quarta-feira, 13 de maio de 2009

A futebologia - versículo 1.


No obscuro dos murmúrios saudosistas, entre um gracejo resignado e a constatação do tédio ou da preguiça que acomoda aos observadores, um axioma (talvez um engano) irrompe das goelas do inconsciente: “O futebol acabou, agora só resta o vídeo- game”.
Para alguns desses mal-humorados, as justificações surgem na proposição de um termo histórico entre o futebol e as tecnologias: Zico, o galinho de Quintino. Há aqueles que comparam na memória do vídeo-tape, ou nas fantasias da emoção rememorada, jogadas e momentos que não se vivencia mais no mundo da bola.
O certo é que todo movimento humano, coletivo, sensível, acaba por se transformar no decorrer dos tempos.
O fruir da utilidade é o primeiro que recordamos. Quando a coisa pega, malandro: sai de baixo, que ai vem, a despeito da dor, da moral e da lenda, o tiro que mira a sobrevida.
Mas é fato que a grana logo coapta o útil, e a dimensiona por números e equivalentes sem poesia.
O sonho que era a cortina de nuvens no palco das realizações de um esporte de pobres e encardidos, deixou de chutar bolas e foi se tornar um colorido em alta definição e resolução em programados passos de escolinhas (? de futebol, parece) protegidas por grades e em discursos desses que a coca cola já nos ofereceu.
O sonho é popular, ou era ...
Bibliografia
BAUDRILLARD, Jean (1972). Para uma crítica da economia política do signo. Lisboa, Edições 70.
______________ (1981). Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio d'Água.
MARX, Karl (1999). Introdução à Crítica da Economia Política. In GIANOTTI, J. A.(Org.) Marx. São Paulo, Nova Cultural, p. 25-48.
PAPOS DE AMIGOS (entre o momentâneo e o incerto). Goles de botequim e sinceridade.
ZICO, ARTHUR ANTUNES DE COIMBRA (eternidade). Gols e humanidade que não passa pelas telas de televisão. Rio de Janeiro, Quintino.




4 comentários:

  1. A todo instante fiqueri pensando no Linha de Passe...como diria o Claudio, depois de uma longa pausa "É isso mesmo."
    Bjo
    Xenya

    ResponderExcluir
  2. Não poderia haver bibliografia melhor, caro Poca.
    E parafraseando sua polêmica e congragrada frase, diria que "a música acabou com Brahms". Merece um estudo, não é?

    ResponderExcluir
  3. Luizinho, meu caro.

    Sobre este tema, inclua na bibliografia o excelente conto "Esse est percipi", de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. Totalmente excelente.

    ResponderExcluir
  4. Bibliografia mais do que pertinente, mesmo, como já disse André. Eu não podia deixar de destacar.
    Obrigada!

    ResponderExcluir