segunda-feira, 29 de junho de 2009

CONJUNTURA ECONÔMICA, POR ALOÍZIO MERCADANTE.


No mesmo encontro de uma semana atrás (veja a postagem anterior que fiz sobre a fala de dirceu), em que participaram figuras expoentes do Partido dos Trabalhadores, um dos expositores foi o senador Aloízio Mercadante. Segue abaixo apontamentos de sua fala:

Mercadante no encontro tratou de economia, um de seus temas fortes. Iniciou sua fala apontando que o mundo se encontra diante de uma crise econômica grave, não passageira, mas profunda.
Segundo ele, a origem de tal crise seria em primeiro plano a implantação das políticas neo-liberais (que preconizavam a falta de Estado, controle e prudência) e em segundo plano e em decorrência de tal modelo político-econômico a instauração da crise imobiliária norte-americana.

Sobre os fatores recentes da crise
Tal crise imobiliária tem seu início em 2007 com a falência do Banco Lehman Brothers, cuja prática irresponsável (que não era efetivada só por esta instituição) consistia em cada dólar que dispunha, emprestar três.
Muitas quebras posteriores de instituições de financiamento de capital (geradas por conduções similares a apontada anteriormente) geraram um pânico nos investidores e um desequilíbrio conseqüente no investimento na Bolsa de Valores (isto é de grandes empresas, Sociedades Anônimas).
A crise chega em setembro de 2008 no Brasil.

Economia real revelando uma catástrofe de crédito e de atitudes
Um fator que foi colocado às claras com a crise foi a economia real americana e do mundo. Antes da crise, dada a suposta “estabilidade” e crescimento das economias globais, o que dava maior dimensão e estimulava tanto o fomento (financiamento) de negócios, quanto um panorama tendencial de negócios era a especulação financeira patrocinada pelo espaço de negócios nas bolsas de valores sob a engrenagem de capitais flutuantes (com grande mobilidade e de transferência rápida).
Mas com a crise veio a tona alguns elementos relativos a economia real, isto é, aquela que se efetiva nas trocas comerciais, no consumo, na produção de bens e serviços:
a) o consumo do homem americano se compunha como um dos motores da economia mundial até então “vencedora”;
b) contudo, este mesmo consumo revelava um modelo econômico insustentável, já que em geral, a família americana, para manter seu padrão de consumo era devedora de uma vez e meia dos ganhos que obtinha;
c) ademais, a dívida interna americana era duas vezes e meia maior que seu PIB, ou seja esse mesmo padrão insustentável se mantinha no plano da organização e do ordenamento econômico norte-americano.
Se é insustentável um padrão econômico como este, como é que a economia americana se sustentava?
Por mais contraditório que possa parecer, mas não é, esse endividamento mantinha a economia em movimento e determinava sua evolução e tendências, mas efetivamente só se sustentava por que os EUA capitalizavam 60% da poupança internacional.

A crise profunda - evidências
O Citibank valia até o ano passado 200 milhões de dólares, agora vale 4 milhões.
Os EUA encontram-se em 18 meses de recessão grave.
O Leste Europeu estimulado por este mesmo modelo de crescimento exacerbado e insustentável (por vezes sem lastro com a economia real) vai agora ao FMI e parece que vai se tornar devedor tal como nos anos de 1980 foi a América Latina.
A crise é profunda por que os Estados Unidos perdeu eficiência e competitividade. Um exemplo claro disso verificou-se no mercado de automóveis. A General Motors agora tem 60% de seu capital pertencente ao governo norte-americano. Os EUA produziam 17 milhões de automóveis, agora só 7 milhões. E o dilema do Brasil, neste contexto, é contar com elites incapazes de pensar um projeto nacional de futuro.

Semelhanças com a crise de 1929 e a política externa brasileira
Há semelhanças de prognósticos com a crise de 29, vez que em primeiro lugar, percebe-se um clima propício ao protecionismo comercial o que gera uma redução do comércio internacional. Ademais, fenômenos de autoritarismo das classes médias se evidenciam em momentos de crise em que ela é atingida, não é por acaso que no contexto de 1929 surgirão fenômenos políticos, que anos antes não tinham qualquer expressão nacional e posteriormente, como Hitler, Mussolini e o governo militarista japonês. Ou seja, surge um clima que favorece a industria bélica.
Por isso é importante a resposta dos governos. E nesse ponto o governo Lula desempenha grande papel, na medida que se recusou a sustentar o G8, apresentando-se em tais reuniões, quando convidado, como agente consultivo, e levou a cabo a instauração do G20 e sua consolidação como novo grupo de discussão em substituição ao monopólio dos países ricos com o G8.
A constituição do G20 e sua tomada de espaço no contexto da tomada de decisões internacionais, veio atrelada a alguns posicionamentos:
a) a defesa do não protecionismo;
b) a defesa de parâmetros de esforço fiscal para aumentar a arrecadação;
c) a tomada de medidas que visassem impedir a manutenção de paraísos fiscais.
Por isso é que o Brasil, segundo Mercadante, emerge como grande líder mundial. Hoje o Brasil é um dos agentes financeiros do FMI e resolveu investir no mesmo por que ganha mais do que com a compra de títulos do tesouro americano e também, por que agora pode impedir ações devastadoras por parte do Fundo que em tempos passados foi acometido.
Os Países como China, Índia e Brasil tem alguma vantagem por que representam mercados de massa e que portanto, conseguem manter a produção atrelado ao seu comércio interno.

