sábado, 30 de maio de 2009

DILMA ROUSSEFF, EFETIVAMENTE, NO PÁREO ELEITORAL.



A última pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Vox Populi1, realizada neste mês, confirma a viabilidade eleitoral de Dilma na sucessão presidencial. No presente artigo serão analisados os dados da mesma, tendo em mira a questão da viabilidade de sua vitória.
Um elemento importante a ser observado como fator de base do cenário de opiniões no contexto de médio prazo no Brasil é a percepção por parte de 60 % do eleitorado nacional de que o Brasil melhorou muito ou melhorou um pouco. Os índices que devem ser associados, porém, para melhor entendimento da tendência eleitoral, são os que tratam da variação percentual daqueles que consideram que houve pouca piora ou muita, a saber de 8% para 10% e de 3% para 4% respectivamente, tendo em vista a pesquisa realizada em maio de 2008 e de maio deste ano. Portanto, percebe-se que o incidente da crise econômica mundial provocou uma diminuta mudança na orientação do eleitorado em relação a sua percepção e experiência vivenciada sobre o desenvolvimento nacional (há uma manutenção entre os que consideram que melhorou muito e que nada mudou, 15% e 26% respectivamente).
Quanto a dimensão (esperança) prospectiva do eleitorado, há uma orientação positiva por parte de 56% do eleitorado que consideram que o país irá melhorar nos anos futuros. A piora é considerada apenas por 13% do eleitorado. O tom de otimismo facilita uma discursividade que admite a continuação das plataformas do governo Lula.
O índice de ausência de preferência partidária no Brasil assume índices de redução recordes desde março de 2004, tem se reduzido a cada ano, atualmente 49% do eleitorado não tem partido de preferência. O PT se consolida como o partido com maior preferência partidária e aumenta os números historicamente constituídos, demonstrando uma aceitação de importante montante da sociedade brasileira, 29% do eleitorado. O PMDB mantém sua média de 8% e o PSDB parece demonstrar uma consolidação de 7% do eleitorado.
Quanto a rejeição partidária o PT mantém os índices de 8% do eleitorado (índice similar aos que rejeitam o governo Lula, o que pode levar a supor que estes tem como base primordial na constituição de opinião o fator ideológico, ou seja de ordem simbólica e não elementos de ordem sócio-econômica ou de fatores relacionados a políticas públicas. PMDB e PSDB têm 5% de rejeição.
O fator de simpatia ao PT, ou seja, de sentimento favorável ao partido subiu de 47% para 59% no período de um ano. Os índices de indiferentes reduziu-se de 41% para 28% e o de desfavoráveis permanece o mesmo. Esse elemento parece importante ser destacado uma vez que se percebe uma tomada de decisão do eleitorado nacional em ver como positiva a atuação do partido (dado o impasse de juízo produzido pelas denúncias do "mensalão").
O fator que pode apoiar esta percepção eleitoral é a noção que, confirmada pela pesquisa, tem bases no atrelamento percebido entre valores de modernidade, dinamismo, de trabalho e de atitude à imagem do partido para a maior parte do eleitorado.
A questão da crise econômica internacional parecia um grande desafio para as pretensões de Lula em fazer eleito um membro de seu grupo político na sucessão presidencial. Contudo a pesquisa confirma a manutenção da média de avaliação positiva do governo, mesmo com a crise, e também um aumento percentual entre aqueles que consideram o governo ótimo ou bom. Uma queda é notada entre aqueles que consideravam, antes da crise, o governo regular (de 25% para 21%), já entre aqueles que afirmavam não aprovação mantém-se os números nos mesmos patamares.
Um dos fatores importantes para explicar a sustentação de índices favoráveis de avaliação do governo Lula não está firmada só naquilo que muitos analistas consideram como fator simbólico agregado a sua imagem. É verdade que Lula, enquanto referencial coletivo agrega valores relacionados a defesa de ideários de esquerda que no Brasil são assimilados mesmo por direitistas ou centristas (ou seja, da valorização do fator de igualdade frente aos de liberdade na atividade social). Há fatores de ordem objetiva materializados em políticas públicas percebidas diretamente por grande contingente populacional que faz de Lula um fator de mediação não meramente simbólico, ou de ideais, mas de resultados da ordem social e econômica que blindam fatores de natureza simbólica que estejam distanciados desta experiência mais direta.
Fatores de ordem simbólica, como preferência partidária, ideológica ou simpatia versus antipatia demonstram menor força do que experiências de ganhos econômicos ou materiais (direta ou indiretamente percebidos) e podem por vezes sucumbir, sobretudo, quando não incorporados de forma radical ou definitiva pelo indivíduo (0 que normalmente ocorre na sua formação, a longo prazo e necessita de envolvimento profundo com uma base discursivo ideológica ou com uma experiência muito marcante na tragetória do indivíduo).
Percebe-se o bolsa família, o aumento e acréscimo do poder aquisitivo do salário mínimo (fator longo prazo) e o recente processo de financiamento e viabilização da casa própria como elementos sustentadores da boa avaliação de Lula e de seu partido (posto que mantidos no decorrer do tempo, e experimentados como processo contínuo que confirma sua vericidade).
Políticas públicas realizadas pelo governante, normalmente, garantem sua eleição. Não só por sua visibilidade, mas pela confirmação da mesma por elementos materializados em experiências dos indivíduos com o serviço público. Um referenda o outro.
No caso do governo Lula, 36% do eleitorado (34% no ano anterior) aponta a implantação de programas sociais como o que de melhor foi feito por Lula. O programa Bolsa Família é apontado por 31% (27% no ano anterior).
