domingo, 28 de junho de 2009

PSDB REAGE COM BOA ESTRATÉGIA DISCURSIVA EM PROGRAMA DE TELEVISÃO




Quem quiser remar contra a maré, tem que remar muito mais forte. Vá a guerra de pés descalços, não pise no tapete com estas botas imundas! Humberto Gessinger (in Museu de Cera, do álbum Várias Variáveis)

Em seu último programa de televisão, o PSDB apresentou um discurso muito bem elaborado para produzir efeitos contra o governo Lula. Essa afirmativa tem como base de justificação o enfoque da ciência política, sobretudo no que diz respeito a categorias e resoluções que tratam do comportamento eleitoral.

Fatores de fortalecimento do governo Lula
Lula tem como fator importante de sustentação de sua popularidade e de potencial de transferência de voto para Dilma Rousseff:
a) a realização de políticas públicas cuja utilidade e percepção de ganho econômico foram percebidas diretamente por amplo contingente popular no Brasil;
b) ademais, a forma mais branda com que o Brasil foi afetado pelo momento de crise econômica mundial, comparado a outros países, Produziu um fenômeno particular, o momento de grande preocupação gerado pela difusão midiática desse fenômeno econômico fez com que o eleitorado voltasse os olhos para a questão da estrutura econômica nacional e sua estabilidade. Tendo o país reagido, até então, não catastroficamente como muitos discursos propagavam, o governo Lula foi fortalecido como competente para lhe dar com situações de risco e crise (isso explica a queda de popularidade e depois o reposição dos índices percebidos em pesquisas dentro do período crítico da crise e depois mais recentemente);
c) o PAC que foi apresentado tendo como parâmetro dinamizador principal ( e mais presente) o programa “Minha casa, minha vida”, mas também recordado como programa de implantação de obras viárias e de construção de aparelhos públicos, que ativou no imaginário referencial do brasileiro a noção de um governo que investe e que demonstra condições para tanto, mesmo em um momento de crise global.

Políticas Públicas e a classe média
A classe média demonstrava, segundo números das últimas sondagens, maior apreço ao governo, a medida que também, passou a ser assistida, diretamente e com referência a um anseio profundo, pelo governo federal com o programa habitacional acima apontado. A referencialidade de fruição de políticas públicas é um fator difícil de ser destituído como mobilizador de interesse pessoal. Não é por acaso que no início de tal programa, a mídia, em geral, atacou o mesmo apontando fatores da ordem da organização do espaço urbano como óbice ou negação (simbólico-referencial) ao programa de Lula. Dada a percepção, posterior de parte da classe média, a facilitação de crédito para financiamento imobiliário, e o início de projetos para construção de casas para pessoas com baixa renda, o discurso passou a ser perigoso, vez que poderia fazer o caldeirão virar contra o feiticeiro e mobilizar os brasileiros em geral contra a discursividade midiática, o que desfavoreceria o enlace de audiência.

O programa do PSDB de 25 de junho de 2009
Contudo, parece que os tucanos fizeram alguns acertos estratégico-discursivos em seu último programa, na medida que atacaram o governo Lula, justamente naquilo que se sustenta seu maior poder de prestígio, a referencialidade de políticas públicas. O partido tucano disparou uma forte crítica ao governo Lula apontando-o como incompetente (e não como não realizador, reparem bem!) em realizar os projetos anunciados como PAC.
Mas, por que esta crítica é um fator que pode funcionar midiaticamente no convencimento pró-PSDB? Porque o PAC consiste num programa muito amplo cuja atuação se dá pela disponibilização de recursos, muitas vezes combinado com recursos de outras esferas federativas para a realização e viabilização de políticas públicas em todo território nacional. Ademais, o PAC não se evidencia “simbolicamente” por um ou outro grande referencial de ação executiva do Estado. Na verdade, talvez o grande standart para evitar essa percepção difusa e incompreensão acerca do PAC seja o programa “Minha casa, minha vida” que mediatiza, dá visibilidade, dá cara às tais políticas de aceleração do crescimento.
Portanto, o PSDB atinge em cheio esse ponto, colocando em xeque a existência ou efetivação fora do plano da abstração do PAC e ainda vaticina qualquer propaganda que venha depois explicar o que é o PAC e suas realizações como gasto excessivo em publicidade.
O apelo mais uma vez do PSDB dirige-se às classes médias, e isso se evidencia no discurso do programa ao tomar o fator de competência administrativa e técnica como ausente no governo Lula e presente em seus governos, tanto quanto ao tratar da questão da falta de empregabilidade(em que a classe média tem sofrido baques com a crise).
A incompetência apontada e a falta de efetividade do PAC estimula a dúvida no seio das classes médias, de que políticas públicas efetivas existam de fato ( tendo em vista a confusão e os consórcios de financiamento para elaboração de políticas públicas – veja que o Rodoanel, importante baluarte de propaganda do governo Serra tem em sua maioria capital de financiamento do governo federal, do PAC, pasmem!). Essa provocação pode funcionar neste seio, cujas políticas públicas em geral são indiretamente percebidas, já que os elementos básicos de sobrevivência desta faixa econômica está em suas próprias mãos e não dependem da assistência governamental. O “cidadão-consumidor” só quer o sistema da livre iniciativa sobre controle e oportunidades mantidas (de colocação profissional e da manutenção do poder de compra) e manutenção das vias para os automóveis. Por isso em dúvida, para as classes médias já basta, o conservadorismo em geral se efetiva naqueles que tem algo a perder ou pensam que tem.
Porém, se o governo Lula, sobretudo, a partir do final deste ano e no início do ano que vem conseguir implantar muitas políticas públicas em todo o território nacional, dar continuidade e ampliação ao seu programa habitacional e manter sob suas rédeas a estabilidade econômica, se possível com crescimento, será pouco provável que este apelo discursivo, ao fim das contas, funcione e convença o eleitorado a não votar em Dilma. Esses fatores quando ativados, e em 2006 isso se evidenciou, suplantam quase todos os demais, a história das eleições dá prova disso. Ademais, com a crise não se alastrando e a classe média realizando sonhos de casa própria, a discursividade da dúvida, a evocação de incompetência, o discurso da moralidade já bastante utilizado e que encontra eco nas classes médias, favorecerão que Dilma obtenha votos nessas faixas sociais também.

Veja o programa na íntegra, no site do PSDB: (Programa do PSDB, junho de 2009).
https://www2.psdb.org.br/interna/cotidiano_videos.php?idvassir=125&id=84
De um boteco, em que parei para comprar uma paçoca, assisti. Os cabras que estavam tomando uma lá nem deram bola para o programa.

Um comentário:

  1. Estou muito decepcionado com o Serra: pago meus impostos em dias e ainda não tenho um plano de saúde que condiga com minha condição social de morador do Itaim, nem com o brasão da minha família; meus 3 filhos (o Dado, o Dinho e o Duda) estão em escola particular, afinal não os quero entre maloqueiros periféricos; e o que é pior: o meu melanômetro quebrou semana passada lá na Espm. Quase tropecei numa... faxineira!! E hoje havia populares em frente da minha casa!!

    (Depois de "humildade com H maiúsculo e dourado etc" faltou "inconsciente coletivo consciente".)

    Precisamos é de um governante com Pulso!

    ........"todo mundo era poeta, todo mundo era atleta, todo mundo era Tudo, do it yourself, diziam"...

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