sexta-feira, 24 de julho de 2009

O APOIO DE LULA - DILMA PARA PRESIDENTE E CIRO EM SÃO PAULO



Lula tem manifestado posição de apoio a candidatura de Ciro ao governo do Estado de São Paulo. Algumas resistências tem sido observadas dentro do PT de São Paulo e dentro do próprio PSB local. Dilma até algum tempo atrás era tomada como dúvida por alguns, mas quando o PT reuniu-se entorno de seu nome, notou-se que a aposta do presidente não era incorreta. Penso que o presidente Lula acerta ao apoiar Ciro como candidato a governador. As razões para tanto seguem abaixo.

Sobre o panorama paulista
Em alguns momentos da vida, temos condições de escolher. Estes momentos não nos perdoam, as conseqüências vem por meio de imposições de ordem material e nos oprimem mesmo que não nos recordemos que tivemos o poder de escolha.
A candidatura de Ciro pode representar para os coligados do PT em São Paulo, e para o próprio povo paulista, um momento de tamanha importância.
São Paulo vive mais de 20 anos sob o imperium de um único grupo político, sob uma forma única de condução política das coisas, acomodada nas práticas das elites regionais e no comodismo por parte das classes médias e pobres sob a falsa percepção de que o horizonte não pode se sobrepor a isso. São Paulo para muitos passou a ser uma terra mais difícil de se viver, a não ser pelos favorecidos por conchavos, terra de estagnação social e sobretudo de poucas oportunidades para aquele que detém somente o puro esforço pessoal.
São Paulo goza da eterna imagem de coração econômico do Brasil. Mas na ordem econômica, pose e misticismos não se sustentam por muito tempo. A atual crise econômica mundial está ai para provar que a base de realidade das coisas sempre volta para cobrar as contas. São Paulo há muito perde o protagonismo em muitos aspectos, apesar de contar com a vantagem de possuir, ainda, a maior parte dos negócios no país, tem visto isso diluir-se, a medida em que não tem demonstrado uma condução política e de integração entre a iniciativa privada e pública que digam respeito ao imperativo das novas condições de realidade nacional e internacional.
Isso pode parecer desimportante, ou um processo pouco robusto, mas somente para quem não tem o panorama do futuro como fator de realidade. Marx, entre tantas coisas, acertou na percepção de que os Estados Unidos da América se tornariam a locomotiva política e econômica do mundo, quase dois séculos antes disso acontecer, tendo por mira as atitudes e posturas que eram experimentadas naquele território. Algo “impensável” diante das condições materializadas no tempo de um império Inglês, dominante e inventor de um mundo de tecnologias, em que vivia.
A universidade pública em São Paulo há tempos tem sido desprestigiada pelos governos PSDBistas. As políticas públicas para os mais pobres, impulsionadas pelo governos Lula são blindadas e não conseguem pousar em solo bandeirante. A escola de primeiro e segundo grau, sobretudo a pública tem vivenciando problemas estruturais absurdos e os jovens não tem apreendido com a aprovação automática efetivada.

A esquerda em São Paulo
Durante antigos certames eleitorais ao governo do Estado, em que por vezes a ameaça era Maluf, o PT – principal força de resistência ao poderio PSDBista no estado - chegou a apoiar o PSDB contra Maluf. A questão que levou a tomada desta decisão fora a percepção que Maluf seria muito nocivo no governo estadual.
No contexto atual, o PT não conta com uma figura de peso para tentar vencer a ameaça de re-governo tucano. Diante de um domínio de corrupção e de consumo do erário público em obras faraônicas que representou os governos de Quércia e Fleury, o PSDB pode ter significado uma mudança de panorama para a sociedade paulista, mas o PSDB fez estagnar o estado, sobretudo para o que diz respeito a oportunidades de mudança social por esforço próprio ou de políticas aos mais pobres, até por que São Paulo tem uma vasta classe média. Ademais, continuou o modelo de política quercista.
Serra pretende ser candidato a presidência. Um espaço sobra. Pode ser, que diante da imposição de Alckmin e seu favoritismo, o PSDB acabe acatando ele como candidato, novamente. Mas o próprio Serra, pouco preocupado com a hegemonia de um pensamento e mais preocupado com a manutenção de seu grupo político que não é o mesmo que de Alckmin, insiste em lançar o seu chefe de Casa Civil como candidato do PSDB. Mesmo que seja Alckmin o candidato é necessário recordar que este foi derrotado na última eleição que concorreu, por Marta e Kassab e isso não é gratuito. Deve-se ter em mente que o peso de uma candidatura não está centrada só na imagem de um candidato, como para muitos pode parecer. Mas sobretudo na percepção de ganho e de realização política que o eleitorado perceba. Para quem aposta em Dilma, esse fator não deve ser desconsiderado. Nem sempre a maior parte da população foi favorável ao PT, nem ao menos a Lula, mas o imperativo de um governo realizador e sem precedentes na história tocam profundamente na leitura eleitoral daqueles que não são eleitores orgânicos.
Se este fator faz com que Dilma represente a continuidade de um projeto político de condução nacional, também estes mesmos pressupostos devem ser pesados, sobretudo pelo PT estadual na escolha da candidatura para enfrentar os tucanos em São Paulo.

