sábado, 30 de maio de 2009

DILMA ROUSSEFF, EFETIVAMENTE, NO PÁREO ELEITORAL.



A última pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Vox Populi1, realizada neste mês, confirma a viabilidade eleitoral de Dilma na sucessão presidencial. No presente artigo serão analisados os dados da mesma, tendo em mira a questão da viabilidade de sua vitória.
Um elemento importante a ser observado como fator de base do cenário de opiniões no contexto de médio prazo no Brasil é a percepção por parte de 60 % do eleitorado nacional de que o Brasil melhorou muito ou melhorou um pouco. Os índices que devem ser associados, porém, para melhor entendimento da tendência eleitoral, são os que tratam da variação percentual daqueles que consideram que houve pouca piora ou muita, a saber de 8% para 10% e de 3% para 4% respectivamente, tendo em vista a pesquisa realizada em maio de 2008 e de maio deste ano. Portanto, percebe-se que o incidente da crise econômica mundial provocou uma diminuta mudança na orientação do eleitorado em relação a sua percepção e experiência vivenciada sobre o desenvolvimento nacional (há uma manutenção entre os que consideram que melhorou muito e que nada mudou, 15% e 26% respectivamente).
Quanto a dimensão (esperança) prospectiva do eleitorado, há uma orientação positiva por parte de 56% do eleitorado que consideram que o país irá melhorar nos anos futuros. A piora é considerada apenas por 13% do eleitorado. O tom de otimismo facilita uma discursividade que admite a continuação das plataformas do governo Lula.
O índice de ausência de preferência partidária no Brasil assume índices de redução recordes desde março de 2004, tem se reduzido a cada ano, atualmente 49% do eleitorado não tem partido de preferência. O PT se consolida como o partido com maior preferência partidária e aumenta os números historicamente constituídos, demonstrando uma aceitação de importante montante da sociedade brasileira, 29% do eleitorado. O PMDB mantém sua média de 8% e o PSDB parece demonstrar uma consolidação de 7% do eleitorado.
Quanto a rejeição partidária o PT mantém os índices de 8% do eleitorado (índice similar aos que rejeitam o governo Lula, o que pode levar a supor que estes tem como base primordial na constituição de opinião o fator ideológico, ou seja de ordem simbólica e não elementos de ordem sócio-econômica ou de fatores relacionados a políticas públicas. PMDB e PSDB têm 5% de rejeição.
O fator de simpatia ao PT, ou seja, de sentimento favorável ao partido subiu de 47% para 59% no período de um ano. Os índices de indiferentes reduziu-se de 41% para 28% e o de desfavoráveis permanece o mesmo. Esse elemento parece importante ser destacado uma vez que se percebe uma tomada de decisão do eleitorado nacional em ver como positiva a atuação do partido (dado o impasse de juízo produzido pelas denúncias do "mensalão").
O fator que pode apoiar esta percepção eleitoral é a noção que, confirmada pela pesquisa, tem bases no atrelamento percebido entre valores de modernidade, dinamismo, de trabalho e de atitude à imagem do partido para a maior parte do eleitorado.
A questão da crise econômica internacional parecia um grande desafio para as pretensões de Lula em fazer eleito um membro de seu grupo político na sucessão presidencial. Contudo a pesquisa confirma a manutenção da média de avaliação positiva do governo, mesmo com a crise, e também um aumento percentual entre aqueles que consideram o governo ótimo ou bom. Uma queda é notada entre aqueles que consideravam, antes da crise, o governo regular (de 25% para 21%), já entre aqueles que afirmavam não aprovação mantém-se os números nos mesmos patamares.
Um dos fatores importantes para explicar a sustentação de índices favoráveis de avaliação do governo Lula não está firmada só naquilo que muitos analistas consideram como fator simbólico agregado a sua imagem. É verdade que Lula, enquanto referencial coletivo agrega valores relacionados a defesa de ideários de esquerda que no Brasil são assimilados mesmo por direitistas ou centristas (ou seja, da valorização do fator de igualdade frente aos de liberdade na atividade social). Há fatores de ordem objetiva materializados em políticas públicas percebidas diretamente por grande contingente populacional que faz de Lula um fator de mediação não meramente simbólico, ou de ideais, mas de resultados da ordem social e econômica que blindam fatores de natureza simbólica que estejam distanciados desta experiência mais direta.
Fatores de ordem simbólica, como preferência partidária, ideológica ou simpatia versus antipatia demonstram menor força do que experiências de ganhos econômicos ou materiais (direta ou indiretamente percebidos) e podem por vezes sucumbir, sobretudo, quando não incorporados de forma radical ou definitiva pelo indivíduo (0 que normalmente ocorre na sua formação, a longo prazo e necessita de envolvimento profundo com uma base discursivo ideológica ou com uma experiência muito marcante na tragetória do indivíduo).
Percebe-se o bolsa família, o aumento e acréscimo do poder aquisitivo do salário mínimo (fator longo prazo) e o recente processo de financiamento e viabilização da casa própria como elementos sustentadores da boa avaliação de Lula e de seu partido (posto que mantidos no decorrer do tempo, e experimentados como processo contínuo que confirma sua vericidade).
Políticas públicas realizadas pelo governante, normalmente, garantem sua eleição. Não só por sua visibilidade, mas pela confirmação da mesma por elementos materializados em experiências dos indivíduos com o serviço público. Um referenda o outro.
No caso do governo Lula, 36% do eleitorado (34% no ano anterior) aponta a implantação de programas sociais como o que de melhor foi feito por Lula. O programa Bolsa Família é apontado por 31% (27% no ano anterior).
