segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ETHOS EM AMBIENTES PERIFÉRICOS – RAZÃO E REBELDIA NO DISCURSO DOS RACIONAIS MC`S





“... Quantas vezes eu pensei em me jogar daqui.
Mas, ai, minha área é tudo que eu tenho.
A minha vida é aqui, é muito fácil fugir, mas eu não vou.
Não vou trair quem eu fui, quem eu sou.
Gosto de onde eu tô, de onde eu vim.
Ensinamento da favela foi muito bom pra mim.”
Trecho de Fórmula Mágica da Paz (1997)






INTRODUÇÃO
O presente trabalho é proposto com o intuito de apresentar um particular cadinho social presente no Brasil, os espaços de vida nas periferias de grandes cidades brasileiras, a partir da análise atitudinal de conteúdos e do comportamento ético do grupo Racionais Mc’s. O que, segundo os autores, parece favorável para compreender como estratos sociais menos favorecidos nas sociedades latino-americanas têm reagido, mesmo sob circunstâncias mais que desafiadoras e restritivas, e construído mecanismos de reação social.
Palavras-chave: Mídia, Periferia, Racionais Mc’s, ethos, solidariedade.

Proposta de trabalho e metodologia aplicada.
O presente trabalho é proposto com o intuito de apresentar um particular cadinho social presente no Brasil, mas de suma importância para o entendimento de certos fenômenos sócio-culturais latino-americanos, junto a sua particular reação frente a modos de vida ditados por parâmetros hegemônicos impostos por um amalgama mercadológico.
O grupo Racionais Mc´s se constitui num expoente do fenômeno hip-hop brasileiro. Suas canções deixam claro o que se percebe em suas posturas de enfrentamento em face de uma mecânica mercadológica. Surge como resultado da união de quatro jovens da periferia paulistana, que sendo recusados e recusando o mercado da indústria fonográfica, acabaram por se estabelecer como fenômeno de venda, como ídolos de uma geração de jovens pobres e como referenciais simbólicos identitários, a forjar “manos”, em vez de jovens feios, pobres, pretos, quase pretos, e cabisbaixos.
A fim de demarcar os pressupostos, a saber: cenário conflituoso de ação cultural, tensões sociais e decodificações textuais, serão analisadas três letras que podem ilustrar os choques de convivência presentes no texto e no discurso dos Racionais Mc´s: Fórmula Mágica da Paz (1997), Vida Loka 2 e Dá ponte pra cá (ambas de 2002).
Observar-se-á, decerto, que o cotidiano dos costumes e hábitos perpassa e se coaduna a uma problemática que irá permear, inclusive, às contradições e inquietações do narrador no discurso dos Racionais Mc´s, assim: o funcionamento comunicativo aos pares, aos “iguais”, em confronto com os “diferentes”, ou melhor, a operação de mediação no embate endógeno (espaço identitário) e enfrentamento exógeno (espaço do outro – os abastados no âmbito sócio-financeiro-cultural) determinará um discurso inevitável forjado pela experiência que impulsiona um sujeito crítico.
A análise do conteúdo das letras virá acompanhada do processo investigativo proposto por Kellner (2001), de avaliação do fenômeno midiático a partir de três ambiências: (a) numa perspectiva da economia da comunicação, observando-se como se dá um tal movimento “insurgente”, e quais são, por conseguinte seus mecanismos viabilizadores de apreço por uma grande massa de admiradores, (b) a análise do conteúdo já apontada, e finalmente (c) considerações acerca de como se dá a interpretação do público, frente aos mesmos, tanto aqueles que se identificam, quanto os que são implicados como sujeitos que afrontam aos “manos” (classe média e ricos). Nesse último momento, se observam considerações acerca dos mecanismos sistêmicos presentes nos ambientes sociais menos abastados, visando problematizar elementos de funcionamento de uma práxis-ação do sujeito identitário.