Por que Ciro?
Ciro corresponde à melhor opção ao PT - e a esquerda paulista - no presente contexto para dar a possibilidade a São Paulo de um governo não tucano. Digo isso considerando alguns entraves:
a) que a maioria do eleitorado em São Paulo está propensa a votar em um candidato tucano, por isso é que Serra também insiste em seu candidato, já que vê possibilidade de que mesmo não conhecido, possa ao ser reconhecido como o novo tucano, vir a ser eleito. e Serra não está de todo incorreto neste raciocínio;
b) que o PT não possui um nome de peso para enfrentar os tucanos. Cogita-se Emídio de Souza, prefeito de Osasco. No caso da esquerda, parece necessário considerar que a virada do jogo depende da acomodação de dois fatores fundamentais: um nome forte, de ampla visibilidade e um liame com as realizações nacionais para que se confronte o modelo de governo nacional com o governo estadual. É nessa perspectiva estratégica que Ciro aaprece como nome que permitiria o ressoar do nome de Lula e Dilma numa unidade discursiva, já que esta representaria sua chance de vitória e também, por outro lado permitiria ganhos eleitorais de Dilma em São Paulo. Lembremos que Lula não venceu em São Paulo nas eleições de 2006; também, não foi mal votado, mas é certo que os tucanos tem forte influência sobre o eleitorado neste estado;
c) assim como o PSDB está rachado, entre serristas e alckmistas, os partidos aliados ao governo Lula podem rachar em São Paulo. A alternativa para que isso não ocorra e evite-se que os tucanos tenham apoio maior é a percepção estratégica que poderia sedimentar-se no PT da composição de uma aliança com o PSB, fechando com Ciro como candidato.
Ainda assim não significa que a vitória se viabilizará, mas as chances aumentam. Devemos recordar que estando tanto tempo no poder, os tucanos ressoam para o eleitorado não-orgânico como o sinônimo de realização possível no estado. Mas se este mesmo eleitor tem em Lula a dimensão de um bom governo no contexto nacional, com Ciro esta toma um dinamismo gigantesco. Ciro já há tempos foi reconhecido como apoiador nacional de Lula. Também Ciro, foi ministro de Lula. Ciro é muito articulado e seu discurso tem sido fortemente contrário ao modo psdbista de governar.
Deve-se ter em conta, também, para um projeto político, na democracia representativa, a noção que a maior parte do eleitorado tenha da política, ainda que esta ainda seja passível de ver-se aprimorada. No contexto atual, nenhum quadro petista, parece capaz de ingressar no referencial e na noção que o eleitorado tem da política estadual.