Política econômica é também apontada por 19% (20% no ano anterior), Mas o mais surpreendente foi a alteração de 1% para 7% de preferência para investimentos em habitação, índice importante diante de um projeto iniciado a pouco tempo e que promete beneficiar também a classe média.
Não é por acaso que para 26% do eleitorado, segundo a pesquisa, todas as políticas devem ser continuadas, enquanto que para 47% algumas devem mudar e a maioria continuar, e 16% entende que algumas tem que continuar e a maioria mudar (nesse último índice foi que unicamente observou-se uma redução de opiniões, 20% no ano passado. Parece que o pacto com a classe média – por vezes, irritada com as política ditas assistencialistas - trouxe já algum resultado). Mudar todas as políticas foi a opinião de 8% do eleitorado, índice idêntico ao dos que rejeitam o governo Lula.
Todos estes fatores levaram ao resultado de crescimento de intensões de voto para a candidata extra-oficial Dilma Rousseff.
Serra reduziu 10 pontos percentuais, Dilma subiu 10, em meio a crise e a propaganda que ambos tem buscado promover.
O eleitorado de Heloísa Helena provavelmente migraria para Dilma (numa eventual ausência da primeira candidata ou de um segundo turno), mas sem Heloísa e Aécio, Serra tem 48% e Dilma 25%
É interessante ter em mira, também, as opiniões relacionadas ao que de pior se identifica no governo Lula. Aqui verifica-se que o fator de ordem simbólico-moral da corrupção é o fator de maior mobilização contra a figura de Lula (9% dos consultados), ademais, também é percentualmente considerável (5% do eleitorado estimado) a insensibilidade às suas políticas de programas sociais (provável calcada na idéia de assistencialismo injustificável) – discurso direitista - e o enorme percentual daqueles que não puderam opinar já que não sabiam ou não tinham resposta (24%) ou por que não tinham o que opinar, uma vez que não identificavam um único fator negativo (37%). Vê-se ai o imperium da realidade social condicionando as opiniões.
Mas para se ter uma estimativa do real potencial de Dilma, Serra e Aécio, é importante observar como se distribuem as intenções eleitorais conforme o perfil do município em que vivem os eleitores. Para tanto dividiu-se a amostragem em moradores de capital, região metropolitana, cidade de porte grande, médio e pequeno.
Na análise destes dados percebe-se que Dilma tem uma média eleitoral equilibrada em todos os tipos de cidades. O discurso mais efusivo e radical de Heloísa Helena encontra maior respaldo em cidades como capitais e regiões metropolitanas, mas a diferença percentual, não é muito grande. José Serra tem uma vantagem em municípios de menor monta, nos grande, médios e pequenos sua vantagem é bem superior.
Os municípios menores demoram mais para serem atingidos pelo efeito simbólico e de informações do clima eleitoral. Com o programa Minha casa, minha vida, do governo federal, este fator poderá ser estendido em favor de Dilma, tanto mais for veiculada a imagem de Dilma na televisão identificando-a como braço direito de Lula nesse projeto e, também, os efeitos do mesmo forem sendo revertidos em favor de parte da população brasileira. Por enquanto, tem-se alguns efeitos de início deste último programa de Lula, mas em breve (e com o arrefecimento da crise) esse fator de política pública para pobres e classe média, ativará o eleitorado. É possível que possamos ter um quadro de boa definição do eleitorado até o fim do ano.
Aécio tem a vantagem de ter um perfil próximo ao de Dilma (nunca disputou a presidência e tem como valor agregado positivo, o seu desempenho técnico). O governador mineiro tem apostado na idéia de moderação político-partidária e modernização da gestão e máquina pública (segundo as recentes entrevistas que tem oferecido). Aécio diz que Lula é bom e é símbolo de esperança, mas que o Brasil deve avançar (Aécio tenta alocar um discurso prospectivo para o quadro positivo atual, o que pode ser observado como uma tendência como foi apontado anteriormente, o que não quer dizer que possa se fazer como fator determinante para mobilizar o eleitorado em seu favor). Serra não tem se posicionado tão afirmativamente. Na verdade, Serra corre o risco de ser um novo Alckmin, na medida em que não é conhecido por políticas públicas fora de São Paulo. Esse problema tem sido enfrentado por publicidade maciça do governo estadual difundida fora deste território (mas só publicidade não resolve, como vimos, o desafio da referencialidade da imagem e governo de Lula atrelada a fruição de políticas públicas).
Serra também não é simpático, Aécio é. Serra tem defendido medidas moralizantes com o pulso da dureza da lei, sem diálogo direto com a população. Por isso é que ainda que algumas medidas que tem tomado (como a recente lei anti-tabagismo) sejam apoiadas pela maioria da população, a forma como é conduzida suas ações demonstram uma inflexibilidade e coerção imediata sem diálogos. Tal como as elites paulistas, Serra tem dificuldade de dialogar, e se fazer compreendido, com os, e pelos, menos abastados.
Por todos estes estes motivos, cujas bases eram observadas na pesquisa anterior do Vox Populi (realizada nos mesmos moldes em maio do ano passado) e nos acontecimentos presentes da ordem social, econômica e política é que se percebe um potencial de crescimento em Dilma e um possível enfrentamento de preferência eleitoral que promete, em breve, rivalidade em equivalência numérica.
1Pesquisa quantitativa nacional, realizada entre 02 e 07 de maio de 2009, em 305 municípios.
Foi adotada uma amostra estratificada por cotas, com o total de 2.000 (duas mil) entrevistas, para obter representatividade para o conjunto do Brasil e para todas as regiões.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

