar que a crise econômica ainda não foi percebida pela população e há até um certo ‘descolamento’ da gravidade da situação global com a realidade vivida hoje pelo brasileiro”, afirma o levantamento". A pesquisa realizou 1.500 entrevistas domiciliares em 70 cidades, abrangendo nove regiões metropolitanas.


Falando da “média”
A seguir algumas reflexões - talvez “pitacos” - acerca, deste quadro tendo em vista sua relação com a agenda de governo posta em prática a partir de Lula.

1. Um primeiro ponto que deve ser considerado é que a classe média no Brasil aumentou numericamente e proporcionalmente, mas não significa dizer que a classe média possa ser medida tão somente pelo viés do ganho econômico, nem que detenha um único perfil dominante. Portanto, deve-se ter em conta uma classe média de “emergentes” e uma classe média já detentora desse posto, a longo prazo. Em geral, mas mais especificamente na classe média constituída de longo prazo, há uma característica que a diferencia dos pobres no Brasil, a classe média é marcada por uma certa autonomia econômica e de posição social frente aos bens de consumo, já os pobres no Brasil não tem a marca da autonomia, mesmo que relativa.

2. A classe média, portanto, representa a somatória de uma autonomia relativa de renda, do ganho efetivo de renda mediana, de um particular “status” simbólico e de comportamento que serve como modelo do homem médio, mas tomada por um moralismo que em momentos de debate político ou de disputa eleitoral é caracterizado por um conservadorismo institucional. “O tema da moralidade é próprio a essa classe média moderna”, conforme aponta Luiz Werneck Vianna (em entrevista oferecida a Revista do Instituto Humanitas da UNISINOS, publicada em agosto de 2008) que acrescenta: “Esses setores que estão levantando essa bandeira da moralidade estão vindo de dentro do Estado (Polícia Federal, juízes de primeira instância, mídia, Ministério Público)”. Essa marca moralista da classe média é que leva a muitos a manifestarem repúdio a política de assistência aos pobres, tais como o Bolsa Família, e manifestar como argumento que tal política não promove “autonomia” aos favorecidos, sem perceber que os pobres não atingiram ainda condições de detê-la ou reivindicá-la e precisam passar primeiro por esta etapa de auxílio.

Mas apesar disso, é possível pensar que o contato destes setores de classe média com o dos “emergentes” e a contemplação de recentes políticas de auxílio direto (para a classe média) como o programa “Minha casa, minha vida” produzirão uma percepção mais apurada e dentro do plano político, fora do domínio de rompantes moralistas.


Moralismos tucanos
O moralismo é importante, mas tem sido conduzido ao seu extremo, resultando em discursos acusatórios que tomam conta de dimensões de direitos e da política.
Devemos atinar para os interesses e conflitos de interesses e então coordenar um processo satisfatório de “contrato social” efetivo, isto é sociabilidade. José Serra, por seu autoritarismo, falta de flexibilidade e de poder de diálogo, também por sua desarticulação com os movimentos sociais organizados não reúne condições de fazê-lo.
O PSDB deu conta de uma etapa de estabilização econômica com FHC, enquanto a tarefa era resolver danos (diga-se, inflação) gerados pela dependência que a moeda nacional tinha em relação a indexações fora do controle e da realidade da economia nacional interna.


Consolidação da política de Lula
Mas Lula avançou demais neste processo - e um dos reflexos disso, são os dados da pesquisa apontada – quando viabilizou um reaquecimento da atividade produtiva interna do país e constituiu este processo combinado aos interesses daqueles que demandavam assistência, o que permitiu a geração de milhares de postos de trabalho e os programas de distribuição de renda.
Por isso é fato que se verifica, sem contestação, a sustentabilidade econômica nacional em tempos de crise (o que até os oposicionistas tem afirmado, sob pena de serem tidos por ridículos. Alguns não se importam com isso, mas na fala destes percebe-se marcas tendenciosas para o plano do moralismo radical). Esta estabilidade econômica promovida por Lula se deve:

a) ao equilíbrio fiscal e a manutenção de reservas pelo tesouro que viabilizaram liquidez monetária no Brasil e que tem garantido alguma autonomia em relação ao fluxo de capitais internacionais – o PSDB não efetivou isto solidamente, mas o fez de forma precária com o custo de muitas de nossas estatais em processos de privatização;

b) ao estímulo por meio de ações do BNDS e de outros mecanismos de financiamento governamental, inclusive de pequenos negócios que fazem das reservas financeiras nacionais base para ativação da economia interna;

c) a distribuição de renda, promovida por programas como o Bolsa Família que ativaram, ainda que minimamente, em muitas regiões no Brasil (com maior força e extensão), a circulação de capitais e riquezas.


Paratodos
Portanto, diante de um processo econômico que não deve ser desprezado, seja pelo rico, pela classe média ou pelos pobres, o que a pesquisa demonstra estatisticamente pelo ganho em todas as faixas econômicas:
Parece claro que é tempo de crescer e de forma sustentável e autônoma. O Brasil já gozou de muitas possibilidades de crescimento no passado. A dependência política e financeira às nações mais ricas e poderosas nos impediu de obter êxito sustentável. Porém, agora conta-se com tal experiência e com um quadro político mais favorável.
Por isso a opção por Dilma parece mais favorável a este equilíbrio.


Voltando à pesquisa
Os dados da pesquisa demonstram na verdade que os ricos e a classe média alta (classes A e B) tiveram ganho de renda, enquanto as faixas médias (classe C) além de aumentarem numericamente, tiveram dobrado o seu poder de renda e os mais pobres (classes D e E) saíram das faixas de miséria e extrema pobreza. Portanto, confirmam um processo estável de melhoria das condições de renda em todas as faixas econômicas, processo que nas dadas condições, conforme expressão repetida pelo Presidente da Republica, “como nunca, antes, na história deste país” aconteceu.

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