Política econômica é também apontada por 19% (20% no ano anterior), Mas o mais surpreendente foi a alteração de 1% para 7% de preferência para investimentos em habitação, índice importante diante de um projeto iniciado a pouco tempo e que promete beneficiar também a classe média.
Não é por acaso que para 26% do eleitorado, segundo a pesquisa, todas as políticas devem ser continuadas, enquanto que para 47% algumas devem mudar e a maioria continuar, e 16% entende que algumas tem que continuar e a maioria mudar (nesse último índice foi que unicamente observou-se uma redução de opiniões, 20% no ano passado. Parece que o pacto com a classe média – por vezes, irritada com as política ditas assistencialistas - trouxe já algum resultado). Mudar todas as políticas foi a opinião de 8% do eleitorado, índice idêntico ao dos que rejeitam o governo Lula.
Todos estes fatores levaram ao resultado de crescimento de intensões de voto para a candidata extra-oficial Dilma Rousseff.
Serra reduziu 10 pontos percentuais, Dilma subiu 10, em meio a crise e a propaganda que ambos tem buscado promover.
O eleitorado de Heloísa Helena provavelmente migraria para Dilma (numa eventual ausência da primeira candidata ou de um segundo turno), mas sem Heloísa e Aécio, Serra tem 48% e Dilma 25%
É interessante ter em mira, também, as opiniões relacionadas ao que de pior se identifica no governo Lula. Aqui verifica-se que o fator de ordem simbólico-moral da corrupção é o fator de maior mobilização contra a figura de Lula (9% dos consultados), ademais, também é percentualmente considerável (5% do eleitorado estimado) a insensibilidade às suas políticas de programas sociais (provável calcada na idéia de assistencialismo injustificável) – discurso direitista - e o enorme percentual daqueles que não puderam opinar já que não sabiam ou não tinham resposta (24%) ou por que não tinham o que opinar, uma vez que não identificavam um único fator negativo (37%). Vê-se ai o imperium da realidade social condicionando as opiniões.
Mas para se ter uma estimativa do real potencial de Dilma, Serra e Aécio, é importante observar como se distribuem as intenções eleitorais conforme o perfil do município em que vivem os eleitores. Para tanto dividiu-se a amostragem em moradores de capital, região metropolitana, cidade de porte grande, médio e pequeno.
Na análise destes dados percebe-se que Dilma tem uma média eleitoral equilibrada em todos os tipos de cidades. O discurso mais efusivo e radical de Heloísa Helena encontra maior respaldo em cidades como capitais e regiões metropolitanas, mas a diferença percentual, não é muito grande. José Serra tem uma vantagem em municípios de menor monta, nos grande, médios e pequenos sua vantagem é bem superior.
Os municípios menores demoram mais para serem atingidos pelo efeito simbólico e de informações do clima eleitoral. Com o programa Minha casa, minha vida, do governo federal, este fator poderá ser estendido em favor de Dilma, tanto mais for veiculada a imagem de Dilma na televisão identificando-a como braço direito de Lula nesse projeto e, também, os efeitos do mesmo forem sendo revertidos em favor de parte da população brasileira. Por enquanto, tem-se alguns efeitos de início deste último programa de Lula, mas em breve (e com o arrefecimento da crise) esse fator de política pública para pobres e classe média, ativará o eleitorado. É possível que possamos ter um quadro de boa definição do eleitorado até o fim do ano.
Aécio tem a vantagem de ter um perfil próximo ao de Dilma (nunca disputou a presidência e tem como valor agregado positivo, o seu desempenho técnico). O governador mineiro tem apostado na idéia de moderação político-partidária e modernização da gestão e máquina pública (segundo as recentes entrevistas que tem oferecido). Aécio diz que Lula é bom e é símbolo de esperança, mas que o Brasil deve avançar (Aécio tenta alocar um discurso prospectivo para o quadro positivo atual, o que pode ser observado como uma tendência como foi apontado anteriormente, o que não quer dizer que possa se fazer como fator determinante para mobilizar o eleitorado em seu favor). Serra não tem se posicionado tão afirmativamente. Na verdade, Serra corre o risco de ser um novo Alckmin, na medida em que não é conhecido por políticas públicas fora de São Paulo. Esse problema tem sido enfrentado por publicidade maciça do governo estadual difundida fora deste território (mas só publicidade não resolve, como vimos, o desafio da referencialidade da imagem e governo de Lula atrelada a fruição de políticas públicas).
Serra também não é simpático, Aécio é. Serra tem defendido medidas moralizantes com o pulso da dureza da lei, sem diálogo direto com a população. Por isso é que ainda que algumas medidas que tem tomado (como a recente lei anti-tabagismo) sejam apoiadas pela maioria da população, a forma como é conduzida suas ações demonstram uma inflexibilidade e coerção imediata sem diálogos. Tal como as elites paulistas, Serra tem dificuldade de dialogar, e se fazer compreendido, com os, e pelos, menos abastados.
Por todos estes estes motivos, cujas bases eram observadas na pesquisa anterior do Vox Populi (realizada nos mesmos moldes em maio do ano passado) e nos acontecimentos presentes da ordem social, econômica e política é que se percebe um potencial de crescimento em Dilma e um possível enfrentamento de preferência eleitoral que promete, em breve, rivalidade em equivalência numérica.
1Pesquisa quantitativa nacional, realizada entre 02 e 07 de maio de 2009, em 305 municípios.
Foi adotada uma amostra estratificada por cotas, com o total de 2.000 (duas mil) entrevistas, para obter representatividade para o conjunto do Brasil e para todas as regiões.