Espaço social e caráter forjados pelo rompimento criativo.
Sodré (2002) não nos deixa esquecer que a escrita é um sistema que permite a reunião, acumulação de saberes e informações, mas que essa não nasceu da necessidade de acumulação informacional, mas como técnica de representar um vínculo entre pessoas. Por isso, assevera que o que de fato motiva a linguagem é a relação humana, e arremata exemplificando que a internet e os chats de relacionamento não são novos enquanto sistema, mas tão somente mais céleres operacionalmente.
Ao chamar atenção para as funções humanas que estão na base da formação da linguagem, inelutavelmente, traz luz para um espectro de necessidade que faz eclodir os desenvolvimentos de competências humanas, dentre as quais a destacar, a linguagem.
Autores como Gonzáles (2002), ao pesquisar os elementos lógicos que fazem eclodir o desenvolvimento criativo no homem em sociedades, ou ainda dentro de espaços na natureza, inicia apontando que alguns autores identificam no processo da geração de novas idéias, o envolvimento de elementos irracionais.
Quando alguém pensa algo diferente, tem uma nova idéia, cria algo, e as motivações que levam tal sujeito a escolher estratégias para a resolução de problemas não se resumem a elementos puramente suscetíveis de análise lógica, uma vez que dentre tais compostos encontram-se: elementos subjetivos, preferências e gostos (Gonzáles, 2002).
Autores como Peirce e Hanson, segundo Gonzáles (2002), focam análise nos elementos racionais subjacentes a criatividade. Por isso, em seu texto encontra-se a seguinte passagem de um dos Collected papers de Peirce (1931-1958 apud Gonzáles, 2002, p. 24): “O pensamento criativo parece oscilar entre crenças bem estabelecidas e dúvidas ou surpresas que as abalam. (...) O processo de interrupção e abandono de uma crença não ocorre apenas por acaso, mas exige que alguma experiência se contraponha às expectativas.”
Veja, disso se pode concluir que a interrupção de uma crença virá ocorrer apenas com o surgimento de uma nova experiência, sendo certo que neste sentido pode-se ter uma reação positiva que leva a uma atitude ativa como efeito mental ou então, pode-se ter uma reação negativa, que se circunscreve a um efeito mental passivo.
Tendo por foco o possível efeito mental ativo pode-se observar ainda a seguinte continuidade processual: um primeiro momento em que se observa um efeito de surpresa, ou anomalia presente; posteriormente um estado em que a mente investiga este acontecimento surpreendente; finalmente, o instante em que ela pode encontrar uma hipótese explicativa que faz o organismo considerar corriqueira tal situação (a partir da junção de suas capacidades psíquicas somadas as referências racionais), ou então, o instante em que se pode perceber a ocorrência de um acordo entre as idéias na mente e aquelas relacionadas às leis da natureza que permitem aos homens, em constantes tentativas, criar modos em que, por meio da insistência continuada, permita surgir idéias na mente do homem, relacionadas com as leis ou limites da natureza ou do meio, que se mantenham por uma lógica sistêmica de readaptação e mudança.
Dentro de uma perspectiva relacional humana, que não pode suprimir a vontade de domínio em relação ao outro e o risco do conflito, decerto constata-se que o homem veio a desenvolver, quando disposto num espaço hierarquicamente privilegiado, modos de redução da capacidade e fatores estimuladores de processos de explosão da criação do outro, vez que todos, inclusive seus “consortes”, são irmanados, como vimos, com o sentimento de ruptura. Nota-se, por conseguinte um mecanismo claro que vinculado as narrativas compartilhadas no espaço de mediação social, foi na história da humanidade ampliado de forma significativa pelos mídias, mecanismo que acaba por favorecer frente ao continuum da eclosão da descoberta, do rompimento, um modo de reduzi-lo a métrica de um modelo social vigente, tendo como efeito: a) evitar o espaço da descoberta para a maioria (muitas vezes inventado-a); b) propor sempre hipóteses determinadas, a fim de transparecer, à consciência que se firma e se amplia no contato coletivo, uma impressão de limites opcionais para determinado problema; c) propor teorias “lógicas”, calcadas em narrativas que se fundam em elementos da experiência.
Por isso que num ambiente em que o espaço do conflito tendo mira a regulação da hierarquização e do domínio se sublima pela linguagem, signo e compreensão. E tendo esta última, vinculada à percepção dos processos em que o sujeito esteja implicado, é que então, de fato se poderá encontrar saídas espontâneas para a expressão da vida, ou da sobrevivência em determinados casos, em que se verá implicada, também, a nitidez consciencial com que se faz algo autonomamente, não se repetindo um modus operandi, por um devir, por que as coisas são assim mesmo.