AGNALDO SILVA, ESCRITA E OLHARES.



Dias atrás, Agnaldo Silva - jornalista, escritor e autor de telenovelas - disse não se recordar de alguma novela, nos últimos cinco anos, com diferencial que merecesse destaque. Tal comentário não passou despercebido, afinal de contas, Agnaldo, de fato, sabe escrever como poucos1.
Para ele, a técnica da escrita de novelas deve observar alguns elementos mínimos para sustentar a composição de uma boa estória. Primeiro, antes de tudo, o autor deve ter, em sua cabeça, já um começo, desenvolvimento e fim determinados (o que parece ser um contra-senso em momentos de novelas “vídeo-game” programadas conforme às nuances da sondagem de audiência).
Também, a procura pelo detalhe que faça interessante o ato de contar um fato é por ele destacada; Agnaldo considera que os autores têm repetido uma fórmula antiga que faz das tramas, uma mesma estória com nomes e roupas diferentes.
O autor de “O Homem Que Comprou o Rio” e de “Prendam Giovanni Improtta” é um obsecado pelo dialogismo, as contradições presentes na vida não são refutadas na composição de seus personagens, ambientes e relações. A vida real não é evitada sob a roupagem de um discurso do bom senso de escrita novelista.
Ademais, Agnaldo tem uma leitura autêntica da nova cena da sociedade brasileira, em particular o ethos carioca. Consegue suplantar o consensual ipanemismo e põe frente a frente, o que faz da realidade uma totalidade, os dois lados do Túnel Rebouças.
Nas novelas de Agnaldo a questão da democracia brasileira que se constitui é sempre levantada. Tanto na reprise de A senhora do Destino, como em Duas Caras, isso se evidencia. Nesta última, por exemplo, é possível recordar-se de Juvenal Antena, segurança de uma empresa falida que ao se ver envolvido em um motim contra o patronato, percebe a “oportunidade” de se fazer e manter como líder daqueles que reivindicavam um lugar para viver. O pano de fundo na composição dos personagens Juvenal Antena e Adalberto Rangel (Ferraço depois da plástica) tiveram, respectivamente, em Lula e José Dirceu uma miragem - foi o que o autor confessou, anteriormente -, mas um tom especial, independente das posições ideológicas particulares, existe na elaboração das ações das personagens em sua obra, ninguém é descrito como perfeito, como ideário ou como plataforma temática. E também, nem todos os atos são frutos de um projeto racional ou moralmente ilibado, mas a mistura entre a dimensão dos interesses pessoais e o intrincado coletivo - por vezes imoral, mas nem sempre.
Agnaldo obtém essa tessitura textual por que mira a vida fora das telas de televisão. Conhece ricos e pobres por convivência. E não tem uma leitura que se coaduna aos preconceitos recorrentes dos mais abastados. Esse fator permite a ele compor uma leitura muito interessante acerca da lógica dominante, nos discursos, atitudes e no psiquismo de sujeitos componentes das elites econômicas brasileiras.
Nas duas últimas novelas de Agnaldo, o mundo do trabalho e os meios de produção são apresentados na dinâmica daquele que trabalha e produz. Nesse ponto o novelista parece confrontar a retórica estruturalista e idealista - por que desapegada da realidade cotidiana – de um discurso esquerdizado do passado.
Agnaldo acerta ao perceber que há um domínio de valores estatutários, uma lógica simbólica que impede às elites de se enxergarem à natureza da sua real posição de destaque “hierárquico”. Não é por acaso que o autor destaca esse comportamento míope do merecimento etiquetado como o de estagnação das elites. A recordação do caso do casal Leonardo e Gisela – interpretados por Wolf Maia e Ângela Vieira -, pais de Maria Eduarda – interpretada por Débora Falabella - na trama “A senhora do Destino”, cabe aqui.
As construções narrativas de Agnaldo Silva têm como núcleo ordenador um elemento dramático que é reproduzido no interesse e imaginário popular (de diferentes classes sociais).
Controverso e polêmico, por vezes; mas maduro (no sentido amplo da palavra), sensível e com um poder consciente de análise e reprodução de visões de mundo: Agnaldo Silva, um autor brasileiro de telenovelas.
1“Cansado da mesmice na teledramaturgia, Aguinaldo Silva está à frente do que pode ser a primeira novela escrita por um coletivo da TV brasileira. Chega ao fim nesta sexta-feira o workshop de roteiro ministrado pelo autor e ele está radiante: a TV Globo já demonstrou interesse na sinopse desenvolvida por ele em parceria com os 15 alunos do curso.
A história, "criada a 32 mãos", como brinca Aguinaldo, gira em torno de uma mulher que é uma faz-tudo de toda espécie de serviços masculinos, como consertar eletrodomésticos e até carros.
Aguinaldo sonha com Glória Pires para a personagem principal, que se chama Griselda Pereira.
"Por conta do seu ofício, ela ganha o apelido de Pereirão", conta ele à coluna. O título provisório da trama, que promete inaugurar uma nova era na história da TV, e que já foi até registrado é Marido de Aluguel.”
TERRA TV (2009) Aguinaldo Silva quer Glória Pires em novela "coletiva" Fonte: http://diversao.terra.com.br/tv/interna/0,,OI3775757-EI12993,00.html.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Música sobre lugares I - Dindi (epistême do poema, lirismo feito de mato)



