sábado, 16 de maio de 2009

OBAMA E A INTERNET.


Após o término das eleições norte-americanas em 04 de novembro de 2008, uma pergunta surgiu, Obama venceu por causa da influência da internet em sua campanha? Toda a imprensa internacional afirmava que Obama mobilizou grande parte do eleitorado por meio da internet. O erro de muitos especialistas, porém, foi o de apontá-la como fator quase que exclusivo de vitória.
O acesso a internet não é fenômeno recente nos Estados Unidos. Desde o meio da década de 1990, milhões de norte-americanos já tinham garantido acesso, tanto no ambiente doméstico, como no de trabalho ou nas escolas. Só para se ter uma idéia comparativa, o acesso no Brasil, até 2007, era limitado a apenas 25% da população. Esse percentual é bastante semelhante ao encontrado nos Estados Unidos em 1996.
Os especialistas Peter D. Hart e David Gergen não são tão categóricos quanto ao poder de influência da internet. Para eles Obama venceu por influência da mesma ao utilizá-la como mecanismo de ativação eleitoral e como facilitador de doações de fundos para sua campanha, por que, o processo do exercício de vínculos em redes sociais de internet já havia se sedimentado anteriormente. Mas a vitória se deu, também, pela boa elaboração de discursos e propostas que foram resultantes de uma adequada leitura de contexto em um ambiente prospectivo do voto, tradução de um quadro de crise econômica e da conseqüente necessidade de um projeto social menos liberal. Essa, também, parece ser a opinião de Willian Wack, jornalista da Rede Globo de televisão.
O cenário que vinha se formando desde 2006, no caso norte-americano, era de um clima de mudança, em que preocupações com a política econômica eram sentidas. O cidadão médio americano passou a se preocupar com o seu reduzido poder de compra, com a expansão de serviços de acesso gratuito ou facilitado (dada as dificuldades de empregabilidade crescentes) e com a falta de transparência no governo George W. Bush. Com isso, a então dominante preocupação com a questão do terrorismo diluiu e fez retroceder a tendência conservadora do eleitorado. Esse conjunto de fatores fez de Obama um fenômeno eleitoral. Sua ampla campanha de rua, por telefone e televisão contou com a participação de muitos voluntários e de grupos organizados. Internet, realidade sócio-econômica e mobilização social foram os ingredientes de sua vitória.

Um comentário:

  1. Luis, prometo que em julho sentamos pra fazer o artigo...agora está meio complicado porque estou escrevendo o primeiro cap. da dissetação. Mas, concordo plenamente com seu texto, visões deterministas da internet são péssimas! Há toda uma conjuntura que os jornalistas mais apressados desconsideraram em suas análises. Pega o texto Communication, power and counter-power in the network society, do Castells..em determinado momento ele diz:
    "the media are not the holders (detentores) of the power, but they constitute by and large space where power is decided".
    E nesse texto ele vai falar cobre a personalização dos candidatos pela mídia..aí cai no lance da performance..enfim...ciao!

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