Morin (1975) ao tratar de questões relacionadas a como o homem por um processo revolucionário criativo rompeu com seu estado “bestial” e veio a constituir sociedade e linguagem, assevera que ainda que os elementos básicos fomentadores da constituição de um espaço organizado e hierarquizado que compõe a sociedade, não sejam propriamente dito humanos, posto que outros animais também os tem, contudo a possibilidade de sublimar uma relação que está calcada numa necessidade presente e concreta, traduzida por fenômenos perceptíveis e de fácil compreensão empírica, e transformá-la no seu representamen, que com o passar do tempo, faz os homens perderem contato direto com o objeto fomentador da experiência, que passa, por sua vez, a ser traduzida por um simulacro. Permite observar que, nesse contexto, são justamente os sujeitos subalternos, que não tendo acesso aos recursos mediadores de uma sociedade como esta, sendo obrigados a buscar alternativas no contato presente com as coisas e pessoas e suas respectivas nuances forjadas pela experiência do contato e do trabalho em si, que fazem eclodir espaços comunitários em que a compreensão identitária dos processos de dominação, dos mecanismos de sobrevivência e da conformação social se estabelece, não isoladamente, mas de forma particular, por que não há outra alternativa, vez que, para estes o processo de marginalização é acentuado em diversos níveis estruturais.
Os Racionais Mc’s apontam numa das canções selecionadas, “Fórmula mágica da paz”, indícios deste processo, em que a identidade, o pertencimento espacial, cultural e social se dão sistemicamente imbricados:
“Essa porra é um campo minado. Quantas vezes eu pensei em me jogar daqui, mas, aí, minha área é tudo que eu tenho. A minha vida é aqui e eu não consigo sair. É muito fácil fugir mas eu não vou. Não vou trair quem eu fui, quem eu sou. Eu gosto de onde eu vou e de onde eu vim, ensinamento da favela foi muito bom pra mim. Cada lugar um lugar, cada lugar uma lei, cada lei uma razão e eu sempre respeitei, em qualquer jurisdição, qualquer área (....)”.
A condição de marginalização do grupo social do qual faz parte os elementos do grupo Racionais Mc’s já se define por marcas de clivagem social: a cor, as condições de escolaridade, o acesso aos bens culturais e de consumo, a marginalização de competências políticas junto às instituições públicas, o contato com a criminalidade como uma das saídas possíveis fomentadas pela cultura do meio e pela necessidade.
Fórmula Mágica da paz: “(...) Era só um moleque, só pensava em dançar, cabelo black e tênis all star. Na roda da função “mó zoeira!” Tomando vinho seco em volta da fogueira. A noite inteira, só contando história, sobre o crime, sobre as treta na escola. Não tava nem aí, nem levava nada a sério. Admirava os ladrão e os malandro mais velho. Mas se liga, olhe ao seu redor e me diga: o que melhorou? Da função quem sobrou? sei lá, muito velório rolou de lá pra cá, qual a próxima mãe que vai chorar? (...)”.
E ainda a violência e opressão dos meios “oficiais”: polícia; Fórmula Mágica da paz: “(...) Eu já não sei distinguir quem ta errado, sei lá, minha ideologia enfraqueceu. Preto, Branco, Polícia, Ladrão ou eu, quem é mais filha da puta, eu não sei!” e do prestígio, subordinação social e desvalorização de seus traços de cultura; Da Ponte Prá Cá: “ (...) hã playboy bom é chinês, australiano, fala feio e mora longe, não me de mano (...)”.
Sujeitos a isso poderiam reagir dentro de diversas possibilidades para sobreviver física e psiquicamente, como se sugeriu anteriormente ao analisar-se os processos de ruptura criativa. No entanto, fizeram por um apreço pela transformação cultivada por um profundo senso de descontentamento que se afirmou e até hoje assim o fazem, sem permitir concessões, se quer, pela participação em momentos mediados pelos mídias em que pudessem dividir espaço com outros cujo comprometimento não fosse minimamente radical e vinculado a tais sintomas. Vida Loka 2: “ (...) Nosso espírito é mortal, sangue do meu sangue, Entre o corte da espada e o perfume da rosa, sem menção honrosa, sem massagem. (...)”. Este é o caráter diferencial, caracterizador do grupo e que permite, justamente por isso, fazer deles reconhecidos e acolhidos, mesmo que distantes dos mecanismos de mediação mercadológica que apelam para formados do “homem médio”, homem padrão e que detêm compromissos com esta rede e com os modos e interesses de tal mercado.
Outrossim, justamente por esta condição possível (humanamente, e naturalmente como se viu) de reação, que os Racionais Mc’s, pelo desempenho de radiografia de uma experiência partilhada por muitos, e pelo caráter de comprometimento consubstanciado também pela experiência, que tanto eticamente; Vida Loka 2: “(...) Enquanto zé povinho, apedrejava a cruz, um canalha fardado, cuspiu em Jesus, Hó..., Aos 44 do segundo arrependido, salvo e perdoado, é Dimas o bandido. É loko o bagúio, arrepia na hora... Dimas, primeiro vida loka da história.”, quanto pelas potencialidades pragmáticas (e não puramente teóricas) de intervenção pela qual tal grupo acaba por se forjar em paradigma, mesmo para aqueles que os observam, ainda que irreflexivamente ou não, com repúdio e desdém, são refúgio para o inquietamento do insatisfeito, ou do sujeito atento para mazelas do sofrimento legitimado por símbolos, fatos e mecanismos de exclusão.