Essa parece uma canção de amor, de contemplação da mulher amada. Mas na verdade se trata de um encontro profundo e reflexivo de Tom Jobim, com um lugar, um pasto. A casa de campo da família de Tom ficava em São José do Vale do Rio Preto, num lugar, chamado Poço Fundo do outro lado do rio da Fazenda Dirindi, que ele via da casa dele. E lá observava um terreno plano cheio de grama, céu e éteres...
"Ele via o rio passar, roncando nas pedras, as águas espumaradas. Aquele ruído o apaziguava. Na outra margem, começava o pasto que ia dar no morro do Dirindi. 'Dindi' não era, como muitos pensavam, um nome de mulher. Mas sim toda aquela vasta natureza e seus segredos", Helena Jobim, irmã de Tom, no livro "Antonio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado", Ed. Nova Fronteira.
Leia (e cantarole baixinho) a seguir sob esta ótica e surpreenda-se:

Dindi
Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão ah! eu não sei, não sei
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias
Que são de ninguém
Mas que são minhas
E de você também
Ah! Dindi Se soubesses do bem que eu te quero
O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi Lindo Dindi
Ah! Dindi Se um dia você for embora me leva contigo,
Dindi Fica, Dindi, olha Dindi
E as águas deste rio aonde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei, esperei por você, Dindi
que é a coisa mais linda que existe
Você não existe, Dindi
Olha, Dindi Adivinha, Dindi Deixa, Dindi Que eu te adore, Dindi... Dindi

domingo, 24 de maio de 2009

Minha avó Sebastiana, uma mulher tarimbada!




Minha avó Sebastiana é de fato uma figura para salvar o sensível que teima em se subtrair de mim.
Hoje, sabadão, agora pouco, estive com ela, só para dar aquela olhadinha costumeira e ver como andava seu misterioso caminho metabólico de experiência humana. Então, eis que encontro ela deitada num colchão daqueles gordos, colchão sobre colchão (coisa de yanque). Cumprimentou-me e disse que estava confortável (naquela estrutura resultante de um processo industrial, acomodado pelo consumo recente das classes médias nacionais). Pois bem, minha vó, então, ao se reportar à beleza do instante de satisfação e conforto, fez um comentário com dado trato de voz, olhar e sinceridade (que não conseguirei reproduzir aqui) que me levou imediatamente a escrever este relato. Contou-me, então, que nem sempre pode dormir em tamanho bem estar. Houve tempo, segundo ela, que as coisas eram bem complicadas, muito duras. Coisa que eu não poderia entender. Vivia, quando jovem, a dormir sobre tarimbas. Tarimba? Perguntei. Eis que ela então explicou. Dormir era coisa que se fazia a repousar sob uma estrutura de quatro caixotes a compor a base que suportava várias madeiras de um estrado. Acima disso, um amontoado de palha de milho. Todas condicionadas pelo amarrado de palhas da mesma espécie, mas que nesse caso, compunham o envoltório da peça de dormir. Tudo era assim ... Tarimbado. Mesmo a poltrona. Tempos difíceis que eu não poderia crer como tais diante de um olhar singelo, sem lástimas e rancor. Salve simpatia!!!