Mas Ciro não é de fora?
Ciro nasceu em Pindamonhangaba/SP, é paulista - sua esposa reside no estado - e já fez politica no Brasil todo. São Paulo é um celeiro de brasileiros de diferentes procedências. E muitas das questões tomadas neste estado tem dimensão nacional.Eu mesmo, não nasci em São Paulo, sou carioca, mas vivi aqui durante grande parte de minha vida e tenho aqui laços familiares e pessoais, quero o melhor para esta terra, e vejo em Ciro a oportunidade de uma mudança efetiva que o eleitorado não-orgânico possa entender e apoiar.
Nesse contexto tomar posição por Ciro é também, tomar posição clara por Dilma, reforçando sua candidatura em São Paulo, principal colégio eleitoral brasileiro, mas também, tomar posição por São Paulo e pelo Brasil. Por isso surge o clamor para que o PT regional pese a possibilidade de mudança e tome posição pela união com os demais partidos aliados do governo Lula no apoio de um nome no estado. Uma tomada de posição desta magnitude representará maturidade e leitura política e também maior disposição pelo interesse público que pelo particular.
Ademais, José Dirceu tem defendido a candidatura de Ciro como uma boa alternativa dentro de um contexto de leitura de coalizão partidária nacional. Vou reproduzir abaixo parte do texto que escrevi, em outra postagem, sobre a fala de Dirceu quando esteve em Bauru no dia 21 de junho, em um encontro regional do Partido dos Trabalhadores. No próximo tópico alguns apontamentos de Dirceu:

Defesa de alianças e concessões partidárias
Por isso a construção de um palanque nacional demandaria ao PT abrir-se para discutir nomes de outros partidos em coligações para cargos executivos. Sobretudo, diante do grande esforço em firmar uma aliança nacional com o PMDB e a mais ampla possível nos espaços regionais constituindo palanques e contextos de boa receptividade para Dilma. No Pará, Bahia e Rio Grande do Sul as coisas estão difíceis com o PMDB.
Por isso, também, Zé Dirceu defendeu que o partido estivesse aberto a discutir nomes como Dr. Hélio ou Ciro Gomes para a candidatura ao governo de Estado de São Paulo e tem feito essa reivindicação em seu blog – esse tema foi ponto de dissidência na reunião – apontando que não se trata de aceitar de imediato esses nomes, mas de colocá-los, ao menos como possibilidade de discussão partidária.
A importância dessa postura tem liame com o contexto de alianças e da conjuntura do PSDB no plano nacional e regional. O PSDB está rachado em três agrupamentos. A chapa única entorno de Orestes Quércia para o senado corre risco de naufragar e complicar o acordo local em PSDB e PMDB já que o grupo de Kassab reivindica candidatura ao senado.
Por outro lado Dr. Hélio tem grande penetração no PMDB. Já Ciro Gomes representa a consolidação de alianças no nordeste em Pernambuco e Ceará, tanto quanto a de Coutinho na Paraíba que precisam do PT e vice-versa para o fortalecimento de seus projetos, o que combinado levaria ao fortalecimento da candidatura Dilma na região.

A questão do tempo
Essa tomada de posição deveria ser a mais rápida possível. A união do PT e dos demais partidos, se possível, entorno de uma proposta de candidatura, o mais rápido possível fortaleceria a longo prazo esta perspetiva para além dos limites do campo de atuação do eleitorado orgânico, ou seja do coligado político ou daquele que se envolve com questões políticas fora do momento eleitoral. Colocaria esta notícia no seio da sociedade paulista e aproveitando-se do crescimento tendencial de Dilma, dimensionaria a candidatura Ciro como real condição de enfrentamento ao domínio tucano em São Paulo.

publicado também no dia 31 de agosto em http://desabafopais.blogspot.com/

Um comentário:

  1. Sabe que, pensando agora neste império tucano em SP, seria de se esperar que já houvesse algum desgaste, mas não é o caso. Claro que a população do estado quer alternativas políticas, mas o favoritismo tucano ainda é intocado, mesmo depois de tantos mandatos. É muito relativa esta questão de desgaste por tempo no poder. A Marta, por exemplo, precisou de um único mandato na capital pra ter todo o desgaste do mundo, e se inviabilizar para qualquer cargo majoritário. Claro que as causas disto vão muito além de méritos e deméritos das administrações, mas é difícil prever quanto tempo no poder pode vir a desgastar um grupo político. Espero que a esquerda paulista esteja unida em 2010, para superar esta administração elitista e este sentimento de que o estado não pode ir além. Ciro, na minha opinião, é quem deve encabeçar este movimento. Parabéns pela análise!
    Abraços

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