Modelo ético de Racionais Mc’s.
No dia 25 de setembro de 2007, o vocalista dos Racionais Mc’s, Mano Brown, concedeu uma entrevista ao programa Roda-viva da Tv Cultura. Em tal entrevista surpreendeu mesmo àqueles que já conheciam seu trabalho ou nutriam por ele alguma admiração, uma vez que em tal programa, Mano Brown apresentou um modelo ético muito particular e que se coaduna com as condições do processo de eclosão criativa, bem como com uma noção de confiabilidade entre sujeitos, formas de ação e compromissos que só se garantiriam, substancialmente, em razão de marcas cosidas por linhas e mãos nas relações próximas, tanto no que tange ao tempo e espaço, quanto à experiência psíquica mais sincera e vívida.
Em tal entrevista declarou que nos espaços de vida da periferia, os elementos de diferenciação, de clivagem, presentes no campo de convivência com a classe média ou rica: cor, condição de renda, profissão, etc, não eram sequer notados como traço identitário dos indivíduos. Na verdade, segundo Mano Brown, na periferia, todo mundo é preto e pobre, e sua condição de marginalidade econômico-social, faz a muitos se sentir assim, ou ser deste modo tratado.
Por tais razões, Mano Brown descreveu ao ser inquirido sobre os fatores de divisão moral tendo em vista os modulares parâmetros da classe média e a realidade das favelas, por que se permitia perceber positivamente os “bandidos”, por exemplo, em suas canções. Brown, então explicou que no espaço de sobrevivência, “da ponte pra lá” da vida da classe média paulistana, para se reconhecer uma pessoa, ou um lugar, uma atitude e compreendê-la como suscetível de respeito, não se tinha como elemento primário um padrão moral dogmático, mas justamente a relação entre os indivíduos, próximos em função de relações de convivência como o elemento fundador do julgamento ético válido. Pois para ele, é valido inquirir: como saber se algo é bom ou não, como entender a dimensão humana de um sujeito (mesmo que cometa um ato ilícito), se não pela relação de convivência com o mesmo.
Por isso são tão importantes as relações de solidariedade, no exercício das funções sociais neste espaço. Diante delas, a sociedade “formal”, burguesa, é que não é honesta, e que é criminosa e omissa, posto que agride a todo momento aquele contingente humano marginalizado. Desde atos exteriorizados por agentes institucionais: o policial, o promotor, o juiz que pende sempre a condenar o pobre, quanto pelo ato de não cumprimentar o porteiro do prédio, ou a empregada em sua casa, ou de não inquiri-la, ao menos, acerca de como passou seu dia, tendo em vista que não os tem, de fato, em prática, como próximos, como iguais. Nesse ponto, Brown descortina o amargo por dentro da casca do sujeito festivo, cordial e tolerante brasileiro.
O caráter de sobrevivência fisiológica e psíquica tem como adversários a sociedade burguesa, segundo ele. A honestidade se prova na família, no meio entre amigos, no espaço de convivência aproximada. Por tal razão, por vezes o ladrão, o malandro é mais confiável que o homem de batina.
Quanto à idéia do romântico trabalhador que sofre na periferia violenta, destaca que se tem ai a figura do herói (lembremos do índio de nossa literatura romântica) que só apanha. Destaca, também, elemento crucial de nossa sociedade, já apontado por antigos sociólogos, inclusive pelo conservador Oliveira Vianna (1974), que é o de que a lei, não é feita para todos, mas, que funciona a beneficiar uns e a repreender outros, conforme podemos depreender da seguinte passagem: “Esta discordância entre o direito-lei e a realidade social (direito costume) é, com efeito, um traço dominante da história política dos povos latino-americanos. É um fato geral, que decorre do tradicional “marginalismo” das suas elites políticas.” (Oliveira Vianna, 1974: p. 20).