sábado, 23 de maio de 2009

SOBRE A LÓGICA DAS ELITES NACIONAIS




O elemento fulcral de estabilização de um modelo vigente é a sua naturalização, ou seja, a assimilação de sua inevitabilidade. Pross (1974) aponta que no caso da compreensão da realidade política, a base de numerosas e contraditórias relações, que são inerentes às ações humanas, vão-se acumulando numa provisão de signos que se poderia denominar muito bem por material familiar, pelo que se prova e é repetidamente conhecido. Uma repetibilidade não problemática, ou seja, que não suscite a noção de mudança repentina da sua confiança originária, é algo que estabiliza o sujeito.
Por isso Pross (1974) aponta que com a ausência de questionamentos, a consciência interpretante do sujeito se estreita numa continuidade relacional, vez que tal consciência só se poderá ver dilatada com a convivência de uma crise que abra porta para relações de significado diferentes.
Tendo isso em vista, no contexto nacional, Viana e Carvalho (2000) apontam que o desenvolvimento civilizatório brasileiro sempre ocorreu no confronto da mecânica patrimonialista de nossas elites e do estímulo liberal de modernização por parte do Estado (imposição do modelo econômico vigente em expansão mundial).
Essa polarização sempre dominou o estado da arte no desenvolvimento produtivo nacional. O Estado novo, segundo apontam, representou um momento histórico em que o Estado visou expandir as relações de trabalho e impulsionar o Brasil a situações de desenvolvimento industrial e urbano, tanto quanto, de modernização dos processos de monocultura por meio de controle estatal das normas de trabalho, de incentivo controlado à organização das corporações de trabalhadores e da garantia de melhores condições de trabalho, visando um maior desenvolvimento dos setores produtivos. Contudo, segundo Viana e Carvalho (2000), em todos os momentos em que o Estado impunha um processo de garantia de direitos e organização do espaço de produção, movimentos das elites sempre reagiram num sentido patrimonialista, o que explica até hoje contextos de afastamento das proposições e ações do aparelho normativo estatal, em relação às efetivações políticas e de organização efetiva da sociedade[1].
Constata-se daí, um ethos conservador no espaço das elites nacionais e um despregamento dessas em relação ao arranjo da realidade social (consubstanciado pela práticas sociais dos grupos subalternos, pelo discurso idealizado pelos comandos normativos e não efetivados no espaço da realidade social, por um descompasso entre o processo produtivo e o discurso de políticas que acaba fazendo desse último, mero instrumento simbólico e de barganha social)[2]. Por isso, é que por vezes, nossas elites acabam sofrendo uma espécie de miopia da realidade da sociedade em geral, quando buscam catapultar sentimentos alheios.
A lógica em geral estimulada pelos reclames publicitários gira em torno do estímulo a compra de produtos, associada a um modo de diferenciação que é inerente a escolha dos bens e que é projetada em formas discursivas de diferenciação social do adquirente.
Contudo, nem sempre essa lógica se sobressai. Após, 2006, com a reeleição de Luís Inácio Lula da Silva, o apoio às medidas do governo, tinham como base de sustentação de realidade as políticas públicas que eram percebidas de forma direta pelas classes econômicas C, D e E. Assim o elemento simbólico de referência da ordem política do estado em vigência, se configurava em situações de proximidade da realidade social desses grupos que não poderiam ser superadas pela forma com que foi elaborada o material de campanha do movimento Cancei.
Tal material repercute os modos com que normalmente buscam as elites nacionais, produzir efeito simbólico nas classes subalternas, ou seja, a partir da introdução de um processo simbólico mediador que conta com o efeito de afastamento do sujeito em relação a referenciais de realidade objetiva.

[1] “No Brasil, se a via de republicanização democrática pelo mercado encontrou, em algum momento, a possibilidade da sua realização, isso se deu no Estado de São Paulo, único estado da Federação onde a dimensão do interesse se projetou em escala afirmativa. Ali, sem dúvida, estavam dadas as pré-condições para um trânsito bem-sucedido a uma ordem social competitiva, e que viesse, depois, a se difundir pelos demais estados da Federação, como, aliás, recomendava Alberto Salles. Dois movimentos, porém, originários de suas elites, obstaram essa vasta operação hegemônica: de um lado, a engenharia política que, no começo da Primeira República, as levou à solidarização com a ordem patrimonial por meio do sistema político do coronelismo; de outro, a sua concepção estreita e excludente da ordem liberal, que as manteve refratárias à incorporação das classes médias urbanas e da classe operária ao seu sistema da ordem. Assim, foi o liberalismo excludente das elites de São Paulo que o comprometeu com o patrimonialismo, tornando-o incapaz de se abrir a critérios universalistas e impedindo a matriz do mercado de cumprir um papel mais forte na construção da práxis republicana no país.
Quando, na década de 30, se intensifica o processo de modernização burguesa, aquela matriz já não é mais livre, nem vige o livre-contrato; ela se encontra regulada politicamente pelo Estado, com todos os seus principais atores no interior da estrutura corporativa” (VIANA e CARVALHO, 2000, p. 30 e 31).
[2] Em verdade nota-se dois movimentos dentro do seio da elite nacional, um conservador e outro atinente aos processos de modernização produtiva.