3 comentários:

  1. Essa eleição será a do confronto de governos. De um lado, o atual. Do outro, o governo FHC. Espero que a população veja qual realmente olhou para os mais necessitados.

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  2. Hoje vi a Dilma na TV... como ela parece abatida! mas tem um potencial enorme de crescimento, ao passo que o Nosferatu não cresce em metade do país. É hora de criaturas iluminadas como o Sr. unirem recursos e esforços para derrotar o projeto tucano-vampirista .

    Ah, obrigado pela resenha de meu livro "Mussolini é pouco: porrada neles!".

    Abraços! Todo o Fogo é pouco!

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  3. Olá, Luiz. Parabéns pela análise, concordo com ela. O Governo Lula, por meio de suas políticas públicas, traz benefícios concretos para dezenas de milhões de brasileiros. Este governo proporcionou uma verdadeira revolução econômico-social nos municípios mais pobres, do interior deste país. Muitos analistas políticos da grande mídia valem-se de elementos secundários e sofismas para fazer previsões sobre 2010. Mas a população não é idiota e não vai votar em um candidato pelo simples fato de ser mais conhecido, quando pode votar em uma candidata que garantirá a continuidade destas políticas públicas amplamente aprovadas. A eleição de Recife, no ano passado, por exemplo, demonstrou isso.

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