Mano Brown também destacou que é justamente em razão desta relação dia após dia de contato direto com todos, inclusive com seus admiradores, de forma natural, e sem se portar como um difusor de verdades (o que se depreende também dos conteúdos de suas canções), é que foi permitido ao trabalho do grupo se tornar um fenômeno de venda, sem que deixassem de ser refutados, ao contrário, sobretudo no início da carreira, pelas grandes gravadoras e distribuidoras.
Kellner (2001) aponta este aspecto, como importante na avaliação dos liames ideológicos de produtos midiáticos na lógica capitalista do mercado. Neste sentido a independência do grupo é algo que impressiona. Muitas vezes chegou a vender discos nos locais de shows, sem a mediação de distribuidores e nos últimos discos, conseguiu atuar com uma gravadora independente que criaram. Assim, percebe-se na promoção do grupo uma ação isenta, e este é o esforço constante do mesmo (que raramente se apresenta em televisão ou concede entrevistas, sendo que quando o faz avalia o espaço e programa), a perseguir o distanciamento de liames com os responsáveis pelos grupos econômicos que tem ao seu redor outros liames com grupos políticos e econômicos apoiadores do mercado e por conseguintes conservadores. A viabilidade econômica do produto oferecido pelos Racionais Mc’s está calcada no prestígio que detém nos espaços populares de grandes metrópoles e mesmo da classe média, que em alguns nichos percebe a profundidade e o caráter ideológico e a radiografia social do trabalho.
O efeito de sentido oportunizado pelos conteúdos se insere dentro de uma lógica comportamental do receptor de tais mensagens, posto que, tais canções não sendo veiculadas de forma convencional, nos mídias e sendo difundidas, sobretudo, pela oralidade, acabam por exigir dos seus admiradores um contato mais intimista e de compreensão da postura e conteúdos do grupo, ao passo que dos seus antagonistas, que não são poucos, obviamente, em regra, se descobre um desconhecimento acerca dos conteúdos e uma base generalizadora e preconceituosa que o próprio grupo denuncia em suas músicas acerca dos “playboys”, da classe média e rica (que os hostilizam e os tratam por “manos”, ou ainda, que os tem não por “gente bonita” que se encontra em espaços aprazíveis da convivência burguesa da classe média e alta).

2 comentários:

  1. Oi Luiz! Parabéns pelo novo espaço e muito sucesso no seu blog, pocahontas.blogspot.com! Este texto não comentarei (sou um conservador de ultradireita tupiniquim, esqueceu?!), mas vou manter-me conectado a suas idéias!
    Abços!!

    Andre

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  2. Caro luiz,
    Sou de um cursinho popular da periferia de campinas/SP. Como morador da "quebrada", que por conta deste cursinho(Cursinho Herbert de Souza)fui fazer ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas, muito me interessa o olhar ciêntífico sobre os portavozes dos ditos grupos subalternos. Deste-nos importante contribuição. Vou divulgar em minhas redes de relacionamento. Parabéns.
    Silas Eduardo
    silasunrex@gmail.com

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