Padrão positivo para investimentos governamentais
Outro dado importante que confirma bons rumos de administração de negócios públicos, por parte do governo Lula, segundo Mercadante, é que o BNDS atualmente possui um capital de recursos próprios cinco vezes maior do que o BIRD. Isso é resultado da dicotomia: boa administração interna de recursos por parte do governo federal e redução do potencial econômico e de investimento das antigas locomotivas econômicas mundiais, os países ricos. O panorama é positivo para o Brasil, e medidas como a baixa do spread bancário e do conseqüente aumento de crédito interno são possíveis de serem vislumbradas presentemente, mas também representam desafios.

A questão energética
Ademais - quanto a questão de fomento energético, estratégica para condução de um processo de expansão e manutenção econômica - a Petrobras fez a descoberta mais importante dos últimos 30 anos para o comércio internacional de Petróleo. Isso faz sentido, a medida em que observa-se que os EUA tem apenas quatro anos de extração de petróleo próprio garantido (A guerra do Afeganistão, mas sobretudo do Iraque se prestaram para garantir a manutenção de fornecimento deste insumo energético em suas mãos).
O Brasil deve passar a ser o nono ou oitavo maior exportador mundial de petróleo. E o governo Lula tem preocupação em garantir que o capital obtido com o Pré-sal venha garantir crescimento econômico, fortalecimento internacional e garantir uma reserva de riqueza que aplicadas no fundo soberano para garantir investimentos de ordem social e também, condições de fazer frentes a dificuldades econômicas ocasionais. Não é por acaso que a oposição inicia movimento visando privatizar o Pré-sal e por isso ataca a Petrobras.

Panorama positivo e condução governamental
O panorama é positivo para o Brasil. Nas crises anteriores o Brasil criava recessão para pagar a dívida. Com a crise atual, apenas China, Alemanha e Brasil detém uma industria automobilística (um dos focos que mais sofreram efeitos) que se mantém.
Ademais, o governo brasileiro apresenta políticas de estímulo a produção e consumo interno, exemplo disso é a desoneração que tem sido aplicada a bens como a geladeira e o fogão; ou ainda o programa Minha casa, minha vida.
O Brasil entrou tarde e sairá na frente, nesta crise, e com perspectiva de futuro. China e Índia tem que crescer e para tanto necessitam de alimentos, o Brasil fornecerá. A industria alimentícia e a agricultura Brasileira vão bem e tem contado com apoio do governo federal.
Ademais, o governo Lula mudou a relação com as prefeituras. O que favorece um quadro de implementação de políticas públicas integradas com fomento e assistência do governo federal a favorecer o crescimento regional.
No entanto, Serra não repõem o ICMS para os prefeitos.

Sobre os boatos de desconsideração ao Senado Federal
O Senado passa por crise, mas deve ser observado como importante para a manutenção do território nacional, vez que a proporcionalidade da Câmara gera fatores de concentração regional de interesses.
Mercadante vê como necessário que o Senado seja passado a limpo, mas com prognóstico de manutenção e de avanço.
Por fim, aponta que será candidato novamente ao Senado e que se tornará em breve presidente do Parlamento do Mercosul.

Palavras finais – o saldo do governo Lula
Mercadante acredita que a saída de Lula poderá emocionar a muitos e este fator pode se converter na chama emocional que irá convencer o eleitorado de que Dilma deve continuar. Esta está sob tratamento em andamento, sua doença apesar de séria, Linfoma (câncer no sangue), trata-se porém, especificamente de um linfoma de células grandes (menos sério), cujo prognóstico de cura é o de 90% dos casos.

Mercadante informou que para obtenção de maiores informações sobre suas opiniões, o seu site www.mercadante.com.br pode ser acessado.

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