Referências bibliográficas:
PROSS, Harry (1974). Estructura simbólica del poder. São Paulo: Técnica J. Catalán.
VIANNA, L. W. & CARVALHO, M. A. R. 2000. República e civilização brasileira. In : BIGNOTTO, N. (org.). Pensar a República. Belo Horizonte : UFMG.

A futebologia - versículo 3.


Na mídia, não há cotas... para a poesia.

João Antônio, futebólogo das antigas, trata de um momento crucial da transição entre futebol e vídeo-game, por meio da questão racial (que sabemos bem que não se trata só disso mas também diz respeito ao ethos do futebol).

Futebol brasileiro está embranquecido demais

Potoca, pela, lorota, fajutagem – tudo quer dizer o mesmo: mentiralhada.
Entre as boas potocas do País, há uma que reza, farisaicamente, que somos uma democracia racial. É o que dizem até “sábios” consagrados. Enfim, também pode ser dizer que saber não é o mesmo que sabedoria. Afinal, entre outras, não há um general negro no nosso país mais famoso e inconveniente que Zumbi dos Palmares.
Inda bem que a nossa galera é composta pela realidade. Nossas torcidas inteiras se identificam com as etnias de negros, negróides, ao contrário do nosso futebol que foi e vai se embranquecendo nos gramados de todo o País. Os ídolos das galeras que encheram os estádios brasileiros neste século erram, na maioria, negros ou mulatos, pixains verdadeiros ou disfarçados. Interminável e fulgurante galeria com Friendereich, Tim, Leônidas da Zilva, Batatais, Zizinho, Jair da Rosa, Garrincha, Pelé, Didi, Djalma Santos, Paulo César Caju... de uns tempos para cá, com a especulação imobiliária comendo com o trator os campos de várzea, os campinhos, e com o apadrinhamento calhorda com que se prova que qualquer ditadura adoece uma realidade nacional e mais a chegada da mídia, esta senhora indigna e absoluta fazedora da cabeça do povo, velha e hiena cafetina que dirige as emoções populares para onde quer e já promoveu os estilos computarizados e faltos de ginga como a tônica do nosso futebol, velha catastrófica...

E se fez a adoção do chamado “futebol empresa” a gerenciar os clubes, antigamente associações lúdico-desportivas. E se gerou o futebol de resultados. Zero a Zero passou a resultado positivo na matemática tão mesquinha quanto perversa. Vai-se acabando com o gol e, com ele, sem a cerimônia menor, acaba-se com a alegria do povo. Garrincha, Garrincha, teu nome era generosidade.

Mestre Ziza e outros nem sequer são ouvidos pelos que dirigem o futebol do País. Em compensação, dão cartas e jogam de mão Telês, Edus, Carlos Albertos Silvas, Zagalos, Parreiras, Lazzaronis e quiquiriquis na Era Dunga, tecnoburocrática em que se joga para o zero a zero. Sem cor e sem sabor. Só o da derrota.
Mas uma verdadeira romaria de valentes e abnegados torcedores vai sendo manipulada pela dona Mídia, enquanto se enchem os porões da memória com uma folha seca.
Quanta saudade. Mestre Didi...


João Antônio.

(coluna: Histórias de torcedor, Estado de S. Paulo. Domingo, 8 de julho de 1990).

sábado, 16 de maio de 2009

A brotherhood of men - uma conversa com o amigo André.


