domingo, 24 de maio de 2009

Minha avó Sebastiana, uma mulher tarimbada!




Minha avó Sebastiana é de fato uma figura para salvar o sensível que teima em se subtrair de mim.
Hoje, sabadão, agora pouco, estive com ela, só para dar aquela olhadinha costumeira e ver como andava seu misterioso caminho metabólico de experiência humana. Então, eis que encontro ela deitada num colchão daqueles gordos, colchão sobre colchão (coisa de yanque). Cumprimentou-me e disse que estava confortável (naquela estrutura resultante de um processo industrial, acomodado pelo consumo recente das classes médias nacionais). Pois bem, minha vó, então, ao se reportar à beleza do instante de satisfação e conforto, fez um comentário com dado trato de voz, olhar e sinceridade (que não conseguirei reproduzir aqui) que me levou imediatamente a escrever este relato. Contou-me, então, que nem sempre pode dormir em tamanho bem estar. Houve tempo, segundo ela, que as coisas eram bem complicadas, muito duras. Coisa que eu não poderia entender. Vivia, quando jovem, a dormir sobre tarimbas. Tarimba? Perguntei. Eis que ela então explicou. Dormir era coisa que se fazia a repousar sob uma estrutura de quatro caixotes a compor a base que suportava várias madeiras de um estrado. Acima disso, um amontoado de palha de milho. Todas condicionadas pelo amarrado de palhas da mesma espécie, mas que nesse caso, compunham o envoltório da peça de dormir. Tudo era assim ... Tarimbado. Mesmo a poltrona. Tempos difíceis que eu não poderia crer como tais diante de um olhar singelo, sem lástimas e rancor. Salve simpatia!!!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ..." tirar os pés da terra firme e seguir viagemmm"...

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