segunda-feira, 25 de maio de 2009

Música sobre lugares I - Dindi (epistême do poema, lirismo feito de mato)



Essa parece uma canção de amor, de contemplação da mulher amada. Mas na verdade se trata de um encontro profundo e reflexivo de Tom Jobim, com um lugar, um pasto. A casa de campo da família de Tom ficava em São José do Vale do Rio Preto, num lugar, chamado Poço Fundo do outro lado do rio da Fazenda Dirindi, que ele via da casa dele. E lá observava um terreno plano cheio de grama, céu e éteres...
"Ele via o rio passar, roncando nas pedras, as águas espumaradas. Aquele ruído o apaziguava. Na outra margem, começava o pasto que ia dar no morro do Dirindi. 'Dindi' não era, como muitos pensavam, um nome de mulher. Mas sim toda aquela vasta natureza e seus segredos", Helena Jobim, irmã de Tom, no livro "Antonio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado", Ed. Nova Fronteira.
Leia (e cantarole baixinho) a seguir sob esta ótica e surpreenda-se:

Dindi
Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão ah! eu não sei, não sei
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias
Que são de ninguém
Mas que são minhas
E de você também
Ah! Dindi Se soubesses do bem que eu te quero
O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi Lindo Dindi
Ah! Dindi Se um dia você for embora me leva contigo,
Dindi Fica, Dindi, olha Dindi
E as águas deste rio aonde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei, esperei por você, Dindi
que é a coisa mais linda que existe
Você não existe, Dindi
Olha, Dindi Adivinha, Dindi Deixa, Dindi Que eu te adore, Dindi... Dindi

2 comentários:

  1. Lindo, lindo, lindo.... E realmente, como o Tom sabiamente disse, "ah Dindi, vc não existe" !

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  2. Melhor que a música vídeo-game da qual o Maestro fora precursor (muito antes do video-game existir)! O Villa-Lobos então...

    Depois de Brahms, só a música video-game!

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