Conversa via web com o amigo André, o selvagem da motocicleta, o Lord Byron de Suzano.


agpe13: fala luiz
recebeu meu email?
eu: recebi
e pensei em ver a imagem interira novamente para então responder
agpe13: cara, eu vi cada edição porca da globo com as imagens
do tipo "esse negão nao tem educação"
eu: pq tem questões de ordem procedimental da sessão que Gilmar teria de ter ponderado
sei lá
xiliques acontecem em todo o lugar
agpe13: disso eu nao entendo
sei que eles bateram cabeça em coisas tolas, tipo o dia da ausencia do joaquim (era licença) que o Gilmar falou que era falta, enfim
Enviado às 15:17 de quinta-feira
eu: sim, mas se o Joaquim pediu mais tempo para produzir seu voto, ele deveria ter dado, ainda mais pq o mesmo esteve ausente, justificadamente, e pq um voto de cada um dos ministros numa corte judicial deve ser prolatado conforme seu pleno convencimento pessoal e técnico.
saca
agpe13: blz
eu: isso, acho que ninguém observou no contexto
mas a presidência era do Gilmar, o que implica na coordenação da sessão e dos atos administrativos do STF, de tal sorte que cabe a ele resolver
Enviado às 15:21 de quinta-feira
eu: o que deve rolar lá, e tem a ver com a pulsão expressada pelo Joaquim é que o Gilmar, além de se achar o mais foda de todos, pq estudou na alemanha e o caralho a quatro, também parece ser bastante inflexível e então acho que isso virou um acumular de tensões que findaram naquilo que vimos
agpe13: na verdade, as pessoas veem o video e colocam aquilo como um mero bafão... e aquilo é o melhor sintoma de uma crise ética que vivemos, e de que nao é todo mundo que engole o gilmar
eu: tb, acho
agpe13: essas tensões pessoais pesam.... mas isso mostra que tem muita coisa q poderia vir a tona, ng fala a toa "vc esta destruindo a credibilidade dessa casa"
ou o lance dos "capangas do mato grosso"
eu: sim
a gota dágua
mas também tem a ver com um processo de politização do judciário
agpe13: que acho que era sobre o caso do Blairo Maggi, li no blog do azenha
eu: q já era um pouco comum no supremo, mas avançou para outras esferas
não to sabendo disso
Enviado às 15:25 de quinta-feira
agpe13: sim, e essa politização passou dos limites...
Enviado às 15:27 de quinta-feira
agpe13: cara vou nessa
valeu
depois a gente se fala mais
abraços!
eu: não sei se passou dos limites, encaro como um processo inevitável de um modelo institucional que na verdade é preenchido por indivíduos que compõem as castas de nossa sociedade e que com seus velhos jargões e preconceitos, além de atividades "extra-curriculares": não dão mais conta da 1. etiqueta, 2. da sustentação política, 3. das mudanças que vem ocorrendo no plano social, 4. etc...

OBAMA E A INTERNET.


Após o término das eleições norte-americanas em 04 de novembro de 2008, uma pergunta surgiu, Obama venceu por causa da influência da internet em sua campanha? Toda a imprensa internacional afirmava que Obama mobilizou grande parte do eleitorado por meio da internet. O erro de muitos especialistas, porém, foi o de apontá-la como fator quase que exclusivo de vitória.
O acesso a internet não é fenômeno recente nos Estados Unidos. Desde o meio da década de 1990, milhões de norte-americanos já tinham garantido acesso, tanto no ambiente doméstico, como no de trabalho ou nas escolas. Só para se ter uma idéia comparativa, o acesso no Brasil, até 2007, era limitado a apenas 25% da população. Esse percentual é bastante semelhante ao encontrado nos Estados Unidos em 1996.
Os especialistas Peter D. Hart e David Gergen não são tão categóricos quanto ao poder de influência da internet. Para eles Obama venceu por influência da mesma ao utilizá-la como mecanismo de ativação eleitoral e como facilitador de doações de fundos para sua campanha, por que, o processo do exercício de vínculos em redes sociais de internet já havia se sedimentado anteriormente. Mas a vitória se deu, também, pela boa elaboração de discursos e propostas que foram resultantes de uma adequada leitura de contexto em um ambiente prospectivo do voto, tradução de um quadro de crise econômica e da conseqüente necessidade de um projeto social menos liberal. Essa, também, parece ser a opinião de Willian Wack, jornalista da Rede Globo de televisão.
O cenário que vinha se formando desde 2006, no caso norte-americano, era de um clima de mudança, em que preocupações com a política econômica eram sentidas. O cidadão médio americano passou a se preocupar com o seu reduzido poder de compra, com a expansão de serviços de acesso gratuito ou facilitado (dada as dificuldades de empregabilidade crescentes) e com a falta de transparência no governo George W. Bush. Com isso, a então dominante preocupação com a questão do terrorismo diluiu e fez retroceder a tendência conservadora do eleitorado. Esse conjunto de fatores fez de Obama um fenômeno eleitoral. Sua ampla campanha de rua, por telefone e televisão contou com a participação de muitos voluntários e de grupos organizados. Internet, realidade sócio-econômica e mobilização social foram os ingredientes de sua vitória.

A futebologia - versículo 2.


Uma das questões que não se cala quanto a manifestação do futebol, tomando este como espécime mitológica, é a razão pela qual a tantos, esta forma de vida, fascina pelo mundo a fora.
Os tecnocratas diriam: “o futebol, segundo números comprovados é o esporte mais popular do mundo”. Mas, todos sabemos que as estatísticas não explicam o desejo.
Não é de se estranhar que teorias antropológicas, das mais diversas, são apresentadas para explicar o encantamento. Tem quem pense que o futebol é um sucesso por ser uma prática antiga e por que diria respeito a uma das faculdades primordiais do humano, bípede que é (diferentemente dos demais bichos) tem no uso dos pés uma constatação de potência.
Por sinal, pra dizer que o futebol é mais antigo do que se pode supor, tem quem diga que não foram os ingleses que o conceberam, mas os maias com um futebol que mais parecia uma cerimônia de culto ao divino do que esporte, enfim...
Mas o futebol permanece, ou permaneceu (até a manifestação do Galinho de Quintino[1], pelo menos) por prováveis outros motivos.
Engraçado pensar que além do futebol, somente outro sintoma humano manteve-se por longa data; este que teimo em recordar, é a longânime vida (que tenta imitar a arte).
Tal qual a vida, aliás, o futebol é algo que tem um fim, o gol. Mas o gol, esta categoria que implica em algo a ser contado, mensurado, talvez seja mais do que moeda contabilizável. Tal como a vida que com seus objetivos traçados de realização material, de procriação (e etc, vamos parar por aqui!) ..., tem nestes pontos, a mira de um objetivo final, de um fim (de uma morte, talvez). O Gol pode ser assim percebido, como um fim de tudo.
A vida (tal como o futebol) é de fato constituída e experimentada em seu fragor mais consistente, no meio de tudo, entre o nascimento e o lance final, e não no seu fim. No futebol, tal como a vida, também, era assim, o gol fora seu fim, mas o meio disso tudo, as jogadas, os passes, o suor, o reconhecimento da beleza da realização do outro (jogador), os modos de vida do boleiro, a arte do jogo, tudo isso fazia deste esporte, uma paixão. Paixão, não se esquece, amortece. E é por isso, também, que o futebol permaneceu. Antes do gol, tantas outras manifestações, belezas, formas de agir!
Mas é assim mesmo, o futebol imitara a arte, ou talvez a vida, ou a vida à arte ... tudo no meio do caminho ... antes do instante (terapêutico; quem não tem medo do escuro?) algébrico, objetivo, definitivo, certo, ?justo, comparável. Antes que o instante do gol tenha sido consumado e então, tomado conta do desejo, do fascínio e terminado em contagens nas telas de vídeo-game.
Daí a tese de que o futebol acabou. "Come lacrime nella pioggia. È tempo di morire[2]". Quem ganhou?



[1] Referente a Zico, mestre da bola, jogador do clube de Regatas (é de futebol, acredite!) Flamengo, semi-deus japonês, nascido e infante em Quintino (bairro carioca), um dos maiores jogadores de futebol em todos os tempos, foi a manifestação final da pureza dessa epopéia esportiva humana.
[2] Frase final do filme “Blade Runner” de Ridley Scott.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A futebologia - versículo 1.


No obscuro dos murmúrios saudosistas, entre um gracejo resignado e a constatação do tédio ou da preguiça que acomoda aos observadores, um axioma (talvez um engano) irrompe das goelas do inconsciente: “O futebol acabou, agora só resta o vídeo- game”.
Para alguns desses mal-humorados, as justificações surgem na proposição de um termo histórico entre o futebol e as tecnologias: Zico, o galinho de Quintino. Há aqueles que comparam na memória do vídeo-tape, ou nas fantasias da emoção rememorada, jogadas e momentos que não se vivencia mais no mundo da bola.
O certo é que todo movimento humano, coletivo, sensível, acaba por se transformar no decorrer dos tempos.
O fruir da utilidade é o primeiro que recordamos. Quando a coisa pega, malandro: sai de baixo, que ai vem, a despeito da dor, da moral e da lenda, o tiro que mira a sobrevida.
Mas é fato que a grana logo coapta o útil, e a dimensiona por números e equivalentes sem poesia.
O sonho que era a cortina de nuvens no palco das realizações de um esporte de pobres e encardidos, deixou de chutar bolas e foi se tornar um colorido em alta definição e resolução em programados passos de escolinhas (? de futebol, parece) protegidas por grades e em discursos desses que a coca cola já nos ofereceu.
O sonho é popular, ou era ...
Bibliografia
BAUDRILLARD, Jean (1972). Para uma crítica da economia política do signo. Lisboa, Edições 70.
______________ (1981). Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio d'Água.
MARX, Karl (1999). Introdução à Crítica da Economia Política. In GIANOTTI, J. A.(Org.) Marx. São Paulo, Nova Cultural, p. 25-48.
PAPOS DE AMIGOS (entre o momentâneo e o incerto). Goles de botequim e sinceridade.
ZICO, ARTHUR ANTUNES DE COIMBRA (eternidade). Gols e humanidade que não passa pelas telas de televisão. Rio de Janeiro, Quintino.